Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
1

Quando o objectivo é liderar

A SIC prepara-se para voos mais altos e Nuno Santos, nas mexidas que fez na programação, não quer seguir o sonho de Ícaro, que ditou o fim de Francisco Penim. Fazer mais com os poucos meios disponíveis é a estratégia actual.
14 de Março de 2008 às 00:00
Há quem diga que, na política, muitas vezes se muda alguma coisa para que tudo fique na mesma. Na televisão sucede a mesma coisa. Até porque os modelos estão tão estereotipados que parecem fotocópias. Umas apenas mais debutadas do que outras.
A transferência de Nuno Santos para a SIC, após a remoção de Francisco Penim, causou as habituais ondas de choque no sector. Por detrás de tudo está apenas um objectivo, feito de dois períodos. O primeiro é retirar a RTP 1 do segundo lugar das audiências e, depois, em segundo lugar, lutar com a TVI pela liderança.
A estratégia actual, já com alguns resultados práticos, é simples: um passo à frente, dois à retaguarda. A SIC reagrupa forças, porque os bolsos não estão cheios para investimentos abastados. O que mudou então nestes meses de novo consulado em Carnaxide? Das manhãs foram riscadas a programação infantil e essa série que sobrevivia como um fantasma, ‘Floribella’.
Para o seu lugar Nuno Santos não teve de gastar um tostão: SIC e SIC Notícias emitem, em simultâneo, um espaço informativo e recupera-se um programa da SIC Mulher, ‘Querido, Mudei a Casa’, uma alavanca para o público que consome ‘Fátima’. Ao final da tarde foi riscado do mapa o inenarrável ‘A Ganhar é que a Gente se Entende’, substituído por uma telenovela brasileira.
E as produções da Globo regressam à noite, encostadas ao programa de humor que surge após o ‘Jornal da Noite’ e aos espaços especiais de informação que ganharam espaço na programação da SIC. É uma forma de, sem grandes investimentos, reordenar uma casa em cacos. Mais lá para a frente, talvez após o Verão, lá chegarão as novas apostas.
Os Gato Fedorento são um trunfo (embora as inúmeras repetições que RTP 1 e SIC estão a passar de antigos formatos dos humoristas estejam a secar o produto) e a eles outros se juntarão. Mas até lá Nuno Santos está a tentar fazer uma omoleta com os ovos disponíveis.
Há uma popularização do canal (onde nem a informação escapa) mas esse é o preço para os mais altos voos com que sonha a direcção da SIC. A RTP está ao alcance. Resta saber o que fará a TVI.
VER NA TV: JORNAL NACIONAL TVI / DIÁRIO / 20H00
Interessante verificar o estilo irreverente de alguns textos do ‘Jornal Nacional’. Na altura em que a SIC se volta para as notícias mais ‘populares’ e a RTP está mais contida, a TVI está a dar um ar diferente. A seguir com atenção.
DESLIGAR: FESTIVAL CANÇÃO RTP 1 / DOM. / 21H30
É um daqueles eventos que ainda existe porque ninguém o informou que já pereceu há muito tempo. Já ninguém, como há umas décadas, liga o mínimo a quem ganha. A RTP acredita que é serviço público. Enfim…
CULTO: 'CANE'
Cuba nos Estados Unidos não se reduz ao calor de Miami. É isso que nos traz ‘Cane’ através, não do negócio de charutos, mas do rum. ‘Cane’ quase poderia ser a versão latina de ‘Dallas’. Afinal, numa das primeiras cenas do primeiro episódio, diz-se algo que marca o ritmo e o ambiente da série: “O açúcar é o novo petróleo.”
Afinal dele pode produzir-se rum, mas também ser uma fonte de combustível. É isso que sabe Joe Samuels e por isso, utilizando todos os estratagemas, quer comprar as plantações de açúcar da família Duque (que produz rum). Mas há um problema: no meio surge Alex Vega (Jimmy Smith de ‘A Balada de Nova Iorque’), filho adoptivo de Pancho Duque e que sabe que Samuels matou a filha daquele.
Mas quando Alex é designado como o chefe da empresa, os filhos legítimos de Pancho viram-se contra Alex. Série agradável, onde poder e sexo se chocam, pode ser uma boa opção de serão.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)