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Correio da Manhã

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SIM, SENHOR MONIZ

Numa semana em que as revelações de Marcelo Rebelo Sousa deixaram José Eduardo Moniz à beira de um ataque de nervos e da demissão do cargo de director-geral, a Correio TV dá-lhe a conhecer a história de um açoreano que respira televisão há 27 anos. Acusado de ser autoritário, obstinado e centralizador, Moniz reúne, apesar disso, consensos à esquerda e à direita. Todos lhe reconhecem competência e profissionalismo...
30 de Outubro de 2004 às 00:00
Para quem não sabe o que é tempo livre, mas é conhecido pelo seu prazer em gizar complexas estratégias, ‘O Sangue de Cristo e o Santo Graal’ - uma tortuosa e intrincada história de política e de fé, que se lê como um romance policial – não poderia ter sido escolha mais acertada como literatura de cabeceira. Há já algumas semanas que o director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, 52 anos, anda embrenhado nesta narrativa de cavaleiros templários, dos nebulosos bastidores do priorado de Sião e dos seus esforços para restaurar o poder político dos descendentes da dinastia Merovíngia, deposta há mais de 1300 anos.
Será que a leitura do texto o ajudará a apagar os rastilhos acesos no último mês na TVI, pelo polémico caso Marcelo Rebelo de Sousa, que colocou fim a quatro anos de comentários na estação, por alegadas pressões do patrão da Media Capital e do Governo? Moniz terá ganho na redacção mais uma batalha, mantem a confiança da generalidade dos seus jornalistas e segurou um dos seus mais mediáticos comentadores, Miguel Sousa Tavares (ver caixa). “Sinto-me um pouco pai desta criança e nestas circunstâncias procuro ser ponderado. Na vida, só entro em situações de ruptura para obter qualquer coisa e quando não se avizinham resultados. Se estou aqui é para mudar as coisas”, admite à Correio TV.
Todavia, depois do terramoto provocado por Marcelo Rebelo de Sousa, na última quarta-feira, na Alta Autoridade para a Comunicação Social, são de esperar novos combates, porventura mais complicados, na liderança da televisão que ajudou a colocar no top.
Quanto ao futuro imediato não se lhe consegue arrancar uma palavra. “Quando deixar de ser jornalista” – não gosta de ser chamado de director –, “quero retomar leituras, viajar, visitar galerias de arte”. Mas, por agora, garante que o seu lugar é ao leme da TVI, até esgotar esta fase da sua vida; e que a sua relação com Paes do Amaral, que entretanto já tem quase seis anos, “é perfeitamente normal”. Resta saber, porém, que feridas se abriram, entretanto, na relação enos dois, após as revelações dos últimos dias...
AÇOREANO… E DO CONTRA
José Eduardo Moniz nasceu em Ponta Delgada em 1952, numa família de quatro filhos: dois rapazes e duas raparigas. As irmãs vivem nos Estados Unidos, os dois homens em Portugal. Aos 17 anos, partiu para Lisboa para cursar Filologia G ermânica. Os pais preferiam que ele tivesse optado pelo Direito ou pela Economia. “Mas, talvez por ser do contra, resolvi ir para Letras”, explica.
O seu percurso no jornalismo começou em 1972, na redacção do extinto ‘Diário Popular’. A televisão entrou no quotidiano de José Eduardo Moniz cinco anos mais tarde. Uma pessoa amiga recomenda-o ao porta-voz do primeiro governo constitucional, Manuel Alegre, quando este era secretário de Estado para a Comunicação Social.
Foi então convidado para redigir um livro sobre a acção governativa do primeiro executivo socialista liderado por Mário Soares. Alegre explica que foi uma das suas secretárias que lhe apresentou Moniz. “Ele fez um bom trabalho, era muito aplicado, demonstrava ser muito reservado, mas com vontade de se afirmar. Os nossos contactos foram, todavia, bastante esporádicos”, recorda.
Alegre tem “a vaga ideia” de ter indicado, em 1977, o seu nome para os quadros da RTP, empresa onde José Eduardo Moniz se manteria até Maio de 1994. Ao longo de 17 anos, ocupou na televisão pública diversos cargos, convivendo com vários conselhos de administração e quase outros tantos governos.
Aos que o acusam de ser “consensual com os poderes políticos”, o actual director da TVI riposta que não se esquece que em 1978 passou por “um exílio” na sua terra natal, como chefe dos serviços de informação da RTP Açores. Regressaria, todavia, apenas quatro meses depois a Lisboa pela mão do então presidente do conselho de administração da empresa, o socialista João Soares Louro, para integrar um departamento de programas especiais.
“Quando em 1978, fizemos uma grande reforma da RTP e criámos a RTP2, precisava de um homem sólido e forte que me segurasse o primeiro canal. Escolhi para director de informação da 1, o Fernando Balsinha. Este sugeriu-me que Moniz passasse a número dois dele”, lembra Soares Louro à Correio TV.
INSTINTO AGUÇADO
“Mas, desde cedo, ele revelou-se um jornalista de qualidade. Além disso, era um homem com instinto para a televisão, procurou informar-se lendo, estudando, viajando. Ele conhece a televisão, é um bom profissional. Moniz percebeu muito bem o fenómeno que se estava a operar a nível tecnológico, e que permitia à televisão ter a maleabilidade e a operacionalidade quase de uma estação de rádio”, diz Soares Louro, hoje quadro da Parque Expo.
A propósito da recente polémica sobre a saída de Marcelo da estação de Queluz de Baixo e da regulamentação da televisão pública pelo governo, Soares Louro lembra que durante a sua presidência da RTP também se falava de pressões sobre a televisão, exercida nomeadamente por parte dos presidentes dos partidos, que “protestavam porque não se reviam nos espaços informativos”. Uma ou duas vezes, provavelmente mais, falou com Balsinha e, algumas vezes, com Moniz sobre o assunto. “A impressão com que eu fiquei é que ele (Moniz) era imparcial, isento, e que procurava, o que hoje está na moda, o contraditório.”
MALEABILIDADE
Para o jornalista José Manuel Barata-Feyo, que trabalhou com o actual director da TVI entre 1978 e 1994, o facto de Moniz se ter mantido durante tanto tempo na direcção de informação da RTP só poderá ser entendido como uma de duas possibilidades: “Ou ele era tão competente e estava acima de qualquer tentativa de manipulação, ou então, teve sempre a capacidade de se adaptar a essas mudanças, funcionando de acordo com os vários governos”, questiona.
Politicamente correcto ou não, a verdade é que Moniz reúne aceitação tanto à esquerda como à direita do Parlamento. Apesar das violentas críticas que a linha editorial da TV pública gerava na oposição socialista durante a governação de Cavaco Silva (1985/1995), e que corresponderam aos anos da chefia de Moniz na RTP1, o antigo secretário de Estado do PS para a Comunicação Social, Alberto Arons de Carvalho, abordou-o, em 1999, colocando-lhe a hipótese de fazer regressá-lo ao canal público.
Moniz congregava, porém, muitos ressentimentos em certas áreas socialistas, nomeadamente junto de Mário Soares que, em 1991, durante o segundo mandato da sua presidência, teve uma atitude quase inédita num Presidente da República, ao enviar para o Parlamento uma mensagem onde expressava uma crítica violenta à forma como a RTP favorecia a informação governamental em detrimento do espaço noticioso dado à oposição.
A querela chegou a tal ponto, que Moniz não hesitou em usar os ecrãs da TV que dirigia para responder a Soares. Esta atitude foi muito criticada na altura pela oposição. “E foi interpretada como uma defesa do governo e uma utilização ilegítima da RTP”, lembra agora Arons de Carvalho.
CONVITE SOCIALISTA…
Mesmo assim, em 1999, a tutela para a comunicação social do executivo de António Guterres via Moniz como uma excelente escolha para chefiar a programação e a informação da 5 de Outubro. “Apesar de não concordar com a orientação que dá à informação na TVI, Moniz é eficiente, geria muito bem as pressões de que era alvo. A par de Emídio Rangel, ele é um dos grandes líderes da programação de televisão em Portugal. Sabe levar a água ao seu moinho”, comenta Arons.
Temendo uma eventual falta de meios e de apoio por parte de sectores governamentais socialistas e da redacção da estação, Moniz optaria, contudo, por permanecer na estação privada, descansando os mais críticos, para quem a sua proximidade aos social-democratas pesava mais forte e negativamente no prato da balança, nomeadamente as suas estreitas relações com o homem que durante os 15 anos de governação cavaquista exercera a tutela da empresa, Luís Marques Mendes.
…E A AMIZADE DE MARQUES MENDES
Apesar de negar quaisquer interferências na linha editorial do canal público, Marques Mendes incarna até hoje, e como ninguém, o papel de ter sido o mais hábil ‘manobrador’ da informação na estação pública, ao ponto de ser acusado de se dar ao minucioso trabalho de fazer os alinhamentos dos telejornais com o seu então director de informação José Eduardo Moniz. Um papel que o deputado social-democrata ainda hoje continua a refutar.
Recorde-se, que Luís Marques Mendes foi secretário de Estado para a Comunicação Social durante um ano e meio, no primeiro governo social-democrata (1985/1987), e ministro–adjunto com a área da Comunicação Social no último executivo laranja (1991/1995).
“Eu nem o conhecia quando ele foi nomeado director de informação. A decisão foi da administração da RTP”, diz Marques Mendes à Correio TV. Durante o primeiro governo, Marques Mendes afirma que apenas teve contactos fortuitos com ele – “recebi-o talvez uma vez no meu gabinete” -, e que ambos mantinham uma relação até algo distante.
“Curiosamente, quando estreitámos os contactos, que deram origem a uma relação de amizade, foi justamente no período seguinte, nos quatro anos de governo em que eu não tinha o pelouro da Comunicação Social, altura em que eu, aliás, fiz muitas amizade, com diversos profissionais dos media”, esclarece.
Barata Feyo adverte, contudo, para o facto de que “nenhum alinhamento se faz por qualquer ministro ou por um gabinete, com algumas excepções, até mesmo no tempo de Moniz”. “A regra”, diz este jornalista,” é que qualquer decisão que um director tome implica verbas e isso já não depende do director mas da administração que o governo nomeou”.
Marques Mendes, por seu turno, reafirma que foi apenas no último executivo de Cavaco Silva que retomou os contactos profissionais com o director da RTP, mantendo com ele várias conversas, designadamente quando estava em curso o projecto do lançamento da RTP internacional. “Ele teve um papel muito importante nesse dossiê”, acrescenta.
O BOM E O MAU POLÍTICO
Sobre as pressões exercidas sobre os media do Estado, Marques Mendes defende uma tese: “Obviamente que qualquer responsável político, independentemente de estar no governo ou não, tenta sempre sensibilizar e convencer os jornalistas da bondade das suas ideias e das suas políticas. Quem não o fizer, é mau político. De modo geral, todos o fazem. Mas, os critérios políticos e critérios jornalísticos raramente coincidem. O bom critério de decisão é o respeito da autonomia e da esfera de cada um.”
Tanto quanto recorda, a saída de Moniz da televisão pública decorreu da vontade do próprio e não da administração – “que, aliás, fez todas as tentativas para o segurar”. Moniz explica que abandonou o canal público porque tinha chegado ao fim uma etapa da sua vida. “Pouco tempo antes de sair tinha recusado outros convites, nomeadamente ir para a TVI e até para me candidatar por uma força política para o Parlamento Europeu.” Mas recusa-se a adiantar a formação política em causa.
DESPESISMO E TRANSPARÊNCIA
Fontes próximas do actual director da TVI recordam que ele deixou a 5 de Outubro porque se sentiu “bastante ofendido e magoado com a forma como a administração o tratara”. Desde o início da década de 90 que a direcção de informação da RTP vinha sendo confrontada com acusações de despesismo e de uma gestão pouco transparente dos meios, suspeitas que viriam, aliás, a motivar a abertura de uma investigação do Ministério Público, que terminaria mais tarde arquivada por falta de indícios.
Em causa estavam, nomeadamente, suspeitas sobre as relações comerciais da Publisalão, uma empresa de Moniz e Adriano Cerqueira (então director do canal 2), com a RTP. Constituída em 1987, e ainda gerida por ambos os profissionais, a Publisalão é especializada na divulgação de salões automóveis. Moniz comenta o caso laconicamente, dizendo: “Quem não deve não teme. Isso só prova que a Justiça funciona”.
Quem o conhece de perto garante, no entanto, que Moniz não perdoaria ao conselho de administração da RTP a quebra de confiança, acabando por bater com a porta em Maio de 1994, numa altura em que a queda de audiências para a SIC era já uma realidade. E partiu para um novo projecto, fundando com a sua mulher, Manuela Moura Guedes, a MMM, uma produtora de conteúdos televisivos que vendeu ao canal público, entre outros programas, ‘A Mulher do Senhor Ministro’, uma ‘sitcom’ escrita por Ana Bola, e ‘86-60-86’, um programa de moda apresentado pela manequim Sofia Aparício.
PRÓXIMO DE BALSEMÃO
Datam também dos seus últimos anos na RTP, contactos estreitos com o patrão da SIC, Francisco Pinto Balsemão, que nunca escondeu o seu interesse em levar Moniz para Carnaxide. Contactos que estiveram na calha, mas que iam provocando uma rebelião na redacção da SIC.
Enquanto geria a MMM, Moniz guardava-se para um convite para a estação de Queluz de Baixo, que viria a acontecer em Setembro de 1997. Teria pela frente uma tarefa de leão. A TVI não só se encontrava numa desastrosa situação financeira, como era preciso pô-la a competir no mercado. Apesar de ainda nunca ter conseguido vencer a guerra anual das audiências, esteve à beira do sucesso no pico do ‘reality show’ ‘Big Brother’, fazendo da estação a mais vista durante largos meses.
AMIGOS PARA SEMPRE
Um dos primeiros contactos que Moniz estabeleceu nos quadros da televisão do Estado foi com Adriano Cerqueira, então chefe de redacção, com quem encetaria uma forte amizade que se mantém até aos dias de hoje. “Não comecei a trabalhar directamente com ele, porque entrou para uma área de projectos especiais. Eu fazia a informação diária”, explica Adriano à Correio TV. Mas, rapidamente se tornaram amigos. “Depois, quando ele passou a fazer os jornais, almoçávamos juntos, criou--se uma empatia entre nós. Nessa altura, também morávamos ambos em Alvalade. Trabalhávamos muito. Quando começámos a fazer o jornal de sábado nem se fala. Era uma espécie de semanário.”
Durante muitos anos, Moniz e Cerqueira partiam para férias partilhando a mesma casa, com as respectivas famílias, perto de Albufeira, no Algarve. Os filhos de ambos brincavam juntos. Hoje os contactos são mais fortuitos, mas pouco antes de Moniz ter partido para Cannes (França) – uns dias antes do episódio Marcelo – encontraram--se para almoçar. Entretanto, falaram algumas vezes pelo telefone.
Adriano Cerqueira define o seu amigo como “um homem inteligente, culto, obstinado, competente e muito teimoso”. E que gosta de “ser poderoso”, apesar de “ter a noção dos seus limites”.
FERVER EM POUCA ÁGUA
A ex-jornalista, antiga deputada do PSD e actual adida cultural de Portugal em Londres, Maria Elisa Domingues, que trabalhou algum tempo com Moniz na RTP, diz que o período que recorda melhor é a altura em que fizeram o programa ‘Prova Oral’, grandes entrevistas realizadas em duo, aproximadamente durante um ano e meio. “Dávamo-nos muito bem no programa, tínhamos conflitos normais, havendo às vezes pequenas tensões que rapidamente se desfaziam.” Moniz, diz Maria Elisa, podia ferver em pouca água – “eu também” -, mas, a posteriori, pedia desculpa. Recorda um episódio engraçado, na sequência de um desses desaguisados: “Para sanar um pequeno conflito, enviou--me um belíssimo ramo de rosas com um cartão.” De resto, considera que Moniz trabalhava bem os assuntos, aceitava ideias, funcionava bem em equipa.
Com a sua saída da RTP, na sequência de um conflito que opôs a jornalista à administração, num célebre processo com Margarida Marante e Maria Antónia Palla e que levou ao seu despedimento, Maria Elisa perdeu grande parte do contacto com ele, tendo-se dado inclusive um certo esfriamento nas suas relações. “Não porque ele tivesse tido alguma influência activa”, esclarece.
“DEMASIADO INTERACTIVO”
Um antigo jornalista da RTP, que prefere guardar o anonimato, apesar de discordar há muitos anos da linha editorial de Moniz, admite que “ele teve o mérito de convencer as administrações da RTP a utilizar novas tecnologias para produzir informação, com o recurso aos directos”. A mesma fonte garante que já nessa altura ele se mostrava “demasiado interactivo”, já que “exorbitava nas suas funções, não se coibindo de alterar a linha editorial traçada pelas chefias abaixo dele”. Quanto a manipulação governamental durante o reinado de Moniz na televisão do Estado, a mesma fonte admite que não se terá feito sentir, “pelo menos directamente”. “Recordo-me do caso da suspensão do Herman José devido a uma alegada afronta à Igreja e que levou à suspensão do programa. Mas isso ainda nem foi no tempo em que Moniz era director de programas. Quando ele assumiu esse cargo, em abono da verdade, foi ele que o reabilitou”, diz a mesma fonte.
Uma das críticas mais frequentes que é feita ao director da TVI, desde o tempo em que liderava a RTP é o facto de ser ’permeável’ à opinião das suas mulheres. Especialmente à de Manuela Moura Guedes, directora-adjunta do canal e sua mulher há 12 anos. Conta um dos seus antigos colaboradores, que “ela chegava a desautorizar as chefias em plena redacção jogando com o facto de ser casada com o director”. Moniz passa imune a estas críticas. “Apesar de as pessoas não terem coberturas de aço, fazemos por não misturar as coisas. Além disso, no dia-a-dia estamos de acordo nas coisas essenciais, e quando não estamos, as divergências são potenciadoras do trabalho.
O ‘OUTRO’ SOUSA TAVARES
Miguel Sousa Tavares (MST), que anunciou a sua permanência na TVI, depois das garantias de Moniz que a independência da estação não está em causa (após o caso Marcelo Rebelo de Sousa), é hoje um dos amigos do seu director-geral. Todavia, nem sempre foi assim. Em 1988, Sousa Tavares batia a porta da RTP, zangado com o então director de informação da estação pública. Como diria, dois anos mais tarde, em Maio de 1991, numa entrevista à extinta revista ‘K’, Sousa Tavares “enchera o saco até rebentar”. “Todos aqueles que lhe (a Moniz) faziam sombra foram despejados para o segundo canal, enquanto ele reinava sozinho no primeiro (...) era a Margaria Marante, o Barata Feyo,
o Joaquim Furtado para o canal pobre e sem meios, e ficava a ver os Jornais de Sábado com todos os meios técnicos e operacionais ao seu dispor. E pensei: não dou mais para este peditório...”, afirma na citada entrevista. Ainda sobre Moniz, MST afirmava há 13 anos que a RTP não existia. “Existe a TV do José Eduardo Moniz. Está ali para se servir e o preço que tem de pagar é servir o poder, seja o PS (que o meteu lá, não o esqueçamos...), seja o PSD ou outro qualquer. Este tipo de gente serve todos os regimes.” Mais à frente, Sousa Tavares frisa que “(...)com o Moniz, a informação andou 30 anos para trás (...)”. A Correio TV tentou confrontar MST com as suas antigas declarações sobre Moniz, com quem agora trabalha, mas do comentador obteve apenas uma resposta: “Não estou disponível para falar sobre os meus amigos”.
O INDEFECTÍVEL
Apesar de ser descrito como “muito amigo dos seus amigos”, o círculo de amizades de Moniz foi-se alterando por força do seu percurso. No seu núcleo mais estreito de amigos, visitas de casa, incluindo no monte que possui no Alentejo, destacam-se os concorrentes Judite de Sousa e José Rodrigues dos Santos, mas, sobretudo, o seu director-adjunto Mário Moura e respectiva família. Sobre o ‘chefe’, o número dois da TVI diz que “ele é muito pragmático, domina muito bem o audiovisual, mas que é extremamente centralizador, delegando poucas competências”. Moniz passa o dia e grande parte da noite ao telefone, informando-se do que se passa na informação e nos programas, ao ponto de enviar ‘sugestões’ para a régie durante a emissão da nova coqueluche da estação
de Queluz de Baixo, ‘A Quinta das Celebridades’. Moura conheceu Moniz na RTP em 1993/1994, mas a sua amizade sedimentou-se já na TVI. “Jantamos todas as sextas-feiras, com um pequeno grupo de seis a oito pessoas”.
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