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A greve de argumentistas nos EUA, que teve início no passado dia 5, pode vir a originar mais de 700 milhões de euros de prejuízo na indústria do entretenimento. Tudo porque os profissionais exigem maiores lucros na exploração dos seus trabalhos no mercado DVD, internet e telemóveis.
Desconhecidas são por enquanto as repercussões que este protesto terá a nível europeu, onde os guionistas se deparam com condições de trabalho muitas vezes precárias.
Como tal, a Federação Europeia de Argumentistas já reagiu com um comunicado em que pede a todos os guionistas europeus que se mostrem solidários com os seus colegas da Writer’s Guild of America e se recusem a escrever guiões para os estúdios norte-americanos. Em Portugal, apesar de apoiarem a causa, os argumentistas estão mais preocupados em conseguir trabalho.
PAÍS ATRASADO EM RELAÇÃO AOS EUA
“O nosso país está muito atrasado relativamente aos EUA. Por cá a norma é abdicar de todos os direitos sempre que se assina um contrato”, explica à Correio TV João Nunes, presidente da Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos (APAD) e autor de filmes como ‘Mustang’ e ‘A Selva’, assim como de séries como ‘O Espírito da Lei’ e ‘Inspector Max’.
“No caso da televisão, os guionistas cedem os direitos às produtoras, e estas, por sua vez, cedem-nos aos canais televisivos. Acho que argumentistas e produtores podiam unir-se para combater esta injustiça.
No que diz respeito ao cinema, em Portugal não passa de um passatempo de luxo”, revela o argumentista, sublinhando mesmo que escrever guiões é uma profissão pouco reconhecida. “Pouca gente sabe o que é um guionista, muito menos tem percepção da sua importância. Somos tão autores de uma obra como o realizador. Mas o nosso nome não é mencionado.”
A falta de união entre os nossos argumentistas é outra desvantagem.
“O povo português tem pouca tradição associativa. São muito poucas as pessoas inscritas na nossa associação, a qual pretende, entre muitas outras coisas, criar uma tabela de preços mínimos que regule a venda de guiões e defenda os interesses dos seus autores.
É claro que a ideia de uma greve de argumentistas em Portugal não deixa de ser interessante mas só sortiria efeito se fosse organizada a nível europeu”, desafia João Nunes, lamentando o facto de a APAD nem sequer ter direito a uma sede. “Já pedimos à Câmara de Lisboa mas a única que nos cederam era no Casal Ventoso. Sem qualquer preconceito, acho que não seria o local mais interessante...”
OS GUIONISTAS DE TELEVISÃO
Apesar de todas as condicionantes, os guionistas de televisão são os que menos se queixam, até porque os canais portugueses têm vindo cada vez mais a apostar na produção nacional. Ainda assim, há quem lute para superar condições de trabalho precárias.
“Pagamos impostos e segurança social mas não temos direito a nada se não estivermos protegidos por um contrato. E, no caso dos argumentistas, isso é uma raridade. Levei mais de dez anos para me livrar dos recibos verdes!”, revela Vera Sacramento, autora da adaptação de ‘O Crime do Padre Amaro” e guionista de ‘Floribella’, ‘Uma Aventura’ e ‘Vingança’.
“As condições variam muito entre produtoras, mas o facto de não trabalharmos com preços de tabela faz com que muitos de nós escrevamos quase de borla quando um guião (episódio) adaptado para televisão custa, em média, 750 euros.” Por este motivo, as exigências dos guionistas norte-americanos revelam-se surrealistas face à realidade portuguesa. “
‘O Crime do Padre Amaro’ vendeu milhares de DVD e eu não recebi um tostão. Também não tive direito a licença de maternidade e, por isso, tive de voltar ao trabalho uma semana depois de ter dado à luz”, adianta.
TOZÉ MARTINHO
Conceituado tanto no domínio da representação como da escrita, Tozé Martinho não acredita que uma greve de guionistas em Portugal fosse eficaz. “Os EUA têm uma grande indústria de cinema e televisão. Isso faz toda a diferença”, justifica. E acrescenta: “Também não somos suficientemente unidos para isso.” Apesar de não lhe faltar trabalho, o actor tem pena de que a criação de guiões não seja mais reconhecida. “Ninguém faz ideia do trabalho que dá escrever um guião, da pesquisa que este exige e do pouco tempo que temos para o fazer, sobretudo em televisão”, revela o co-autor de ‘Roseira Brava’ e ‘Todo o Tempo do Mundo’ e autor de ‘Amanhecer’.
RUI VILHENA
Já Rui Vilhena acredita que as dificuldades vividas pelos guionistas norte-americanos são muito idênticas às dos portugueses. “A diferença é que os primeiros estão mais protegidos do que nós, através dos sindicatos. Cá é cada um por si”, afirma, pouco crente numa mudança significativa se não houver união entre argumentistas. “Felizmente, cada vez há mais trabalho, já que a televisão portuguesa está a apostar forte na produção nacional. Contudo, há muita coisa que tem de mudar, e um guionista sozinho não pode fazer nada. É preciso unir forças”, adianta o autor de ‘Terra Mãe’, ‘Bastidores’ e ‘Tempo de Viver’.
ARTUR RIBEIRO
O argumentista e realizador Artur Ribeiro, que também é membro da APAD, compartilha deste sentimento de revolta apesar de a sua carreira estar mais ligada à Sétima Arte, tendo apenas feito algumas incursões no pequeno ecrã. Ainda assim, há injustiças que marcam os dois sectores.
“O guião é a parcela mais importante de uma obra. Mesmo assim, são escritos de borla e só são pagos se forem produzidos. É claro que, desta forma, os produtores encomendam dez argumentos em vez de encomendarem apenas um! Nos EUA, pelo contrário, se uma produtora ficar interessada num guião paga um ‘aluguer’ ao autor para garantir a exclusividade da obra independentemente de esta vir ou não a ser produzida”, explica Artur Ribeiro, que viveu e estudou nos EUA.
O guionista adianta que a indústria portuguesa investe pouco nos guiões, partindo do princípio de que qualquer um consegue escrever uma ‘história’. “A situação é injusta mas ninguém fala muito do assunto. Os americanos não têm problema em dizer quanto ganharam com determinado guião mas em Portugal é diferente. Talvez porque a tabela de preços que existe não é vinculativa e os acordos variarem entre produtoras.”
ARGUMENTISTAS GANHAM FORÇA CONTRA ESTÚDIOS
ACTORES AJUDAM NOS PROTESTOS
O elenco de ‘Anatomia de Grey’ aproveitou o intervalo para almoço para se juntar aos seus colegas guionistas e apoiá-los num protesto à porta dos estúdios Prospect, onde a série é filmada.
'THE TONIGHT SHOW WITH JAY LENO'
Tem sido um dos programas mais afectados pela greve de guionistas da Writers Guild of America, até porque os seus guiões são escritos no próprio dia da emissão. Ainda assim, o apresentador fez questão de apoiar a causa dos colegas e distribuiu donuts e pizas pelos grevistas. A ajudá-lo nesta iniciativa estavam as actrizes Eva Longoria e Julia Louis-Dreyfus.
'DONAS DE CASA DESESPERADAS'
As gravações tiveram de ser canceladas devido à greve de guionistas, apesar de a série continuar a ser exibida até ao Natal. Eva Longoria, que veste a pele de ‘Gabrielle’, foi a actriz mais solidária com a causa, ao distribuir pizas pelos grevistas que protestavam no local das filmagens, em Hollywood.
SÉRIES AMEAÇADAS EM 2008
A greve nos EUA pode comprometer a exibição de séries em Portugal caso se prolongue por 2008. Até lá, produções como ‘Dr. House’ e ‘Heroes’ estão asseguradas pela TVI. O mesmo acontece com ‘24’ e ‘The Nine’, da RTP. No caso da SIC, a principal preocupação é ‘Betty Feia’, para a qual apenas resta um mês de episódios. Contudo, tanto os canais generalistas como os por cabo estão já a estudar alternativas a esta situação.
38 mil euros por telefilme. Em Portugal, a APAD propõe um mínimo de 7500 euros por guião original. Em Espanha o mínimo é 24 mil euros.
22 mil euros por semana. É quanto recebe, em média, o guionista principal de uma novela norte-americana num grande estúdio.
21 mil euros por episódio. Por cá, uma série de 50 minutos deveria valer dois mil euros por episódio. Em Espanha o preço parte dos três mil euros.
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