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Correio da Manhã

Tv Media
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Serviço público... ou nem tanto

Os debates realizados na RTP, após o anúncio rectificativo do orçamento, foram uma rara oportunidade para ver frente a frente Governo e instituições que o contestam.
15 de Julho de 2005 às 00:00
As contradições do serviço público de televisão dão que pensar. Existem dois serviços no mesmo canal. O serviço público de informação cumpre os seus objectivos e faz serviço público. O serviço público de programação começa a parecer-se muito com as estações privadas e só muito raramente integra um programa de entretenimento que reune as condições para ser efectivamente ‘serviço público’. Vamos ao serviço público. A RTP realizou, após o anúncio formal do orçamento rectificativo, uma série de debates diários conduzidos por José Alberto Carvalho, no programa ‘Estado da Nação’. Foram debates de uma rara oportunidade pondo frente a frente os representantes do Governo e das instituições que se opunham às medidas governamentais.
Num dia estavam o ministro do Emprego e da Segurança Social e representantes da CGTP e da UGT. Os argumentos de cada parte rolaram com facilidade graças à boa condução de José Alberto Carvalho que não teve pudor em exigir respostas claras e objectivas por parte dos interlocutores que tinha pela frente. A demagogia esfumou-se e foi possível ver que razões tinha o Governo e que alternativas propunham as centrais sindicais, nomeadamente para resolver o peso excessivo da função pública. Eu diria que se esvaziou um balão. Muitos dos argumentos perderam-se na disponibilidade para o diálogo manifestada pelo Governo e na ausência de propostas mais sensatas.
No dia seguinte foi o frente a frente entre o ministro dos Assuntos Internos, António Costa e os representantes das polícias, PSP e GNR. O Governo foi firme em relação à matéria essencial mas abriu um espaço para discutir alternativas. Eu diria que se esvaziou um segundo balão. O terceiro frente a frente foi entre a ministra da Educação, Paulo Sucena da FENPROF e um representante da Confederação de pais. Foi dito tudo com grande seriedade e desmontados os mal entendidos. O terceiro balão ficou vazio. Os ministros, numa prova de humildade e seriedade, aceitaram debater em público o levantamento social que as suas medidas tinham provocado. Nada mais eficaz. Ganharam a simpatia dos cidadãos e apagaram quase todos os fogos que estavam a arder. A RTP prestou um bom serviço ao País.
DAR VOLUME

Especulação a rodos. Quem vai contratar a equipa de ‘Gato Fedorento’? RTP ou TVI? Aceitam-se apostas. Mas ‘Gato Fedorento’ jogava muito bem numa programação de serviço público. Humor com qualidade. Humor inteligente. A RTP vai perceber a importância do ‘Gato Fedorento’? Como quer que seja, viva a disputa por um bom produto televisvo.
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A SIC só se pode queixar de si própria. É à SIC que compete guardar a sua informação estatrégica. A versão portuguesa de ‘He’s a Lady’ conduzida por Herman não podia, como é evidente, circular nos meios profissionais de televisão. A TVI, decidida em ganhar o ‘day-time’, apostou numa rubrica semelhante ao formato da SIC. E agora?
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