Enquanto a RTP grava ‘Top Chef’, programas de culinária dominam o cabo, onde existem canais dedicados em exclusivo à arte de cozinhar e comer.
Cozinhar está na moda e não há desculpas para não o fazer, tal é a oferta de programas que ensinam a preparar todo o tipo de iguarias, fazendo com que qualquer um pareça um ás na cozinha. Além disso, qualquer formato combina com comida, desde reality shows a concursos, passando por programas, no mínimo, insólitos.
Em Portugal, a RTP tem dado especial destaque a esta área. Depois de ‘Masterchef’, o canal público estreia, neste sábado, ‘Top Chef’, que se distingue do primeiro pelo facto de os concorrentes serem profissionais. O objectivo é eleger o melhor chef de Portugal. "Este é o topo dos programas de gastronomia, através do qual se pretende promover a cozinha nacional e os produtos portugueses que valorizam o nosso património", afirma Hugo Andrade, director de programas da RTP. "Este formato é competitivo e exigente, é divertido e permite aprender muito", acrescenta, sublinhando a vertente didáctica do projecto. ‘Top Chef’ conta com 16 concorrentes – 12 homens e quatro mulheres com idades entre os 18 e os 48 anos – oriundos de todo o País, que foram seleccionados pela produção, a cargo da CBV, e por Nuno Diniz, chef executivo da York House, que assumirá o papel de conselheiro ao longo do programa.
"Fizemos um casting a 80 profissionais tendo como principais critérios a qualidade da cozinha e a sua história", revela o produtor Piet-Hein Bakker. No júri está José Cordeiro, do grupo Altis e galardoado com duas estrelas Michelin; Susana Felicidade, proprietária e chef de três restaurantes em Lisboa, e Ricardo Costa, chef executivo do restaurante do Hotel The Yeatman, também premiado com estrelas Michelin. A apresentação do programa está a cargo de Sílvia Alberto, que já tinha conduzido ‘Masterchef’ e que revela ser uma "grande apreciadora" deste género de formatos. Nuno Diniz também tem noção do impacto que os programas de culinária estão a ter por todo o Mundo. "A profissão de chef ficou na moda nos últimos anos. Prova disso são as escolas de cozinha esgotadas e com listas de espera", refere. Já Piet-Hein Bakker recorda que "os programas de culinária já estão na moda há muito tempo lá fora. Entretanto, chegaram a Portugal e entraram em força, o que até acaba por fazer sentido, já que o País tem uma cozinha riquíssima."
A Correio TV acompanhou as gravações do programa, que já vai a meio, pelo que a selecção dos finalistas se torna cada vez mais difícil. Assim, na cozinha os nervos podem levar a cometer erros fatais. "No início percebia-se que nem todos os concorrentes estavam no mesmo nível, mas agora temos de ir ao pormenor para decidir o vencedor", adianta Susana Felicidade. "Qualquer pessoa cozinha em casa. Mas fazê-lo profissionalmente não é para qualquer um e é isso que o ‘Top Chef’ vai mostrar. Nesta altura do programa posso dizer que qualquer um dos concorrentes trabalhava comigo no ‘Feitoria’", revela o chef Cordeiro à Correio TV antes de entrar em estúdio. "Estou muito surpreendido com o nível do concurso. É importante que se diga que é muito difícil. Além disso, é preciso que se diga que aqui ninguém é humilhado, o que é quase uma lufada de ar fresco neste tipo de programas", acrescenta Nuno Diniz. "Estamos em ponto de ebolição", diz Sílvia Alberto. "O público vai assistir a uma competição aguerrida entre chefs profissionais, com desafios muito criativos", conclui a apresentadora depois de regressar de Peniche, onde os concorrentes gravaram uma prova.
Além de agradarem a uma substancial fatia de público, os programas de culinária vão desde produções arrojadas a formatos simples e económicos. O segredo não é ter só um bom chef, mas também um bom entertainer. Exemplo disso é o britânico Jamie Oliver, o carismático e jovem chef britânico que revolucionou a televisão com os seus programas de culinária. Com mais de duas dezenas de formatos com o seu nome, Oliver é, aos 37 anos, um dos chefs mais bem pagos e um fenómeno de audiências, marcando presença em vários canais do cabo. Em Portugal é possível vê--lo em ‘Jamie’s 30 Minutes Meals’, na SIC Mulher, ‘Jamie’s Great Britain’, ‘Jamie’s American Road Trip’ (24Kitchen), ‘O Melhor Chef’ (24Kitchen) e ‘Jamie at Home’ (Food Network). Foi o sucesso de Jamie Oliver que levou a televisão portuguesa a despertar para a culinária. De ‘Ingrediente Secreto’ (em exibição na RTP 2), conduzido por Henrique Sá Pessoa, a ‘Gostos e Sabores’, com Hélio Loureiro (RTP Informação), passando por ‘Já ao Lume’ (SIC Mulher), com José Avillez, a oferta é a mais variada. Com a chegada do 24 Kitchen, um canal exclusivamente dedicado à culinária, a Portugal, a cozinha nacional ganhou novo fôlego. Em ‘Papa Quilómetros’, da Shine Iberia, o chef Ljubomir Stanisic, percorre o País em busca das iguarias mais tradicionais. Já Sebastião Castilho, através do formato ‘Mercados da Minha Terra’, produzido pela BeActive, procura os melhores ingredientes para a confecção dos seus pratos. Em ‘Gosto de Portugal’, produzido pela Blackbox, Rodrigo Meneses, ex-concorrente do ‘MasterChef’, viaja pelo País para descobrir a sua rica gastronomia. Para quem prefere algo mais prático, Viriato Pã, que também passou por ‘Masterchef’, dá sugestões em ‘Prato do Dia’. "A moda dos programas de cozinha é sobretudo nos países de origem anglo-saxónica, onde as pessoas andam a reaprender a comer depois de anos no ‘fast food’. É o que, com a qualidade da irreverência, fazem Jamie Oliver e Anthony Bourdain. Em Portugal tivemos um grande modelo de programa, o de Maria de Lurdes Modesto. Hoje fazem-se versões de formatos (como ‘Masterchef’) ou programas onde têm de aparecer celebridades. Mas é tudo uma questão de meios, de dimensão, de criatividade e da qualidade mediática de quem apresenta", comenta o crítico de televisão Fernando Sobral.
No cabo, a oferta de programas de culinária parece não ter fim. O escocês Gordon Ramsay, que foi considerado o chef mais bem pago da TV (perto de 31 milhões de euros por ano), marca presença em vários formatos, desde ‘Masterchef USA’ (FOX Life) a ‘A Cozinha é um Inferno’ (SIC Radical) e ‘Gordon Ramsay: Cook-a-Long UK’, que estreia a 7 de Setembro no 24Kitchen e onde o chef vai cozinhar, ao vivo, com uma celebridade. Outro rosto da irreverência na cozinha é Anthony Bourdain. Depois de ‘Não Se Aceitam Reservas’ (SIC Radical e Travel Channel), que o trouxe a Portugal por três vezes, o chef e escritor nova-iorquino estreia, a 3 de Setembro no 24Kitchen, ‘Anthony Bourdain: Layover’, em que revela algumas dicas que só os viajantes mais experientes poderiam dar ao percorrer Nova Iorque, Los Angeles, Hong Kong, Singapura, Londres, Roma ou Amesterdão. Entretanto, a NBC está a preparar o reality show ‘America’s Hottest New Cooking Show’, que junta Bourdain e a britânica Nigella Lawson.
E porque a crise também afecta o negócio da cozinha, o Food Network estreia, segunda-feira, ‘Chef Hunter’, em que vários chefs desempregados tentam ganhar o lugar de chef executivo num restaurante de topo. Já em ‘Mission Menu’ (TLC), reconhecidos chefs a nível mundial ajudam restaurantes de Nova Iorque a renovarem os seus menus, de forma a contornar as dificuldades económicas.
No universo dos programas de culinária, a confecção de doces é uma temática isolada. Buddy Valastro deu o mote com ‘Cake Boss’ (TLC), que mostra os bastidores do seu caótico Carlo’s Bake Shop, ao mesmo tempo que revela os segredos da cozinha italiana em ‘Kitchen Boss’ (TLC). ‘Ultimate Cake-Off’ (TLC), centrado nos bolos de casamento, e ‘Ace of Cakes’ (SIC Mulher e Food Network), em que Duff Goldman prepara bolos de todas as formas e feitios, são os formatos mais emblemáticos do género.
Nem as crianças resistem à tentação da cozinha. Em ‘Chef André Ajuda-me’ (SIC K) escolhem o menu e o chef ensina os pais a confeccioná-lo. Contudo, em ‘Masterchef Junior’ (SIC K), os jovens deitam mãos à obra e criam os seus próprios pratos numa divertida competição supervisionada pelo mesmo júri de ‘Masterchef Austrália’.
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