Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
7

Respeito pelos factos

Num contexto em que a televisão “domina claramente a vida das pessoas” e inflige sobre elas “um poder quase violento”, sublinha Júlio Magalhães, da TVI, o jornalismo sensacionalista foi motivo de debate ontem em Abrantes.
10 de Março de 2005 às 00:00
“O respeito pelos factos é o valor fundamental do jornalismo”, de acordo com Octávio Ribeiro, subdirector do Correio da Manhã, e o sensacionalismo é um fenómeno que “não tem a ver com o conteúdo, é a forma, é o que agarra as pessoas”, afirma Miguel Gaspar, editor de Media do ‘Diário de Notícias’. Até porque “a única forma de elevar o nível é conseguirmos chegar às pessoas ”, justifica Octávio Ribeiro.
A questão é que “ninguém quer escrever para uma minoria”, diz Miguel Gaspar. Júlio Magalhães acrescenta, a este respeito, que “as televisões existem para dar dinheiro e para isso é preciso que tenham programas que as pessoas queiram ver”. O que não quer dizer que a TV e os media sejam responsáveis pelo nível cultural da sociedade.
O jornalista da TVI afirma mesmo que “as alterações da programação televisiva dependem das pessoas”, porque as estações se regem pelas audiências e produzem o que as pessoas querem ver.
E é nesta luta pelo ‘share’ que “hoje vivemos o império do directo”, refere Miguel Gaspar “na tentativa de aproximar a mensagem das pessoas”. O editor do ‘DN ‘recorda que “o mundo viu a entrada dos tanques americanos em Bagdad, como nunca dantes tinha acontecido na história do jornalismo”. Este uso do directo, de acordo com Miguel Gaspar, gera a ilusão de conhecimento, “mas aquela é uma realidade parcial, e perde-se sempre o que se passa ao lado”.
Na oposição à tabloidização dos media está a ética e a deontologia jornalísticas, que Júlio Magalhães diz pertencerem hoje “a cada um dos jornalistas individualmente”.
De qualquer maneira, explica o subdirector do CM, o objectivo não é fazer sensacionalismo mas sim “provocar inquietações nos leitores”, e isso só se faz com “impacte”.
Por outro lado, Duarte Mexia, editor da revista ‘Fotochoque’, reivindica que os portugueses “não têm acesso à maioria das fotos das agências internacionais”. Aquele editor salienta que “há um grande preconceito da Imprensa em publicar fotos violentas” e deixa uma pergunta no ar: “Se as pessoas não virem o que se passa no Iraque e não se indignarem quando é que aquilo acaba?”.
Mas Duarte Mexia considera que “não existe muito sensacionalismo em Portugal” , o mais difícil, admite, é saber até onde se pode mostrar. Todavia, Júlio Magalhães sublinha que nas redacções se trabalha “com muito profissionalismo e autenticidade” e que em Portugal “há muito boa informação”.
BLOGUES
A Escola Superior de Tecnologia de Abrantes dá hoje como terminado o 4.º Encontro de Comunicação. A partir das 10h00, serão realizados vários ‘workshops’. Ao início da tarde, o debate terá como tema ‘Blogues: Credibilidade ou Farsa?’. Às 17h30, Jorge Wemans, director de Comunicação da Gulbenkian, será o responsável pela palestra de encerramento.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)