Não é rico, diz, porque não vive dos juros do capital. Mas tem iate, Rolls-Royce, Bentley e Z3. Colecciona relógios de ouro e tem casas em Lisboa, Vilamoura e uma quinta em Azeitão. Pode dar-se ao luxo de sair do estúdio, meter-se no avião e ir ao teatro a Londres, ou aos antiquários do Louvre, em Paris. Esta semana, viu-se envolvido no escândalo da Casa Pia.
Herman José é hoje um figura incontornável da televisão nacional. Depois de uma ascensão fulgurante na RTP, feita de inesquecíveis e polémicos programas de humor, Herman adoptou uma postura que não se coaduna com a imagem de “cómico anarca”, expressão que o próprio usava para definir o seu estilo. Desde que dá a cara ao “talk show” “Herman SIC” (2000), onde convive com personalidades que antes caricaturava, há quem o considere aburguesado, como o classificou o humorista Rui Unas ao Correio TV em Janeiro passado. Acusam-no de ser menos irreverente e até boçal, embora ainda conte com uma legião de admiradores.
Antes de chegar à SIC, Herman José já experimentara a apresentação na RTP, a estação que o viu nascer como profissional de televisão. “Parabéns” (1996), misto de concurso e “talk show”, foi a primeira tentativa. Seguiram-se “Herman 98”, e “Herman 99”, onde o formato de “talk show” foi assumido por inteiro.
Mas foi através dos programas de humor, ainda na RTP, que o comediante alcançou a popularidade. “Herman Enciclopédia” (1997), por ser o mais recente, está mais fresco na memória dos espectadores.
Antes disso, muitos outros haviam conquistado o público. “O Tal Canal” (1983) marcou a estreia do comediante a solo, anos depois de ter surgido ao lado de Nicolau Breyner na rábula “Senhor Feliz e Senhor Contente” (1975) e de ter encarnado a figura de “Tony Silva” no “Passeio dos Alegres” (1981), de Júlio Isidro. O cantor latino foi, aliás, a primeira de uma galeria de personagens notáveis criados por Herman José, entre os quais o impagável “Serafim Saudade” (“Hermanias”, 1985). Recordamos “Humor de Perdição” (1988), “Casino Royal” (1990) e “Crime da Pensão Estrelinha” (1991).
Nos anos 90 Herman ainda brilhou em concursos como “A Roda da Sorte” e “Com a Verdade Me Enganas”. É inegável, no entanto, que “José Estebes”, “Diácono Remédios”, “Lauro Dérmio”, e “Nelo” são algumas das figuras que ficarão para a história da Televisão portuguesa.
DE ANARCA A BURGUÊS
À custa do humor, mesmo ganhando “pouco” e “devagarinho”, como ele próprio diz, Herman usa requintadas malas Louis Vuitton e um último modelo de um minúsculo telemóvel. Admite apreciar mais um genuíno havano do que um livro.
Os carros são um vício, reconhece. Tem duas relíquias: um Rolls-Royce e um Bentley, que considera duas amantes com quem quer envelhecer. E mais um carro de serviço, um BMW M5, e um BMW Z3, descapotável.
Porque não pode ir para a praia como as outras pessoas, tirou a carta de patrão de costa e comprou um iate que ele mesmo pilota até às praias do Mediterrâneo.
Herman tem três casas e uma quinta: um apartamento na Lapa, outro na Rua Borges Carneiro, ainda outro em Vilamoura e uma quinta em Azeitão. Mas o seu sonho era ter comprado uma casa sobre o lago Genève, na Suíça, que em 1997 custava sete milhões de dólares.
Herman adora camisas cor-de-rosa ou amarelas em caxemira. As gravatas podem ser Hermès. E nas noites de soirées usa uma luxuosa capa preta, forrada a seda.
Todos sabem que Herman detesta viajar em turística. E porque as viagens intercontinentais em executiva estão cada vez mais caras, e quando viaja leva frequentemente quatro ou cinco amigos, a quem paga transporte, hotéis e refeições, optou por viagens mais curtas, a Paris, Nice, Monte Carlo...
“Jamais irei casar, ter compromissos”, disse, há anos, Herman José. Em 1985, ainda pensou ter um filho com uma amiga. Mas ela instalou-se em casa dele, começou a dar ordens, a mudar-lhe os móveis e ele desistiu do projecto. Entretanto, arranjou uma grande amiga no Algarve que tem um filho de quem ele sente ser um pai adoptivo.
A criança trata-o por papá, e à mãe dele por avó Odete.
Para Herman José ser rico é poder viver gastando os juros do capital. E se assim fosse ele teria um jacto transatlântico, coleccionaria pintura de qualidade e terrinas de porcelana.
FINANÇAS TRANSPARENTES
Herman admite que, por uma questão de genética, odeia trabalhar. E só o faz para sobreviver. Mas trabalha mais do que os outros e houve um ano em que só num mês fez 48 espectáculos. Tempos que ele compara à fase do emigrante que vai para o estrangeiro construir casas e colocar ladrilhos. Diz quem o conhece que só trabalha com o cheque à vista. Herman sublinha, com orgulho, que a sua vida financeira é transparente, porque não tem ‘off-shores’, não vende droga, nem recebe dinheiro por baixo da mesa.
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