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Correio da Manhã

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RTP MANTÉM ARQUIVOS

A transferência dos arquivos da RTP para o Arquivo Nacional de Imagem em Movimento (ANIM) não põe em causa os postos de trabalho dos cerca de 70 funcionários que integram a área de Novos Projectos e Arquivos da estação pública. Quem o garantiu ao CM foi Luís Marques, administrador do canal e responsável pela área, que disse ainda que a RTP "manterá sempre os direitos sobre os arquivos".
4 de Junho de 2003 às 00:00
RTP está preocupada com actuais condições do arquivo
RTP está preocupada com actuais condições do arquivo FOTO: Bruno Raposo
Luís Marques explicou que o cenário do despedimento colectivo não está em causa e que a maioria dos trabalhadores continuará em funções, "que vão absorver grande parte das pessoas que neste momento trabalham nos arquivos".
Para a administração, "o número ideal para as futuras funções está muito próximo do actual (70) e não vai haver necessidade de redução significativa dos recursos que eventualmente venham a ser excedentários, para os quais vamos tentar encontrar soluções", referiu aquele responsável.
No entanto, contactado o Arquivo Nacional de Imagem em Movimento (ANIM), da Cinemateca Nacional, ninguém parecia saber de nada.
Na ausência do responsável por estes serviços, José Manuel Costa, que se encontra em serviço no estrangeiro, o vice-presidente da Cinemateca, Rui Santana Brito, disse ao CM: "Não temos qualquer informação sobre o assunto. Desconhecemos por completo".
Mas a administração da RTP insiste em que a transferência dos arquivos para o ANIM - integrada na nova política para o audiovisual apresentada pelo Governo - tem como objectivo proteger o património da RTP que "está numa situação delicada".
"A administração está extremamente preocupada com o estado em que encontrámos o arquivo, que está instalado num edifício que não tem as mínimas condições para o guardar" afirmou Luís Marques.
Este responsável disse ainda que o arquivo - que actualmente se encontra num silo automóvel - está num estado muito precário em termos de conservação, nomeadamente a área de filme, e que é necessário a transferência para instalações com condições de segurança e conservação.
"Como já existe em Portugal uma estrutura criada especificamente para isso, que é o ANIM, consideramos que agora é a altura de concretizar este projecto", concluiu.
Desta forma, não está posta em causa a viabilidade de um dos projectos da RTP para o cabo, o Canal Memória, que recorrerá aos seus arquivos.
Entretanto, a Comissão de Trabalhadores da RTP já solicitou uma reunião com Luís Marques para obter algumas respostas.
"Queremos saber se não é mais uma forma hábil de os arquivos passarem a pertencer a uma empresa totalmente diferente da RTP e que tenhamos que nos sujeitar inclusivamente a ter que requisitar e pagar as nossas próprias imagens", explicou a fonte.
Os arquivos da estação pública cedem, mediante pagamento, as suas imagens a quem as desejar, mesmo ao público em geral, que queira guardar excertos de determinado programa, ou estações de televisão que queiram difundir as mesmas.
ESPÓLIO "DOS PORTUGUESES"
Para a TVI, "o problema do material em arquivo, principalmente de todo aquele período em que a única estação televisiva era a RTP, anda desde há muito para ser regulamentado de forma a que as outras estações tenham acesso a algo que é de todos os portugueses". De acordo com Monteiro Coelho, relações públicas da estação de Queluz, "manter um arquivo custa dinheiro e é preciso estudar a forma de suportar esses custos. A TVI mantém-se interessada, naturalmente, em que de uma vez por todas se defina o acesso dos arquivos que pertencem a todos nós". Em relação à adaptação da série "Cuenta me", da TVE, que recorre a imagem de arquivo, Monteiro Coelho adianta que "ainda não foi feito qualquer pedido" à RTP. Curiosamente, a estação pública também está interessada na série espanhola na qual pretende fazer uso dos seus arquivos. Contactada, a SIC não se quis pronunciar sobre o assunto referindo que o fará oportunamente.
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