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Correio da Manhã

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Prisa telefonou ao Governo

A Prisa contactou o Governo português após a assinatura do acordo com a Media Capital, admitiu ontem o administrador-delegado do grupo espanhol, Juan Luís Cébrian, à saída da sua audição na Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS).
27 de Setembro de 2005 às 00:00
João Van Zeller e Juan Luís Cébrian têm opiniões distintas sobre a entrada da Prisa na Media Capital
João Van Zeller e Juan Luís Cébrian têm opiniões distintas sobre a entrada da Prisa na Media Capital FOTO: fotomontagem cm
João Van Zeller, ex-administrador da TVI, foi também ouvido pela AACS e reforçou a sua posição de que houve influência do Governo português na concretização do negócio.
Ao contrário das suspeitas levantadas por João Van Zeller, que saiu da TVI devido a este negócio, “só existiram conversas depois do acordo estar firmado com Pais do Amaral, altura em que contactámos o Governo por telefone, como fazemos em todos os países onde temos interesses”, garantiu Cébrian. O administrador do grupo Prisa ainda explicou o teor desse telefonema: “Foi um contacto de cortesia com o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira.”
João Van Zeller disse, ontem à tarde, à saída da audição, que continua a ser coerente, ou seja, que mantém as declarações que proferiu nos últimos tempos. Van Zeller saiu em ruptura com o grupo de Miguel Pais do Amaral por, alegadamente, os governos português e espanhol terem influenciado o negócio de venda de participações da Media Capital à Prisa.
O assunto é discutido, hoje, na Assembleia da República, onde Van Zeller também será ouvido, no sentido de apurar se houve, de facto, ‘mão’ do Governo na assinatura do acordo que atribui direito de preferência relativo à totalidade das acções da Vertix, que controla a Media Capital (detentora da TVI), à Prisa.
O negócio, segundo Cébrian, até final do ano deve estar resolvido. No entanto, sublinhou que a Prisa não será um accionista maioritário, dado que ficará, no máximo, com cerca de um terço das acções.
Artur Portela, membro da AACS, adiantou que serão ouvidas mais pessoas no âmbito do processo relativo à entrada de capitais estrangeiros em meios de comunicação portugueses, mas garantiu que o Governo não estará nesse pacote.
FACTOS
CASO CHEGA A S. BENTO
João Van Zeller é ouvido hoje no Parlamento para explicar a sua saída da TVI. No início de Setembro, Van Zeller alegou que tinham existido cumplicidades entre os governos português e o espanhol na realização do acordo entre a Prisa e a TVI.
ONDE ESTÁ O CAPITAL
De acordo com a Comissão de Mercados de Valores Mobiliários, a RTL detém 13,73% da Media Capital, ao contrário dos 16,1% anunciados pelo grupo alemão em Agosto. A Fidelity detém 10,05% do capital, a Caixa Geral de Depósitos 2,84% e a JP Morgan Chase 2,39%. Vários accionistas detêm os restantes 54,89% do capital.
AACS DELIBERA
Segundo Artur Portela, da AACS, esta entidade irá elaborar dois documentos onde apresentará as conclusões retiradas das audições feitas no âmbito dos processos relativos às renovações de licenças de televisão e à entrada de capitais estrangeiros nos órgãos de Comunicação portugueses.
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