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Correio da Manhã

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RTP FAZ TRABALHO DA TÓBIS

O protocolo da RTP com a Tóbis para a recuperação do arquivo histórico da estação pública, firmado em Janeiro, parece não estar a correr da melhor maneira. Ao que o CM apurou junto de fonte do canal, "das 220 horas de filme enviadas para a Tóbis, cerca de 35 por cento foram devolvidas" (mais de 70 horas), por estarem "danificadas" e não serem passíveis de recuperação.
15 de Maio de 2004 às 00:00
 Luís Marques garante que o protocolo está a ser cumprido
Luís Marques garante que o protocolo está a ser cumprido FOTO: Sérgio Lemos
Mas a RTP, com uma máquina de telecinema (que faz a transcrição das imagens para suporte digital), mais antiga do que a da Tóbis, conseguiu recuperar os filmes, à primeira vista, 'irrecuperáveis'.
Sobre as alegadas irregularidades de alguns filmes devolvidos ao Prior Velho, Fernando Alexandre, director dos arquivos da RTP, remete esclarecimentos para a administração mas não deixa de lembrar que "o trabalho ainda está no início" e, como as películas são "muito antigas", "o processo para se preservar o acervo histórico da melhor forma está a ser acompanhado pelos melhores técnicos da RTP". Admitindo ainda que as "relações comerciais, por vezes, têm problemas", mas que estes "não são incontornáveis", o director reforça que o "trabalho está a correr normalmente."
Também Luís Marques, administrador da RTP, reconhece poder existir "uma ou outra situação em que os filmes estão num estado de grande degradação", mas garante não ter conhecimento de nenhum problema que comprometa o bom rumo da parceria. "Os relatórios das equipas de técnicos da RTP confirmam que o serviço prestado pela Tóbis cumpre as expectativas", garante o responsável.
De recordar que o serviço da Tóbis prevê a transcrição de duas mil horas de arquivo para suporte digital, ao custo de um milhão de euros que, aquando da assinatura do protocolo, a administração da RTP defendeu ser um valor inferior ao que custaria se a operação fosse realizada internamente (como o pretendia a Comissão de Trabalhadores/CT).
O CM apurou ainda que mesmo o trabalho finalizado pela Tóbis apresenta imperfeições. Segundo fonte da estação, além da falta de sincronização de alguns filmes (o som não acompanha a imagem), existem películas em que a padronização de cores não é harmónica. Todo este trabalho de rectificação, a nível interno, implica ainda, segundo a mesma fonte, a canalização de recursos humanos e técnicos da RTP para o efeito, sob pena de se deixar para trás trabalho interno. Para ponderar esta situação, está prevista para a próxima segunda-feira uma reunião extraordinária da CT da RTP.
Os filmes entretanto recuperados voltaram para as prateleiras do Prior Velho e aguardam pela assinatura do protocolo com o ANIM (Arquivo Nacional de Imagens em Movimento), que Luís Marques garante acontecer "muito em breve." Uma burocracia urgente para que as películas possam ter, finalmente, um espaço com condições de preservação à altura do acervo histórico que contemplará.
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