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Correio da Manhã

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Processo é igual a tantos outros

O interesse gerado pelo caso José Rodrigues dos Santos “é conduzido por minorias activistas”, admitiu ontem Almerindo Marques na ‘Grande Entrevista’, da RTP1. O presidente da empresa deixou claro que a administração não podia pactuar com casos de indisciplina e esclareceu que a decisão de instaurar um inquérito de que resultou o processo disciplinar ao jornalista foi decidido por unanimidade.
23 de Novembro de 2007 às 00:00
Processo é igual a tantos outros
Processo é igual a tantos outros FOTO: Marta Vitorino
O processo disciplinar, que, com certeza, vai ser resolvido pela próxima administração “sem qualquer dramatismo”, salientou Almerindo Marques, é igual a tantos outros. E, para o presidente da RTP, não havia outro caminho, face ao “grave tipo de intervenção pública feito pelo dr. José Rodrigues dos Santos”. O gestor vincou, por outro lado, que “a RTP precisa de ter uma sadia política de recursos humanos”, contrariando, assim,“a tendência histórica para o abandalhamento” que ainda se vive na empresa: “Sim, ainda há reminescências”.
Almerindo Marques, que foi simpatizante do estalinismo, confirmou na entrevista a Judite de Sousa: “O ministro dos Assuntos Parlamentares contava comigo para prosseguir o mandato.”
Boa parte da entrevista foi gasta a a falar do caso Rodrigues dos Santos, contra a aparente vontade de Almerindo Marques. Por essa razão, o gestor afirmou: “O problema da RTP não é do dr. José Rodigues dos Santos.”
Almerindo Marques saiu sensibilizado e com um “sentimento de satisfação do dever cumprido”, disse ao CM após a entrevista.
CINCO ANOS DE GESTÃO
Em cinco anos de gestão no grupo RTP, Almerindo Marques deixa obra feita. A sua administração despediu 800 trabalhadores, mas dotou a empresa pública de novas instalações – na Avenida Marechal Gomes da Costa –, reduziu os custos em 125 milhões de euros, aumentou os proveitos em 96 milhões de euros, e o share das audiências (da RTP1 e RTP2) subiu de 25% para 30%.
Prestes a completar 69 anos, no dia 20 de Dezembro, assume hoje o cargo de presidente da Estradas de Portugal. Estudou Finanças no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, foi deputado do PS, administrador do Banco Espírito Santo e do Banco Fonsecas e Burnay (quando eram empresas públicas), da Caixa Geral de Depósitos e da Lusa, RTP e RDP.
JUDITE NÃO ACEITA PEDIDO DO PIVÔ
José Rodrigues dos Santos estará com dificuldade em arranjar testemunhas dentro da RTP, alegadamente, por se sentirem intimidadas com a intenção da administração despedir o pivô. Judite de Sousa, segundo apurou o CM, terá recusado o pedido do jornalista, de quem era directora-adjunta em 2004, para testemunhar a seu favor.
“Não posso falar sobre isso”, explicou ao CM a jornalista. Apesar de não querer falar sobre o assunto, o CM sabe que Judite de Sousa terá mesmo sido contactada por José Rodrigues dos Santos, tendo, no entanto, declinado o pedido do antigo director de Informação.
Por outro lado, sabe o nosso jornal, uma das pessoas que se disponibilizou a prestar depoimento a favor do pivô – acusado, pela administração, na nota de culpa, de falta de assiduidade – foi um dos elementos do serviço de controlo de assiduidade, da estação pública.
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