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Correio da Manhã

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“Por inexperiência e inconsciência faltou-me algum profissionalismo"

Aos 33 anos, o actor inicia um novo ciclo de vida. Mais importante do que o curso de Medicina, quase concluído, é a representação e a família. Agora, é neles que aposta, com profissionalismo e rigor
23 de Dezembro de 2011 às 16:03
josé carlos pereira, entrevista, telenovelas, tvi
josé carlos pereira, entrevista, telenovelas, tvi FOTO: Duarte Roriz

Como foi gravar a última cena na pele de Pepito [‘Anjo Meu’]?

O Pepito sai de cena a fugir da Pensão Versalhes depois de ser acusado de roubo. Foi mais uma situação caricata. Vou ter muitas saudades do Pepito. Mas a novela continua e o Zé Carlos também. Há outros projectos a seguir.

Fala da novela ‘Destino’?

As gravações começam em Janeiro, mas não posso falar do projecto. Será uma personagem diferente do Pepito e que vai viver um grande conflito interior de origem familiar.

Voltará a ser galã?

Serei protagonista, não acho que seja galã. A personagem não será o bonzinho da história. Será um projecto com mais trabalho de composição.

Por que vai o Pepito deixar saudades?

Foi a minha primeira incursão na comédia e uma experiência muito interessante. Mas as pessoas que me conhecem sabem da minha veia cómica e foi bom fazer esta personagem. Deu-me luta, mas muito gozo. O Pepito conquistou o carinho do público.

Como foi vestir este visual?

O visual ajudou no trabalho de composição. E falar ‘espanholês’... O Pepito foi sendo criado e resultou bem, deu-me muito gozo, não me cansei dele e saí na altura certa. Estou contente com este trabalho.

Onde se inspirou para interpretar o cantor romântico?

Não pude fugir muito ao estereótipo, o Julio Iglesias, George Michael e Ricky Martin.

Por ter sido bem-sucedido, o Pepito ganhou mais destaque da Maria João Mira?

Não tive essa noção até as primeiras cenas do Pepito serem emitidas. Mal apareceu no ar, senti um feedback muito grande das pessoas. A Maria João deu-me os parabéns, estava bastante agradada. Nunca sabemos qual é a fórmula mágica para que as coisas resultem. Aqui resultou, foi um bom encontro entre autora e actor.

O que o cativa na escrita da Maria João Mira?

É o segundo ou terceiro trabalho que faço com ela, e todos correram muito bem, foram grandes sucessos. Não pode haver melhor encontro se gostarmos de quem escreve para nós e da maneira como escreve. Nada do que a Maria João escreve é alterado, nunca tive qualquer reparo a fazer, e as cenas fluem naturalmente, são curtas e bem escritas. Não há cenas para ‘encher chouriços’. Gosto da escrita e quero continuar a fazer as novelas dela.

De ‘Anjo Selvagem’ para ‘Anjo Meu’, o que mudou?

Além da segunda palavra do título, muita coisa mudou. Já lá vão 12 anos e muito trabalho. Hoje, tenho mais maturidade, um olhar diferente para a profissão, uma seriedade que se calhar não tinha no começo. Nessa altura, por inexperiência e um pouco de inconsciência, faltou-me algum profissionalismo. Não percebi bem o que me estava a acontecer. Neste momento, tenho consciência de que esta é a minha profissão, isto é a minha vida, é parte primordial do meu dia-a-dia. Não falho com a família e o meu trabalho.

A indisciplina profissional faz parte do passado?

Faz. Neste momento, ninguém tem nada a apontar-me. Vivo para o trabalho e a família. E não posso falhar, sob pena de me colocar em segundo lugar. Isso não o farei nunca.

Como convive com a exposição pública?

Aprendi a conviver. Já me causou muitos dissabores. Mas quem não deve não teme, e não devo nada a ninguém.

Hoje evita expor-se?

Evito expor a minha intimidade. Dentro do possível, porque não vou deixar de sair de casa e de conviver com as pessoas de quem gosto, porque ninguém tem nada a ver com isso.

‘Perdidos na Tribo’. Que ficou dessa experiência?

A noção de adversidade. Foi muito duro. Mas na adversidade tiram-se grandes lições. Foi uma experiência única.

Voltaria a repeti-la?

Não.

Ficou com alguma mazela?

Uma lesão no joelho, que está a ser tratada.

O que nunca pensou superar?

A fome. Ficamos totalmente toldados, chegámos a um ponto em que não pensávamos em mais nada e não havia nada para comer. Foi horrível! Nunca pensei sujeitar-me a uma experiência tão limite que só aconteceu porque não sabia no que me estava a meter. Se estivesse devidamente informado não teria ido.

Perfil

José Carlos Pereira, de 33 anos, actor exclusivo da TVI, popularizou-se com ‘Anjo Selvagem’ ao lado de Paula Neves. Seguiu-se ‘Baía das Mulheres’, ‘Morangos com Açúcar’, ‘Feitiço de Amor’ e ‘Sentimentos’, entre outras. Foi um dos concorrentes de ‘Perdidos na Tribo’. Protagonizou o telefilme ‘Noiva Precisa-se’. Em 2009, lançou o CD ‘Azul’. O actor, a quem faltam quatro cadeiras para se licenciar em Medicina, prepara novo trabalho com Vítor Norte.

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