"Dobreviecer, daragie radio-sluchetilie. Vefierie pragrama Raduga" ("Boa noite, caros ouvintes. Bem vindos ao programa 'Raduga' ['Arco-Íris'])". Há já mais de um ano que os ouvintes da Rádio Pal, residentes nos arredores de Palmela, se habituaram a ouvir estas palavras em russo, como introdução ao programa 'Raduga'.
Direccionada para a comunidade de imigrantes da Europa de Leste, esta emissão radiofónica, no ar todos os sábados à tarde, pretende, segundo as palavras do seu coordenador, "trazer notícias de casa, a quem está longe dela".
Falar do 'Raduga' é, segundo Vladimir Rechetilov, falar de uma conjugação de esforços que teve início em Agosto de 2002. "A ideia para o nascimento do programa surgiu de uma jornalista 'freelancer' de Palmela, que estudou jornalismo na Rússia. Ela precisava de um jornalista que tivesse o russo como língua mãe, e eu mostrei-me interessado em participar. A ideia era reunir ucranianos, russos, moldavos, romenos e cidadãos de outras nacionalidades, em torno de um projecto comum. O elo de ligação seria o idioma russo, conhecido de muita gente", explicou o jornalista.
O surgimento de um patrocínio por parte de uma instituição bancária tornou possível o início das emissões. "O único horário disponível na altura era entre as sete e as oito da noite de sábado, o mesmo que ainda mantemos hoje", acrescentou.
BOAS CONDIÇÕES
As boas condições proporcionadas pelo estúdio da Rádio Pal, situado no cimo de uma colina, davam ao programa boas perspectivas de implantação. "A rádio não é só ouvida na zona de Palmela, mas também na cidade de Lisboa, e ainda em diversas zonas do Alentejo", resumiu Vladimir Rechetilov.
As linhas-mestras do programa, dar notícias e informações úteis, e divertir com música os ouvintes vindos da Europa de Leste, começaram a ser implantadas, e nem mesmo a ruptura de contrato do patrocinador inicial, e a saída de um dos locutores, impediram Vladimir de continuar com o projecto. "Acabámos por conseguir outro apoio financeiro, e a emissão continuou, só comigo", salientou.
A ideia de "serviço público" que presidiu à fundação do programa, levou Vladimir a transmitir, em directo, os seus próprios contactos pessoais."A vida de imigrante é complicada e os problemas são muitos", referiu, exemplificando que as principais dúvidas residem, na maior parte das vezes, na nova lei de imigração.
No entanto, em vez de falar de coisas tristes, o que Vladimir quer é dar alegria às pessoas, com a música a ter papel fundamental. "O que os ouvintes querem é sorrir", concluiu.
'ELE É UM ÓPTIMO CONSELHEIRO'
"Este foi um programa que nós aceitámos com agrado logo desde a fase de projecto, já que entre a nossa audiência estão implantadas grandes comunidades de imigrantes de Leste". Quem o afirma é a directora de programas da Rádio Pal, Helena Almeida, que já se assumiu como fã do 'Raduga'.
"Apesar de haver mais cerca de 15 rádios que, em Portugal, têm tempo de emissão dedicado aos naturais da Europa de Leste, o programa do Vladimir Rechetilov tem características que chegam a prender famílias inteiras à rádio, e com isso conseguir um bom nível de retorno", refere a responsável pela estação emissora de Palmela.
Todos os sábados, das sete às oito da noite, Vladimir abre a linha telefónica à intervenção dos ouvintes, "que podem pedir discos, emitir opiniões, fazer de tudo". No entanto, explica Helena Almeida, a principal razão que atrai os ouvintes ao 'Raduga' é a "capacidade de comunicação do seu animador e realizador".
"Ele é um óptimo conselheiro. Há muita gente a ligar para saber como se pode legalizar, como funciona a estrutura administrativa portuguesa, diferente das outras, e como ter acesso a ela, e ainda como enviar os filhos para a escola. E ele responde a todas as questões", aponta.
Porém, a "maior particularidade do 'Raduga' até nem reside aí", refere Helena Almeida. "A qualidade da música russa, até agora desconhecida, prende muitos portugueses à rádio durante a transmissão do programa. Apesar de não perceberem o que é dito, contentam-se com a vertente de entretenimento", conclui.
Vladimir Rechetilov nasceu no Norte da ex-União Soviética, há 61 anos. Filho de um militar e de uma doméstica, fixa-se, desde jovem, em Moscovo, onde se forma em Línguas. No entanto, a paixão pelo jornalismo leva-o a seguir outros caminhos.
No princípio da década de 80 do século passado vai para os Estados Unidos, assumindo funções em Nova Iorque como correspondente da agência de notícias Tass. Em 1988, Vladimir muda-se, com a família, para Lisboa, trabalhando para a mesma agência noticiosa.
O desmembramento da União Soviética obriga o jornalista a mudar de vida. Convidado pela Universidade Católica de Lisboa, Vladimir torna-se professor de Língua e Cultura Russa, cargo que ocupa durante cinco anos. Após um breve período a leccionar na Escola Superior de Jornalismo do Porto, assume-se definitivamente como jornalista-freelancer. Vive actualmente com a mulher, em Cascais.
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