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PÚBLICO QUER CORTAR CUSTOS

A redução do capital social da empresa para 14,6 milhões de euros e cortes com custos de pessoal parecem ser as novas medidas pretendidas pela direcção do jornal “Público” para tentar travar os prejuízos acumulados da empresa.
5 de Julho de 2002 às 22:13
A notícia foi avançada na quinta--feira pelo portal negocios.pt, que citava o Relatório de Gestão daquele diário. De acordo com a mesma fonte, a direcção do “Público” ia “propor a redução do capital social e entradas facultativas de dinheiro para cobertura do exercício e de exercícios anteriores no valor de 14,65 milhões de euros e de 508 mil euros respectivamente”.

O CM tentou contactar a direcção do “Público” mas não conseguiu obter qualquer declaração. No entanto, sabe-se que esta notícia apanhou de supresa os funcionários da empresa que julgavam estar terminado o processo de redução de pessoal.

Desde Janeiro do corrente ano, o jornal terá dispensado entre 15 a 20 funcionários. Entre esse número algumas saídas foram voluntárias, partindo de pessoas cuja idade estava perto da reforma. Os despedimentos afectaram não só a redacção, mas também outros sectores do jornal, nomeadamente a revisão e secretariado.

No que respeita ao prejuízo da empresa, e de acordo com os dados referidos no negocios.pt, “as perdas acumuladas pela empresa excedem o capital social, situação que determina assim a aplicação (...) do artigo 35 do Código das Sociedades Comerciais.

Da parte do grupo Sonae.com, accionista único do diário, também não houve qualquer comentário, mas sabe-se que a situação financeira do jornal é uma questão delicada, que há muito incomoda a estrutura interna do grupo.

De acordo com a mesma fonte, a proposta do Relatório de Gestão adverte para que a “continuidade das operações da empresa pressupõe suporte financeiro do seu accionista único”. Caso essa medida não se confirme, “qualquer credor poderá accionar os mecanismos previstos” do artigo 35 do CSC.

Apesar das remodelações levadas a cabo nos últimos anos, o jornal “Público” tem vindo a acentuar a crise. Há cerca de quatro anos, a administração negociou a saída de vários funcionários, mas nem essas medidas nem a remodelação gráfica realizada no ano passado melhoraram a viabilidade financeira do projecto.

Em 2001, o “Público” teve prejuízos de 1,729 milhões de euros, que foram transformados em resultados transitados. Mas, no final desse ano, a conta tinha atingido um saldo negativo de 19,23 milhões de euros, e o capital próprio descera para 1,94 milhões de euros.
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