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Correio da Manhã

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SANDRA HELENO: FOI UMA ESCOLA DE VIDA

Sandra, concorrente da ‘Operação triunfo’ da RTP1 sonha fazer carreira na música. Entrar na ‘Operação Triunfo’ foi um desafio de que não se arrepende e ainda hoje acorda a pensar se o que lhe está acontecer é mesmo real.
12 de Maio de 2003 às 00:00
Correio da Manhã - Como se sentiu ao ter sido expulsa na recta final da Operação Triunfo?
Sandra - Senti-me bem pois só o facto de ter entrado na OT e ter chegado onde cheguei foi para mim uma vitória.
– Agora cá fora,o que tem constatado da sua participação?
– As coisas cá fora estão praticamente na mesma mas eu continuo a estranhar tudo. Estive completamente absorvida pelo que se passava na escola e abstraí-me do que se passava no exterior. Ainda me surpreendo quando as pessoas olham para mim e me abordam na rua... fico na dúvida se é mesmo para mim que estão a olhar.
– O que ganhou com a OT?
– Força e mais confiança em mim. Aprendi a seguir o meu instinto e a nunca descurar dos conselhos que me dão para não fechar nem os ouvidos nem os meus horizontes. Aprendi a estar atenta às opiniões e a saber aceitar as críticas, porque nos fazem aprender.
– Gosta de ser reconhecida?
– Gosto, mas estranho. A sensação é boa porque o facto de ser reconhecida é sinal de que me viram no programa e gostaram do meu trabalho.
– O trabalho foi gratificante?
– Muito. Quero dar continuidade a tudo o que comecei lá dentro. Com a minha participação na OT só tive a ganhar. Aprendi bastante e, para mim, a OT não foi só uma escola de música, foi também uma escola de vida e relações humanas.
– Dificuldades a nível de trabalho?
– Eu era a minha própria dificuldade. Não sabia nada quando entrei. Não sabia respirar e tinha um enorme problema: o da projecção da voz – ainda estou a aperfeiçoar a técnica. Tinha imensos receios, inseguranças porque duvidava muito de mim própria... Queria sempre dar o melhor e isso trazia-me imensas preocupações. Essa era a principal dificuldade: focava-me demasiado numa coisa e esquecia-me do resto. Mas aprendi a superar essa minha mania de ser perfeccionista e aprender que cantar é bem mais do que ter uma voz bonita e colocá-la cá fora. É preciso não esquecer a expressão corporal e tudo o resto que faz parte da própria interpretação do tema.
– É perfeccionista?
– Muito. Ralho imenso comigo e crítico-me muito na busca de fazer melhor. Continuo sempre com aquela sensação de que poderia ter feito melhor...
– O que procura na música?
– Eu canto porque gosto de cantar. Melhor ainda se o puder fazer para que as pessoas me oiçam e se identifiquem com a música, com a energia que sinto e o que tenho dentro de mim para transmitir. É isso que procuro fazer na música.
– Já se colou a algum estilo?
– Eu sou uma apaixonada pelo soul e o gospel. Já era antes de entrar. Mas gostei de experimentar novos estilos lá dentro e não me quero fechar só num. Vou experimentar mais para ver até onde posso ir. Pretendo dar um cunho próprio independentemente da música e género que cante. Quando as pessoas me ouvirem cantar, seja a música deste ou daquele cantor, gostava que pudessem dizer: “Olha, esta é a Deusa a cantar!”
– A ‘Deusa’? Nome artístico?
– (Risos) Sou a ‘Deusa Sandra’ ou a ‘Sandra Deusa’... a alcunha de ‘Deusa’ faz parte da minha história. Quando nasci fiquei imenso tempo sem ter nome porque os meus pais não encontravam um que ligasse com a minha cara. Nessa ocasião, o meu pai pegou-me ao colo e disse: “Pronto, a partir de hoje esta vai ser a minha Deusa”. E a partir daí todos me chamam ‘Deusa’...
– Objectivos daqui para diante...
– Quero andar devagar e amadurecer, a pouco e pouco, para digerir o que me está a acontecer. Tenho de aprender mais para me sentir bem e à vontade naquilo que faço.
– Vai conjugar a beleza à música?
– Não sou vaidosa e nunca pensei nisso. Danço porque gosto de dançar, canto porque gosto de cantar, rio porque gosto de ser alegre. Esse conjunto faz de mim uma pessoa feliz. Se aos outros também fizer, mais satisfeita fico.
PERFIL
Parece mentira mas é verdade. Sandra Heleno nasceu a 1 de Abril de 1979, no Porto. Só cantava para a família até frequentar o karaoke. Concorrer foi para si “uma oportunidade única”. Completou o 12.º ano e começou a trabalhar. Foi lá que conheceu o seu actual namorado – já lá vão três anos. “O único medo é perder as pessoas que amo”. Fazer carreira na música era o que mais queria.
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