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Correio da Manhã

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Saraiva deixa Impresa

José António Saraiva, até há pouco tempo director do ‘Expresso’, cortou, ontem, a ligação com a Impresa, grupo presidido por Francisco Pinto Balsemão e que detém, entre outros, o semanário. O acordo colocou, assim, fim a um clima insustentável que se vivia no grupo depois de o arquitecto anunciar, publicamente, a intenção de fundar um jornal e de surgirem notícias de que o até ontem seu patrão poderia figurar entre os accionistas do novo projecto.
1 de Fevereiro de 2006 às 00:00
Saraiva reconhece que não havia clima para continuar
Saraiva reconhece que não havia clima para continuar FOTO: Pedro Catarino
“Com tantas notícias na Imprensa sobre o projecto do meu novo semanário, a situação tornou-se difícil para continuar dentro da empresa.” Foi assim que José António Saraiva, ex-director do ‘Expresso’ e director-geral dos jornais da Impresa, justificou ao CM a saída do grupo de Pinto Balsemão.
GUERRA DOS DESMENTIDOS
Confirmando o clima de incompatibilidade gerado, Saraiva frisou, no entanto, que pretende preservar a “amizade com Balsemão e toda a equipa, património essencial”, apesar de manter firme a pretensão de lançar um semanário fora do grupo, já depois do Verão. O arquitecto confessou ainda sentir-se “incomodado” com o desmentido que a administração do grupo fez anteontem, através de e-mail interno enviado aos funcionários do ‘Expresso’. Na nota podia ler-se que Francisco Pinto Balsemão “não foi convidado, nem está interessado” num projecto que desconhece. “É um desmentido mentiroso”, disse o ex-director do ‘Expresso’, acrescentando que reagiu, também por via escrita e internamente, sem pretender tecer mais comentários sobre o caso. A Impresa, contactada pelo nosso jornal, limitou-se a confirmar o acordo estabelecido ontem, prometendo para hoje esclarecimentos.
A estrutura accionista do projecto, segundo Saraiva, “está praticamente fechada e definida”. Confrontado com os rumores de que o Millennium será um dos financiadores, o arquitecto prefere falar numa “grande instituição bancária” e num “empresário do sector dos media”. Neste caso, várias fontes apontam Agra e Lima, administrador de ‘A Bola’, como um dos nomes que enquadram o perfil desejado, até pelo facto de a sociedade gestora do jornal ter gráfica própria.
“Não nego que seja possível vir a ter interesse nesse projecto. Nego é que, até agora, tenham existido negociações nesse sentido”, referiu, ao CM, Agra e Lima, que confessou conhecer as pessoas envolvidas no projecto. Para lá de José António Saraiva, os jornalistas José António Lima e Mário Ramires, que integrarão a equipa dirigente do novo semanário, também terão acções. Os dois, recorde-se, deixaram o ‘Expresso’ já há algum tempo.
“Indemnização simbólica” Questionado ainda sobre o valor da indemnização, José António Saraiva especifica que “é simbólica” ou, melhor ainda, “nem é bem uma indemnização”. O arquitecto explicou ao CM que traduz apenas “os prémios relativos ao ano anterior e aos serviços prestados pelas remodelações de publicações como o ‘Blitz’ e ‘Automotor’”. Saraiva, recorde-se, entrara há 22 anos no semanário.
CONTRATAÇÃO DE JORNALISTAS
Com a criação de um novo jornal, a ideia de que Saraiva poderá desfalcar o ‘Expresso’ é cada vez mais comentada no próprio jornal. Sem que ninguém o confirme, fala-se numa lista de 20 nomes, entre jornalistas, gráficos, publicitários e administrativos. Ana Paula Azevedo, mulher de José António Lima, Graça Rosendo e Ângela Silva são alguns dos jornalistas referenciados nas conversas.
'OBSERVADOR' MANTÉM-SE
José António Saraiva vai continuar a escrever a sua coluna (‘Observador’) no ‘Expresso’, embora já tenha anunciado o abandono do cargo de director-geral dos jornais do grupo Impresa. “Em princípio vai continuar. Pelo menos, o que combinámos é que ele escrevia a sua coluna para o próximo sábado”, esclarece Henrique Monteiro. O actual director do semanário não confirma, porém, se se tratará de uma crónica de ‘adeus’: “Não tem de ser uma despedida, porque não acertámos se acabava ou não. Ainda ficámos de falar sobre esse assunto.”
O 'ADEUS'
POUCAS PALAVRAS
José António Saraiva foi parco em palavras na hora da despedida. Dirgiu-se a toda a equipa da Sojornal por e-mail interno. Assim, nestes termos: “Caros colegas, agradeço a todos que colaboraram comigo, em qualquer sector, ao longo de 22 anos, fazendo do ‘Expresso’ o maior, melhor e mais influente jornal português.”
SECRETÁRIA DE LIMA
A missiva foi enviada do endereço electrónico de Carolina Gomes da Silva, irmã de Vicente Jorge Silva, até há pouco tempo secretária de José António Lima.
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