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Correio da Manhã

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REGRESSO AO PARQUE JURÁSSICO

Em breve, a ideia do famoso filme de Spielberg pode tornar-se numa realidade. Na Austrália, um grupo de cientistas está a trabalhar para isso, ao clonar um animal extinto pelo Homem.
4 de Julho de 2002 às 19:29
O tigre da Tasmânia pode voltar a viver.
O tigre da Tasmânia pode voltar a viver.
Está na hora de corrigir erros cujos efeitos se julgavam irreversíveis. Pelo menos, foi anunciada a tentativa de o fazer! Graças à clonagem, uma equipa de cientistas australianos pretende “ressuscitar” o célebre tigre da Tasmânia (também conhecido como lobo da Austrália), um parente distante dos cangurus, embora carnívoro, que o Homem dizimou.

As amostras de ADN retiradas de um feto com 136 anos representam a possibilidade de reconstituir este animal, através da clonagem. Num documentário do Discovery Channel (TV por cabo) é descrita a forma como tudo se processa, que faz recordar de algum modo a ideia posta em filme por Steven Spielberg, em “Parque Jurássico”, sobre a reconstituição dos extintos dinossauros.

O que Mike Archer, director do Museu Australiano e professor de Ciência Biológica, está a tentar fazer com a sua equipa de cientistas é algo tão notável e controverso como a divisão do átomo ou a chegada do Homem à Lua. Para já, conseguiu dar um sopro de vida ao tigre da Tasmânia neste documentário, através de imagens elaboradas por computador (ver caixa). Mas, em breve, a ficção pode tornar--se numa realidade.

O tigre da Tasmânia existia no continente australiano há milhares de anos. A partir de 1803, altura em que os colonos europeus começaram a criar ovelhas na Tasmânia, este marsupial carnívoro, que corria como um lobo mas que tinha uma bolsa semelhante à dos cangurus, tornou-se alvo de uma impiedosa perseguição. Acusado de atacar os rebanhos, o tigre da Tasmânia foi baleado, capturado em armadilhas e envenenado até à extinção.

O último exemplar da espécie foi vendido ao Zoológico de Hobart (Austrália) em 1933, mas acabou por morrer três anos depois. Em 1986, a espécie foi declarada oficialmente como extinta.

A esperança de fazer regredir esta lamentável perda renasceu a partir de um frasco de álcool etílico onde desde 1866 é conservado um feto de tigre da Tasmânia. Volvido mais de um século, Mike Archer descobriu que a solução alcoólica preservou o ADN nos tecidos dos órgãos, músculos e medula óssea do exemplar, o que torna a clonagem possível.


Realidade no computador


O tigre da Tasmânia que o programa do Discovery Channel nos mostra é uma combinação de imagens de um boneco mecânico e de computação gráfica em três dimensões, processo idêntico ao utilizado no filme “Parque Jurássico” (1993). O resultado é quase real.

Com o objectivo de criar uma reprodução exacta do animal foram gastas muitas horas em pesquisa de materiais, no estudo de fotos antigas e na realização de entrevistas com os responsáveis pelo Museu Australiano. Foram precisos três meses de intenso labor para proceder à construção deste tigre em três dimensões.
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