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Correio da Manhã

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QUANDO A POLÍTICA NOS FAZ RIR

Numerosas e hilariantes, as ‘gafes’ de George W. Bush deram origem a livros e páginas na Internet. Porém, o Presidente dos EUA não é o único político norte-americano célebre pelas afirmações embaraçosas. John Kerry, George Bush Sénior e Richard Nixon, entre outros, deixaram um legado de citações inadvertidamente humorísticas. Que a TV, cruel, sempre captou…
23 de Outubro de 2004 às 00:00
“Os nossos inimigos são inovadores e engenhosos. Eles não param de pensar em novas formas de atacar o nosso país e o nosso povo, mas nós também não.” Esta frase, proferida numa conferência de imprensa no Pentágono, não é da autoria de um terrorista infiltrado, mas do próprio Presidente dos EUA, George W. Bush. Trechos sem sentido, seja pelos ‘pontapés’ na gramática ou mera falta de concentração e escassos conhecimentos de geografia e história, têm originado múltiplas ‘gafes’ ao longo dos quatro anos da administração Bush.
O Presidente norte-americano é célebre pelas tiradas inconsequentes, que causam a consternação entre os ouvintes. Durante uma conversa informal na Câmara Municipal de Orlando, Bush explicou qual foi a sua reacção à imagem do primeiro avião que atingiu o World Trade Center, em 11 de Setembro de 2001: “Ora ali está um piloto terrível!”. No mesmo ano, numa palestra na Universidade de Yale, o chefe de Estado dos EUA confessou aos alunos que, se forem como ele, “não vão recordar a maioria das coisas que fizeram ali”. Esta ‘habilidade’ de chocar o público sem ter a noção de que o fez terá sido herdada do pai, o ex-presidente George Bush, que, em 1998, afirmou num discurso: “Eu espero que me vejam com um modelo de anti-preconceito, anti-racismo e anti-semitismo”.
O adversário de Bush nas eleições presidenciais, John Kerry, também teve a sua quota de deslizes. Numa entrevista ao Boston Globe, no ano passado, o senador defendeu que “não é necessário apenas uma mudança de regime no Iraque, precisamos de uma mudança de regime nos Estados Unidos”, dando a entender, inconscientemente, que desejaria uma revolução no seu próprio país.
Por vezes, Bush baralha-se de tal forma no seu raciocínio, que é impossível decifrar o que pretende dizer. “Assim, no meu Estado da… O Estado da União… Ou o Estado… O meu discurso à nação, ou o que lhe quiserem chamar, eu pedi aos americanos que me dessem quatro mil anos… Quatro mil horas, do resto das suas vidas”, recordou, num discurso em Bridgeport, há cerca de dois anos. Já o pai Bush, em várias ocasiões, permitiu que a boca lhe fugisse para a verdade. “A fluência em inglês é algo de que não me acusam muitas vezes”, garantiu, em 1989. Quanto a John Kerry, não estivesse o público ciente de que se trata de um homem acima de qualquer suspeita, poderia ter considerado hostil uma das promessas feitas durante o seu discurso na Convenção do Partido Democrata: “Redobraremos os esforços para conduzir mais operações terroristas”.
’GAFES’ DEMOLIDORAS
Certas afirmações do actual Presidente norte-americano chegam a ultrapassar a fronteira do ridículo. Tal aconteceu quando, em 2000, na cidade de Saginaw, admitiu que “os seres humanos e os peixes podem coexistir em paz”. No mesmo ano, Bush sublinhou que “as nossas importações cada vez mais vêm do estrangeiro”. A falta de preparação de George W. Bush para falar em público leva-o a lançar dúvidas sobre a sua sexualidade. “Quero agradecer ao meu amigo, o senador Bill Frist, por se juntar a nós. Gostaria que soubessem que ele casou com uma rapariga do Texas. Uma rapariga do Texas ocidental, tal como eu”, afirmou, em Maio deste ano. Já o ex-presidente norte-americano Richard Nixon, convidado para discursar no funeral do antigo estadista francês Charles De Gaulle, não hesitou em sublinhar: “este é um grande dia para a França”.
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