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Correio da Manhã

Tv Media
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QUE DESCANSE EM PAZ...

Sem ‘BB’, o ‘Jornal Nacional seria outro e a novela portuguesa nunca seria o que é hoje
4 de Janeiro de 2004 às 00:00
O programa televisivo mais falado de todos os tempos (em Portugal e não só) já estava morto há alguns meses, é verdade, mas agora está enterrado. Se era preciso mais alguma prova que evidenciasse de forma clara que esta quarta edição do ‘Big Brother’ foi mesmo uma perfeita chatice, pois bem, aqui fica: a final (31 de Dezembro) não conseguiu melhor do que ser o terceiro programa mais visto do dia (10,9 de audiência), atrás de ‘O Preço Certo em Euros’ (11,4, na RTP) e dos ‘Malucos do Riso’ (10,9, na SIC). Em competição directa, no mesmo horário, com os dois programas de fim de ano dos canais concorrentes, o ‘BB’ não conseguiu vencer aos pontos e houve mesmo longos momentos em que, na estação de Carnaxide, Boas Entradas (com Herman José) suplantou tranquilamente as emoções (?) finais da Venda do Pinheiro. Não me surpreende, confesso. Por duas razões. 1ª: O ‘Big Brother’ só podia ter o desfecho correspondente aos sucessivos erros de 'casting' e desespero que ali se acumulou durante quatro meses. 2ª Herman José esteve ao seu melhor nível num plano de criação que, em Portugal, continua a não ter paralelo.
A única nota positiva para o último ‘Big Brother’ da história da TVI foi mesmo Teresa Guilherme. A apresentadora, que chegou praticamente a confessar algum desconforto com o rumo que o programa seguiu, não deu uma única oportunidade para que o seu alto (altíssimo!) profissionalismo pudesse ser posto em causa. Esteve, sempre, igual a si própria e não foi o desencanto sentido pelo ‘big flop’ que a fez manchar a alta performance que registou entre 4 de Setembro de 2000 e 31 de Dezembro de 2003 à frente do programa sobre o qual toneladas de páginas se escreveram em Portugal. Teresa trabalhou sempre a alta rotação, cumpriu com o que se exige à apresentadora de um programa destes (arranjou mais uns namoricos, lembram-se?) e deixou a certeza de que, neste país, só ela pode apresentar com sucesso um formato desta natureza. Em linguagem futebolística, era a única que não merecia perder …
O final definitivo do ‘Big Brother’ também não deixa de ser um interessante desafio para a estação que o emitiu – com grandes proveitos – durante três anos. O programa pôs a TVI nas bocas de Portugal e serviu para José Eduardo Moniz ter mesmo ensaiado vários ataques à hegemonia das audiências. Não conseguiu a liderança, mas mesmo assim voltou a ganhar – nas contas finais de 2003 – o desejado horário nobre. Sem ‘BB’, o ‘Jornal Nacional’ seria outro, a novela portuguesa nunca seria o que é hoje e a própria TVI não teria na Imprensa um terço do espaço que agora ocupa. O ‘Big Brother’ foi um golpe de mestre. Mas acabou.
A primeira coisa que fiz quando, na madrugada da última quinta-feira, Teresa Guilherme deu por concluída a quarta edição do ‘Big Brother’ foi pegar no telefone e ligar para os senhores da TV Cabo: "Boa noite, bom ano. Importam-se de fazer o favor de me desactivar imediatamente o Canal 43. Obrigado!" Desculpe, sogrinha, mas aquilo já lá não estava a fazer nada…
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