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Correio da Manhã

Tv Media
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RTP tem futuro assegurado

No seu currículo, faltam apenas os primeiros seis anos da RTP. Luís Andrade é actualmente o mais antigo funcionário da estação pública, que hoje celebra o seu 48º aniversário.
7 de Março de 2005 às 00:00
Com 42 anos de casa, este responsável, que há poucas semanas abandonou o cargo de director de Programas, fala da sua RTP com o orgulho de quem fala de um filho. Um filho que, nos últimos 20 anos, ‘atravessou’ maus momentos que apenas foram ultrapassados, segundo diz, com a ajuda do actual conselho de administração. “Finalmente, a RTP voltou a ser o serviço público que foi no início. Quer se goste ou não, isso deve-se à actual administração”, afirma, acrescentando que Morais Sarmento, ministro da Presidência demissionário com a tutela da Comunicação Social, também tem a sua quota de responsabilidade. “Ele teve a coragem de meter na ordem a televisão para o serviço público”.
Com um novo Governo, Luís Andrade espera que, quem ficar com a pasta da RTP, prossiga no bom caminho. “O canal pagou as dívidas, está com audiências e tem credibilidade junto do público. A RTP está no caminho certo. Não há ninguém que possa dizer o contrário”, considera, defendendo, no entanto, que a TV “deveria ficar sob a alçada da Assembleia da República” e não de um partido político.
Com uma carreira coroada de sucessos, tanto na realização como em cargos de chefia, Luís Andrade recorda com saudade e orgulho os primeiros tempos de vida da televisão que, para ele, “foi quase Ministério da Cultura”. “Mostrou ao povo português o que eles praticamente nunca tinham visto, como teatro, cinema, literatura, poesia, bailado. Mostrou-lhes o mundo inteiro”, refere, relembrando as recentes palavras de Baptista Bastos, que questionou o que se fazia quando não havia televisão. “A TV era a companhia dos serões dos portugueses [no início, só transmitia à noite]. Quem tinha aparelho, assistia em casa, quem não tinha ia para os cafés, associações, casas do povo. Ainda hoje com o canal Memória podemos ver a qualidade que a RTP tinha”.
Para ele, o nascimento da estação foi, sem dúvida, o seu melhor momento, elegendo como o pior a contra-programação que o canal fez na altura do aparecimento das privadas.
Ao longo de uma vida praticamente dedicada à estação, Luís Andrade recorda com muito orgulho o facto de, enquanto director de Programas, “ter terminado com o tabu entre as três estações”.
Agora, quase a chegar aos 70 anos, trabalha junto da administração como consultor, estando já a pensar no cinquentenário da primeira televisão. Mas uma coisa é certa: o seu amor pela RTP é incondicional e eterno.
CELEBRAÇÃO NO CANAL MEMÓRIA
Em dia de celebração, a RTP 1 mantém-se inalterada mas sem deixar de assinalar a data em programas como a ‘Praça da Alegria’, de manhã, ou o renovado ‘Prós e Contras’, à noite.
Compete então à recém-nascida RTP Memória (TV Cabo) fazer as honras da efeméride com uma grelha completamente dedicada à celebração da data. Simone, Raul Solnado, João Maria Tudela e Glória de Matos são algumas das presenças confirmadas que irão recordar os melhores momentos de quase cinco décadas de aventuras televisivas.
A emissão será assim exclusivamente dedicada a vários documentários, programas e depoimentos de e sobre ilustres profissionais que passaram pela televisão pública nos últimos anos.
Num tom saudosista, programas como ‘Zip Zip’ e ‘Jogos Sem Fronteiras’ recuperam também as horas de outras décadas, em que a televisão vivia, ontem como hoje, de profissionais ímpares, que, por si só, agarravam os espectadores…
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