Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media

SIC e TVI querem consórcio

A Impresa e a Media Capital, que detêm a SIC e a TVI, respectivamente, têm mantido conversações acerca da Televisão Digital Terrestre (TDT). O objectivo é a criação de um consórcio entre as duas estações para o concurso de atribuição de licenças, mas Francisco Pinto Balsemão deixa também a porta aberta à RTP para integrar o projecto.
11 de Julho de 2007 às 00:00
SIC e TVI querem consórcio
SIC e TVI querem consórcio FOTO: Fotomontagem CM
“Julgo que pode haver uma aliança entre a Media Capital e a Impresa, à qual a RTP também se devia associar, se quisesse”, afirmou Pinto Balsemão ontem, à margem de uma conferência de imprensa, onde apresentou a estratégia do grupo a que preside para o universo digital.
O patrão da Impresa não precisou com quem tem conversado sobre o assunto, mas o CM apurou que Manuel Polanco, administrador delegado da Media Capital, tem sido o interlocutor de Balsemão.
“Temos falado bastante com a Media Capital. Fomos recebidos oficialmente pelo ministro Santos Silva para tentarmos saber o que é que o Governo pensava sobre a TDT em Portugal. Obtivemos algumas hipóteses, mas nenhumas certezas, com a alegação de que a consulta pública ainda vai ser feita e o Governo não pode tomar compromissos antes disso”, explicou o dono da Impresa.
A TDT, para ser uma realidade, obriga “a uma conjugação de esforços”, sublinhou o patrão da SIC. “Não pode ser cada um a puxar para o seu lado. Tem de haver um operador de telecomunicações, quem faça a gestão dos ‘multiplexers’ [grupo de canais reunidos numa única transmissão] e, depois, quem forneça os conteúdos. Julgo que há várias áreas em que poderá haver entendimento.” Um dos sectores onde deverá haver acordo é na distribuição: “Nós sabemos que a TVI tem a rede RETI, que pode vir a ser utilizada” na implementação da TDT. “São mais as infra-estruturas, porque a rede tem de ser nova, mas as infra-estruturas valem dinheiro”, frisou. Ao mesmo tempo, Balsemão admitiu que, “se necessário e excepcionalmente”, poderá “entrar no capital” da Portugal Telecom. No entanto, realçou que a opção “não é uma prioridade”.
Balsemão reforçou a pressão sobre o Governo para se acelerar o processo de entrada da TDT em Portugal: “Se queremos que a alta definição entre no nosso país, se querem que continue a investir em alta definição, se não querem que deite fora tudo o que investi por não haver espectro, acho que a alta definição deve ser prioritária.”
RECEITAS DE MULTIMÉDIA CRESCEM
As receitas multimédia das várias áreas de negócio da Impresa deverão representar 10% do total dos proveitos do grupo até final de 2009, adiantou o presidente da empresa. “Queremos que as receitas multimédia no conjunto das quatro áreas de negócio [televisão, jornais, revistas e on-line] venham a representar 10% do total das receitas do grupo Impresa”, disse Pinto Balsemão. Admitindo tratar--se de um objectivo “ambicioso”, o responsável explicou que atingir essa meta significa que, “num prazo de três anos, [a Impresa] vai duplicar o contributo da multimédia no grupo. A multimédia deverá ser a segunda fonte de receitas, a seguir à publicidade e ultrapassando as vendas de publicações”, disse o empresário, lembrando que 2007 é um “novo ano zero” para a Impresa, a qual “deixa de ser um grupo de media e passa a ser um grupo de multimédia”.
A MARGEM
CONCURSOS
O Governo vai lançar dois concursos para a TDT ainda este ano. O primeiro para canais de sinal aberto e o segundo para canais pagos. RTP, SIC e TVI estão garantidos no primeiro.
RESULTADOS
“Em relação ao primeiro semestre de 2006 subimos de 24,9% de audiência para 26%. Como tal, estou satisfeito”, foi o comentário de Balsemão aos resultados da SIC em 2007.
JOGOS
Uma das próximas apostas do grupo Impresa é a ‘My Games’, a divisão de jogos para PC e Consolas, que comercializará, legal e digitalmente, videojogos.
Ver comentários