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Correio da Manhã

Tv Media
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“Reconhecimento é como uma droga dura porque nunca é suficiente”

O actor é uma das estrelas da nova novela da TVI que, garante, vai lutar para voltar a dar à estação a liderança nas audiências.
30 de Novembro de 2012 às 15:00
O actor Pedro Lima
O actor Pedro Lima FOTO: Jorge Paula

Já grava ‘De Mulher Para Mulher’, a nova novela da TVI, onde interpreta Eduardo. Em que consiste esta personagem?

É um antagonista. Não será uma personagem simpática, mas é fundamental para criar obstáculos aos heróis. É um homem sem princípios, abandonado pela mãe, que não investe muito nas relações amorosas.

A novela terá mais de vinte grandes estrelas da TVI. Como se sente por fazer parte deste ‘plantel’ de luxo?

Sinto-me honrado. Interpreto-o como uma forma de valorização e respeito. Não gosto de me considerar uma estrela, mas sim uma peça importante numa máquina que precisa de várias peças para se afirmar.

Esta novela pode recuperar a liderança da TVI na ficção?

Sim. É uma aposta da estação em recuperar as audiências que foram postas em causa pela boa novela da SIC [‘Dancin’ Days’]. Trabalhamos com o objectivo de ultrapassar e estar à frente dos nossos adversários.

Porque é que a TVI perdeu essa liderança?

Por mérito da concorrência. Mas isso só pode constituir motivação para nos superarmos.

Entretanto, está no ar em ‘Doce Tentação’. Não receia desgastar a imagem?

Não faço gestão de carreira dessa forma. Sou um actor com vínculo de exclusividade e, por norma, estou disponível para responder às solicitações da TVI. Nunca aconteceu ser desafiado para um projecto e pôr em causa a participação.

Que balanço faz de ‘Doce Tentação’?

Foi um projecto arriscado, que tentava explorar terrenos nunca abordados na ficção. Não foi um êxito estrondoso…

A princípio, a novela fez algum sucesso, só depois é que perdeu força…

O modelo de exploração que se escolheu criou algumas expectativas, mas depois não houve continuidade. A TVI, com certeza, aprendeu com os erros e vai corrigi-los no futuro.

Ser exibida à meia-noite não ajuda...

É exibida a essa hora devido aos resultados insatisfatórios. Não devemos justificar a falta de êxito por ser emitida tarde, mas o contrário.


Ao longo destes anos, não recebeu propostas de outros canais?

Sim, houve disputa…

Nunca ponderou aceitar?

Claro. Mas a TVI teve uma resposta adequada à situação.

Fala-se no fim das exclusividades. Não receia ficar sem trabalho?

Ainda tenho um ano e meio de contrato. Mas não me preocupa. Quando escolhi este modo de vida, nunca parti do princípio de que o actor fosse sustentado por contratos de exclusividade e uma vida sossegada.

Sente-se um privilegiado?

Sim. Mas nunca obriguei ninguém a contratar-me. Não sou um protegido de ninguém.

Vê-se a fazer outra coisa?

Com certeza. Algo ligado ao desporto, ser professor, varredor de ruas… não tenho preconceitos em relação ao trabalho, é a única maneira digna de ganhar a vida, sustentar a família e até os vícios e luxos.

Tem muitos vícios e luxos?

Ter quatro filhos é um luxo. E faço surf, que implica muito investimento.

Que valores tenta incutir aos seus filhos?

Liberdade, responsabilidade e solidariedade. São os três pilares da educação. E tento cativá-los para a cultura, a vida ao ar livre e o desporto.

Os seus filhos costumam ver o seu trabalho?

Não consumimos muita TV em casa e, à hora das novelas, eles estão deitados. Às vezes, nas férias, vêem, mas não fazem observações. Sabem que o pai é actor mas o consumo do que faço não é frequente.


Qual a personagem mais marcante que já interpretou?

Tristão do ‘Espírito Indomável’. Ainda oiço as pessoas falarem dele. Foi a primeira vez que, em novela, me foi dada oportunidade de compor a personagem.

Esse trabalho dá-lhe tanto prazer quanto o reconhecimento que traz?

O reconhecimento não é um factor que procure. Dou o melhor de mim em cada trabalho sem esperar nada em troca. Costumo dizer que o reconhecimento é como uma droga dura porque nunca é suficiente.

O que de mais importante aprendeu enquanto actor?

Esta é uma actividade privilegiada, porque somos obrigados a ter diferentes perspectivas da vida. Quando isso acontece, a capacidade de tolerância aumenta e relativizamos mais os acontecimentos da vida.

Qual é a sua mais-valia enquanto actor?

A disponibilidade. E tenho mais tendência para olhar para as virtudes do que para as imperfeições. E gosto de desafios difíceis. Ainda tenho muita disponibilidade física, que muitas vezes não é aproveitada. Há actores que têm múltiplos talentos, as produtoras sabem, mas os autores não exploram. Há muito talento desperdiçado.

Costuma viajar?

Este ano consegui! Fui à Indonésia fazer surf. Foi o concretizar de um sonho.

Continua ligado a Angola?

Sim. É o meu berço. Tenho lá muitos amigos e sinto sempre alguma nostalgia em poder regressar lá.

PERFIL

Pedro Lima nasceu em Luanda, Angola, em 1971 (41 anos). Foi atleta de natação e modelo. Em 1997, integrou a sua primeira novela, ‘A Grande Aposta’ (RTP). Desde então, entrou em mais de duas dezenas de produções.

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