Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
2

Queria fazer um filme em Hollywood

A Lara de ‘Deixa-me Amar’ é o primeiro papel de Paula Lobo Antunes como protagonista em TV. A actriz, filha do neurocirurgião João Lobo Antunes e sobrinha do escritor António Lobo Antunes, nasceu em Nova Iorque, tem 31 anos e licenciou-se em Biologia Médica. Estudou Teatro em Londres, onde viveu 12 anos. Desportista nata, já praticava kickboxing. Gostava de trabalhar em Hollywood.
14 de Setembro de 2007 às 00:00
- Pode definir a Lara?
- A Lara é uma órfã, foi abandonada e cresceu em Alfama. Foi acolhida pela Conceição (Delfina Cruz), que é a sua mãe ‘adoptiva’. Ela chama-se Lara Guerra e é mesmo uma guerreira! Aliás, o nome artístico da Lara como kickboxer é ‘A Guerreira’.
- Quando não está muito satisfeita, a Lara começa ao soco?
- Sim, ela está sempre à luta! Sempre a querer justiça. É uma pessoa honesta e procura a verdade. Como sofreu muito na vida, não tinha dinheiro nem alcançou grande nível académico, luta para ter sucesso na vida, neste caso no kickboxing. Aliás, ela diz isso a Martim (Paulo Pires), logo no primeiro episódio: “Eu posso não ser a pessoa mais inteligente do mundo, mas sou trabalhadora, honesta e aprendo depressa”. Isso define-a muito bem.
- Ela vai balançar em relação ao que sente pelo Chico, depois de conhecer o Martim?
- A relação com o Chico (Joaquim Horta) já existe há muito anos e a Lara vê-o como irmão, porque ele é o filho da sua mãe ‘adoptiva’. É irmão, namorado, treinador, é um bocadinho de tudo... E chega a um ponto em que a relação de ambos é mais uma habituação. Ela gosta do Chico, foi o seu único namorado e, quando conhece o Martim, acontece-lhe algo de novo, que é apaixonar-se. Acho que é paixão à primeira vista. Mas, até ela ter mesmo a certeza, vai continuar com o Chico, porque a Lara é uma mulher de princípios. O Martim é como se fosse uma coisa inatingível, de um meio social diferente, é o patrão!
- A Lara vai ajudar o Martim a zelar pelas crianças órfãs?
- O cargo da Lara é ser assistente do Martim, tanto a nível pessoal como na empresa. Ela tenta que o Martim não desista de ficar com as crianças órfãs, porque ela própria foi abandonada e sabe o sofrimento que isso traz. Então, começam a interessar-se um pelo outro e percebem não ser assim tão opostos. Com as crianças, vão encontrar um interesse em comum.
- Como se preparou para interpretar uma kickboxer?
- Eu já combatia. Só tive de treinar mais um pouco.
- Tem como treinadora uma campeã?
- Sim. É a Dina Pedro, que foi campeã do Mundo cinco vezes. E a primeira vez que a conheci, até perguntei: “Posso tocar?” Fiquei tão humilde... e ela também é uma pessoa tão humilde e generosa, que não podia ter pedido ninguém melhor para trabalhar comigo! Como a Lara é kickboxer, eu pergunto muitas coisas à Dina e ela, como atleta profissional, ajuda-me, não só nos treinos, mas na construção da própria personagem. Tem sido uma inspiração trabalhar com a Dina!
- Era condição essencial que a protagonista fosse desportista?
- Quando fui fazer o casting, um pouco ‘de pára-quedas’, nem sabia para que tipo de personagem era. Mas, na descrição da Lara, dizia, em baixo, que a actriz teria de praticar kickboxing. Não disse nada a ninguém, mas tinha escondido ‘na manga’ o facto de já combater. Só o revelei quando fiquei com o papel.
- A responsabilidade da personagem é acrescida por fazer de campeã?
- Ela ainda não é campeã. A Lara joga e quer ser campeã, mas ainda é só um objectivo.
- A Lara liga pouco à sua imagem. A paixão pelo Martim torna-a mais feminina?
- Ela já o é. Mas também é muito prática e preocupa-se pouco com o seu exterior. É capaz de vestir qualquer coisa só porque é confortável e porque dá jeito, vai para a rua de totós, sem ligar ao cabelo e sem maquilhagem. Mas a vizinha, que é modelo, a Isabel (São José Correia), dá-lhe muitos conselhos e ajuda-a a melhorar na sua imagem depois de a Lara começar a trabalhar com o Martim.
- Uma kickboxer pode ser feminina e sensual?
- A maior parte das kickboxers que eu conheço são muito femininas, muito cor-de-rosa. A minha protecção de dentes é cor-de-rosa, as minhas ligaduras também. Mesmo nos combates, as mulheres têm de ter um penteado bonito, uns calções bonitos, têm de pôr óleo nas pernas. Há um grande cuidado com a imagem.
- Sempre praticou desporto?
- Sim, desde pequenina. Sempre tive jeito para desporto. Fui federada em voleibol e competi na Escócia a nível profissional com a universidade. Já fiz basquetebol, bodyboard, surf e outros desportos.
- E obteve algum título?
- A nível escolar, sim. Fomos jogar para Madrid, num campeonato de voleibol, e recebi uma medalha de melhor jogadora, tinha 17 ou 18 anos.
- Continuaria a praticar kickboxing?
- Sim, quero continuar a praticar, porque é um desporto muito completo, que ajuda a manter a forma, ajuda na coordenação e no equilíbrio, é uma descompressão estar a bater e também é uma preparação mental, porque, apesar de ser um desporto de contacto, não é só andar ali à porrada... Tem muito a ver com criatividade e com entender o adversário, em termos psicológicos. Só experimentando se pode entender como é estar em cima do ringue com outra pessoa.
- Já conhecia o Paulo Pires?
- Vi-o algumas vezes, mas só dizíamos ‘olá’. Este é o nosso primeiro trabalho juntos.
- As gravações de ‘Fala-me de Amor’ decorrem em Alfama. Gosta do bairro, do fado e das marchas populares? Não tem pena que não haja fado na história, pelo menos para já?
- Adoro Alfama. Já tinha ido a casas de fado, via as marchas em pequena. Não sei se tenho pena de não haver fado. Acho que não tem de haver, obrigatoriamente. Mas há música. O António Pedro Cerdeira toca saxofone, mas fado, não.
- Paula formou-se em Biologia Médica e estudou representação em Londres. Decidiu ser actriz. Como se deu esse percurso?
- Já não penso em termos de ser bióloga. Tenho a minha formação como actriz, estudei em Londres, na ArtsED Acting School of London, durante três anos, e quero continuar a exercer esta profissão. Se calhar, a licenciatura como bióloga ajudou-me no sentido em que tenho um método de trabalho cuidado, uma estrutura muito académica quando estudo as cenas.
- Quando foi a sua estreia como actriz?
- Foi em 2001, em Inglaterra, numa peça de teatro do Lorca, em Londres, onde eu era a Yerma, dois meses depois de acabar o curso de teatro.
- E em televisão?
- Foi na RTP, na série ‘João Semana’.
- A Paula nasceu nos Estados Unidos e viveu lá algum tempo. Agrada-lhe mais viver em Portugal?
- Acho que não é a questão de me agradar ou não. Estou mais habituada a viver fora do que em Portugal. Já não vivia cá desde os 18 anos e passei 12 anos em Londres. Noto grandes diferenças entre esses países e Portugal, mas gosto de viver e trabalhar cá. O que se passa é que me agrada viajar e não estar parada no mesmo sítio durante muito tempo. Vivo onde tenho trabalhos que me interessem.
- Para si, existe a palavra saudade?
- Sim. Quando estou longe, tenho saudades da minha família e das praias. Não consigo viver sem o mar.
- O facto de pertencer a uma família de personalidades de renome abriu-lhe algumas portas na carreira?
- Acho que o meu sucesso tem a ver comigo, com o meu talento. Se o meu nome de família influenciou, não sei. É algo que não avalio e a que não dou importância.
- Já usou artisticamente outro apelido?
- Sim, uso também o nome Plantier (apelido da mãe, Ana Maria Plantier). Em Inglaterra, estou registada como actriz como Paula Plantier. Em Portugal, não sei porquê, fiquei conhecida como Paula Lobo Antunes. E orgulho-me muito do nome da minha família. Mas também me orgulharia se viesse de outra qualquer família.
- Os seus pais são seus espectadores assíduos?
- São. Principalmente a minha mãe. E são também meus críticos. Sempre me apoiaram e são muito honestos comigo. Dizem-me as verdades, sem pintar nada ‘cor-de-rosa’, por isso, posso confiar mesmo no que me dizem.
- O que gostaria de fazer na sua carreira que ainda não tivesse feito?
- Gostava de ter uma carreira mais internacional, de fazer um filme em Hollywood.
- Quem sabe um ‘Million Dollar Baby’?
- Sim, quem sabe, o ‘Million Dollar Baby’ - Parte 2 (
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)