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Correio da Manhã

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Raul Cortez cremado ontem em São Paulo

O corpo do actor Raul Cortez, de 73 anos, foi cremado ontem no final da tarde em São Paulo, onde morreu às 20h15 de terça-feira (00h15 de quarta em Lisboa), vítima de cancro. O actor, descrito ontem, entre outras coisas, como um provocador que desafiava com a inteligência do público e depois o seduzia com a maestria do seu talento, estava internado num hospital da cidade desde 30 de Junho.
20 de Julho de 2006 às 00:00
Longas filas de fãs, colegas e amigos estenderam-se ao redor do Teatro Municipal de São Paulo, onde decorreu, ontem, o velório. Na última despedida, porém, eles não puderam ver o corpo do actor que, vaidoso, pediu à família que o caixão não fosse aberto, para que os fãs não o vissem debilitado pela doença. As suas cinzas, também a seu pedido, serão espalhadas pelo arvoredo de uma casa de campo que tinha em Porto Feliz, a 112 km da capital paulista. Um outro pedido, o de ser cremado com um fato feito pelo estilista e grande amigo Ricardo Almeida, também foi cumprido.
Dono de uma das mais sólidas carreiras do teatro, TV e cinema, Raul Cortez teve de enfrentar a família, que o queria advogado, para se tornar actor aos 22 anos. Desde aí, foram 17 novelas e minisséries, mais de 60 peças de teatro e 30 filmes. Nesses trabalhos, gerou escândalo e emocionou, como, por exemplo, em “Senhora do Destino’, novela na qual se sentiu mal e descobriu que tinha um cancro no pâncreas, deixando a trama antes do final para ser operado. Parecia curado, mas um outro cancro apareceu agora e matou-o.
Apesar de ter apoiado o rival, José Serra, na disputa da presidência contra Lula, Cortez tinha no actual chefe de estado brasileiro um fã confesso. Lula lamentou a morte do actor e Lima Duarte, outra figura dos palcos e novelas, diz que, “com Raul morre, além de mil personagens inesquecíveis, uma página bonita e sensível do teatro”, enquanto Fernanda Montenegro declarou: “Não há peça de reposição para um actor com tamanha inquietação criativa.”
PERFIL
Nasceu a 28 de Agosto de 1932 na zona sul da cidade de São Paulo, local onde sempre morou. Na privacidade, Raul Cortez era um homem tranquilo, quase tímido, que adorava e era adorado pela família. Raul deixa duas filhas: Lígia, fruto da relação com a actriz Célia Helena, companheira de décadas nos palcos e na vida, que faleceu em 1997, e Maria, que teve com a promotora de eventos Tânia Caldas. O actor tinha também duas netas, Vitória e Clara, ambas filhas de Lígia.
ALGUNS TRABALHOS DE MAIOR SUCESSO
NOVELAS
Novelas
1980 - ‘Água viva’
1981 - ‘Baila comigo’
1987 - 'Partido alto’
1987 - ‘Brega e chique’
1988 - ‘Mandala’
1990 - ‘Rainha da sucata’
1996 - ‘O rei do gado’
1999 - 'Terra nostra’
2002 - ‘Esperança’
2005 - ‘Senhora do Destino’
TEATRO
1954 - ‘Eurídice’ (sua primeira peça, perdeu a voz na estreia)
1963 - ‘Pierma’
1964 - ‘Vereda da Salvação’
1964 - ‘Pequenos Burgueses’ (rendeu-lhe os dois mais importantes prémios da época)
1968 - ‘Os Monstros’
1970 - ‘Rapazes da banda’ (actuou vestido de mulher)
1985 - ‘América’
1986 - ‘A Hora e a vez’
1987 - ‘Lobo de Rayban’
1999 - ‘Um certo olhar’
2000 - ‘Rei Lear’
Outros trabalhos de destaque no teatro foram ‘Drácula’, ‘Balcão’, onde ficou completamente nu, ‘Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá’, onde se travestia para falar de homossexualidade.
CINEMA
1957 - ‘O pão que o diabo amassou’
1991 - ‘A grande Arte’
2001 - ‘Lavoura arcaica’
2004 - ‘O outro lado da rua’
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