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Correio da Manhã

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'RANGEL FOI POPULISTA'

Francisco Pinto Balsemão, o ‘patrão’ do grupo Impresa, que detém a SIC e o ‘Expresso’ entre outras empresas de media, teceu ontem críticas a todos os empresários que se “gabam” de despedir funcionários, mostrou-se “orgulhoso” pelo facto de o caso Casa Pia ter sido avançado pelos “seus” media e voltou a falar da saída de Emídio Rangel da SIC com palavras menos elogiosas.
12 de Maio de 2003 às 00:00
“Ele [Emídio Rangel] realmente não foi capaz de encontrar soluções – e essa era a obrigação dele – e acho que depois houve ali uma parte populista que, comigo, não funciona. Essa parte populista, de plenários, etc., ditou a necessidade de mudarmos de director de Programas e Informação”, fez questão de dizer Pinto Balsemão, em entrevista ontem ao programa “Diga lá, Excelência” da Rádio Renascença.
Em relação ao orgulho pelo pioneirismo da SIC e do ‘Expresso’ no descobrimento do caso Casa Pia, Balsemão admitiu alguns “exageros”, sobretudo na emissão de certas imagens, revelando que deu ordens claras para “parar com isso”.
Saltando dos media para a Justiça, Balsemão falou na necessidade de “mudar ainda muita coisa” nessa área e atacou os juízes. “Para mudar a Justiça é preciso que sejam os juízes a querer e não se vê que isso aconteça”, disse.
Balsemão elogiou o actual procurador-geral da República, Souto Moura, e deixou algumas críticas ao seu antecessor, Cunha Rodrigues: “Eu acho que com o actual procurador-geral se tem avançado mais e depressa do que anteriormente na Justiça portuguesa”, referiu, escusando-se contudo a afirmar que o antigo procurador “entravava” os processos: “Era apenas mais lento”.
Balsemão falou ainda do caso Moderna e da forma como tem afectado Paulo Portas no Governo: “Ao primeiro-ministro convém que o líder do outro partido [do PP] esteja enfraquecido. Esteja numa situação que não será enfraquecida, mas pelo menos de algum controlo da sua habitual incontinência”.
O papel que Mário Soares vem desempenhando nas últimas semanas em relação às eleições presidenciais levou Balsemão a falar num “mestre da política”. “Ele é que diz quem é presidenciável ou não, seja de que sector for. E isso é uma coisa notável”.
Curiosas também as palavras com que o fundador do PSD define o nosso país. “Portugal é o país da lamúria e da impunidade. Estas duas palavras marcam-nos de uma maneira terrível”, diz, sublinhando que fica irritado sempre que vê empresários a “gabarem-se de ter despedido pessoas”.
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