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QUEM NÃO SABE PORTUGUÊS DIZ ADEUS AO CONCURSO

São estrangeiros a viver em Portugal. ‘Arranham’ mais ou menos o português, mas não o suficiente para serem um ‘ídolo’. A segunda edição do concurso arranca já na próxima sexta-feira na SIC. Mais de três mil candidatos procuraram a glória…
28 de Agosto de 2004 às 00:00
Luís Ortega, de 25 anos, era actor de teatro e monitor de ginástica na Venezuela, país onde nasceu. Há nove meses veio para Portugal. Mora em Queluz e trabalha como vendedor numa loja. Teve o sonho de poder ser um dos finalistas da segunda edição do concurso ‘Ídolos’ (SIC), mas a sua pronúncia gorou-lhe as expectativas logo no primeiro ‘casting’ frente a Luís Jardim, Sofia Morais, Ramón Galarza e Manuel Moura dos Santos.
“Falo mais ou menos o português, mas não tão bem para poder ficar no programa”, conta à Correio TV o jovem venezuelano. Luís Ortega concorreu porque, como cantou em coros na Venezuela, achou que tinha algumas possibilidades.
“Sentia que tinha condições para entrar no programa, mas antes de ir para o ‘casting’ não me disseram que era basicamente para gente que falava excelente português. Tinha a ideia de que era um concurso para portugueses e eu tenho a nacionalidade portuguesa. O problema é que a minha pronúncia não é perfeita”, diz o ex-concorrente de ‘Ídolos’.
O jovem natural da Venezuela cantou uma canção do Alexandre Pires (artista brasileiro), ‘Você Roubou a Minha Vida’, e outra de Robin Williams, ‘Feel’. “O senhor Jardim, de quem todo o mundo tem medo, tratou-me até muito bem e acho que até gostou da minha voz. Mas disseram-me que o meu problema era a pronúncia do português. Por outro lado, para nós que falamos castelhano, também não é fácil falar inglês. Disseram também que a voz era excelente, muito melódica, muito apaixonante, e que tinha uma excelente imagem, mas não era o que eles precisavam”, acrescenta Luís Ortega.
Dos elementos do júri, o candidato a ‘ídolo’ apenas se queixa de Manuel Moura dos Santos. “Ele fez uma brincadeira comigo a propósito de eu não ser português, tentou confundir-me, mas não entrei no jogo dele”, conta à nossa reportagem.
MODINHA CHINESA
Ortega não foi o único. Leticia Vai Yan Fung nasceu na China há 24 anos. Chegou a Portugal com apenas dez anos, mas mesmo assim não ainda não domina bem a nossa língua. Actualmente trabalha num restaurante no centro de Portimão, onde vive, mas em Outubro vai estudar a língua de Camões.
Questionada sobre as razões que a levaram a participar no ‘Ídolos’, Letícia recorda a primeira edição do concurso. “No ano passado vi o programa na televisão, achei que podia ser muito divertido e decidi tentar. Achei que ia ser uma experiência muito especial, uma coisa única e que ia gostar de estar com pessoas que gostam de música. E também porque gosto de cantar, é uma coisa que estou sempre a fazer, em casa, no carro”, diz a jovem chinesa.
“Cantei ‘Material Girl’, de Madonna, e depois também cantei em chinês porque me pediram. Em português é que foi um pouco mais difícil. Cantei ‘Tudo Vai Mudar’ das Nonstop, mas com essa canção fui mesmo muito mal. Antes de ir ao concurso cantei em casa, mas em frente do júri não sei o que aconteceu. Acho que fiquei nervosa”, diz Leticia um pouco desiludida, já que, apesar das suas limitações, esperava ir um pouco mais longe.
Mesmo assim, a jovem gostou da experiência e elogiou os elementos do júri: “Disseram que eu sou muito simpática mas que não consigo cantar. Foram todos muito simpáticos”, revela Yan Fung, que acrescenta que “voltaria a participar”. Na próxima sexta-feira, no primeiro programa, poderemos ver a sua actuação…
ELE ESTÁ DE VOLTA!
Chama-se Rui Pedro Antunes, mas ficou carinhosamente conhecido como um dos principais ‘cromos’ da primeira edição do concurso ‘Idolos’. No final do seu ‘casting’, e depois de ter sido rejeitado pelo júri, Rui Pedro irrompeu pela sala, de novo, e de lágrimas nos olhos, e disparou: “Por que é que estão a fazer isto comigo?”. A frase ficou célebre e o momento entrou para o ‘best of’ do concurso. O candidato a cantor não desistiu e um ano depois voltou a concorrer.
Entre o Verão do ano passado e o deste ano, Rui Pedro estudou canto. Mas de pouco lhe valeu. Confiante, cantou a plenos pulmões ‘I Love Rock and Roll’, música tornada célebre por Joan Jett & Blackhearts. Mas apesar de todo o empenho (que se ouvia, aliás, pelos corredores do Corinthia Alfa Hotel, onde decorreram os ensaios…), os jurados não se comoveram e voltaram a travar a sua caminhada rumo à glória. Rui Pedro nem quis acreditar: “Vocês não podem fazer isto comigo outra vez!” E lá saiu desesperado do hotel, perante o olhar desolado da mãe e a persistência das câmaras.
O resultado desta curta e hilariante participação poderá ser vista pelos espectadores portugueses, ainda no decorrer de Setembro, num dos primeiros programas da segunda edição. A não perder!
COMO VAI SER?
Quem vai ser o sucessor de Nuno Norte? A segunda edição do programa revelação de 2003 arranca já na próxima sexta-feira, na SIC, com a reportagem das primeiras audições do júri, realizadas em Lisboa e no Porto.
Ao todo, apareceram nos ‘casting’ 3.200 pessoas, mas cerca de 2.100 foram eliminadas logo na pré-selecção, nem sequer se apresentando perante Luís Jardim, Manuel Moura dos Santos, Ramon Galarza e Sofia Morais, o temido júri do concurso de talentos musicais.
Nos primeiros programas, ao longo de Setembro, o público vai assistir aos primeiros valores e às primeiras ‘canas rachadas’, os verdadeiros cromos que fazem as delícias das audiências. A frase “Encontramo-nos no Tivoli”, sinal de que foram seleccionados para a segunda etapa, foi ouvida por 100 concorrentes.
Para a terceira fase, a do piano, foram apurados 24 concorrentes, de onde saiu o lote de dez finalistas que vão participar nas galas semanais. Desses, apenas um será vencedor. E são os portugueses quem terão a palavra final, votando semanalmente.
“OS 'CROMOS' CONTINUAM”
Sílvia Alberto está confiante no sucesso da segunda edição de ‘Ídolos’. A qualidade dos concorrentes é superior, o programa tem mais ritmo e os ‘cromos’ continuam a surpreender. Por isso, a apresentadora garante que “isto não será mais do mesmo”…
A uma semana do início da segunda edição de ‘Ídolos’, o que espera do concurso revelação do ano passado?
Espero muito mais do que no ano passado. Agora as pessoas já conhecem o formato, o programa já se tornou mais familiar. Do que pude presenciar, temos ‘castings’ muito divertidos, com um nível de qualidade muito bom. Aliás, se a qualidade não é superior, é pelo menos idêntica.
De qualquer forma, neste tipo de programas, a primeira edição é a que causa um maior impacto, as edições que se seguem são sempre menos conseguidas...
Há uma coisa importante: o ‘Ídolos’ não é, de forma alguma, uma galeria de iguais. A primeira série foi obviamente de grande expectativa, por causa do efeito novidade. De qualquer forma, como disse há pouco, uma segunda série é mais familiar, porque o público já vai ligar sabendo o que pode encontrar.
Mas não é mais do mesmo?
Não, não é. Para já porque cada pessoa é diferente e, portanto, nada será igual. Há emoções novas, porque há outras situações, que motivam reacções diferentes, quer dos concorrentes, quer do júri. Além disso, o programa apresenta algumas novidades, nomeadamente ao nível do ritmo e montagem. Está muito mais rápido. O programa não pára para respirar e isso é muito estimulante e até contagiante para os espectadores.
Na primeira série, a Sílvia e o Pedro Granger formaram uma dupla segura e que conquistou as audiências. O regresso do Granger foi importante?
Em equipa vencedora não se mexe. Eu sinto que somos uma equipa. Mas não estamos sozinhos. Os apresentadores, o núcleo de jurados, os técnicos e a produção foram uma equipa forte, que foi capaz de se emocionar no ano passado, no final do programa. Aliás, penso mesmo que uma segunda edição sem esta equipa não faria sentido.
No ano passado, os chamados ‘cromos’ foram muito importante para captar audiência. E eles resultaram pelo efeito novidade. Não teme que, este ano, se perca essa surpresa?
(risos) Eu acho que é prudente que ninguém subestime os ‘cromos’ deste ano. Eles vão continuar. As pessoas vão encontrar nesta segunda edição do ‘Ídolos’ cenas ainda mais caricatas. Portanto, é bom que as pessoas não pensem que já viram tudo. Não devem subestimar o desconhecimento que as pessoas têm das suas incapacidades vocais.
Por que diz isso?
Porque há muita gente iludida quanto ao seu valor. E isso está muito patente nos ‘castings’ e as pessoas vão ver logo nas primeiras semanas. Portanto, volta a haver muita gente a perseguir um sonho, mas pelo caminho errado.
De qualquer forma, há concorrentes que foram rejeitados no ano passado e que voltaram desta vez a tentar a sua sorte…
Sim, é verdade e é por isso que lhe falo em algumas surpresas. Há situações muito engraçadas. Houve gente que eu pensei que pudessem ser ‘cromo’ e que acabaram por se revelar surpreendentes. Além disso, houve quem aproveitasse este ano que passou para lutar, para trabalhar, para tentar evoluir.
No ano passado, houve quem criticasse a rispidez e até alguma alegada má-educação por parte dos jurados. Não teme que isso possa voltar a acontecer e afectar a imagem do programa?
Não, penso que não. Eu acho que os jurados acabaram por conquistar o público português. É verdade que são ríspidos, mas são também muito caricatos, muito foliões e bem-dispostos. E, depois, têm uma exacta noção dos objectivos do programa. Tenho a certeza que o público percebe que o júri está ali a cumprir o seu papel e tem um grande rigor na análise dos concorrentes.
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