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Correio da Manhã

Tv Media
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Símbolo da politica moderna

Os debates eleitorais na TV são, cada vez mais, os momentos culminantes da estratégia dos partidos políticos. Num ambiente neutro, os líderes partidários esgri-miram argumentos. E os espectadores responderam, ainda não com votos, mas com audiências.
18 de Setembro de 2009 às 00:00
Símbolo da politica moderna
Símbolo da politica moderna

A televisão substituiu os comícios como forma de chegar aos eleitores. E o debate televisivo é o símbolo da política na idade moderna. Não surpreende, por isso, que os partidos políticos joguem quase todos os seus trunfos no pequeno ecrã, em vez de se desgastarem em outras formas de propaganda. Tornou-se um ritual da televisão portuguesa em véspera de eleições. É claro que é um debate eleitoral fictício: só os partidos com representação parlamentar participaram nestes encontros organizados pela RTP, pela SIC e pela TVI.

Depois, há uma forte gestão de temas e de tempo, o que limita a acção de quem interroga. Desta vez escolheu-se um território independente onde todos os debates se realizaram, com uma decoração sóbria e uma boa iluminação, mas, claramente, com uma mesa excessiva. As únicas coisas que mudaram foram as entrevistadoras. Cada uma com o seu estilo muito próprio (e conhecido). Judite de Sousa, Clara de Sousa e Constança Cunha e Sá conduziram bem as entrevistas, embora as duas primeiras tenham revelado uma eficácia típica de quem está mais habituada a jogar com o pequeno ecrã. Alguns dos debates foram maçadores, outros estimulantes (o entre Paulo Portas e Manuela Ferreira Leite pareceu o mais conseguido em termos de retórica televisiva) e alguns ficaram abaixo do que se esperaria (o mais notório, nesse aspecto, foi o entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, embora Clara de Sousa tenha feito um trabalho muito interessante).

É claro que, como se viu, os debates são erróneos: cada candidato responde a cada questão com um ‘soundbite’. Isto é: raramente se debate um assunto, e normalmente ganha quem se preparou melhor, teve um melhor trabalho do ‘staff’ e tem mais convicção e aparente credibilidade cada vez que fala. Algo que não deixou de ser extremamente interessante foi a audiência média dos debates, o que mostra o interesse que o debate político, e estas eleições em especial, despertaram. Se o modelo é redutor, porque não abre janelas para outras ideias para além das que se escutam no Parlamento, o resultado não deixou de ser muito interessante. Se foi convincente, é outra história.

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