Joaquim de Almeida, Helena Costa e Nuno Lopes são alguns dos nomes a figurar entre os cerca de 100 actores presentes em séries da RTP 1 sobre a implantação da República.
Ficção histórica, documentários, minisséries e docudramas constituem a oferta da RTP para celebrar o centenário da República Portuguesa, fundada a 5 de Outubro de 1910. A RTP 1 ficou com os projectos de reconstituição histórica, enquanto a RTP 2 herdou os formatos de documentário, "num investimento que ultrapassa os 800 mil euros", diz Jorge Wemans, director do segundo canal.
O primeiro canal desafiou produtores e realizadores externos para desenvolverem quatro miniséries com conteúdos diversos sobre o acontecimento marcante da sociedade portuguesa que pôs fim à Monarquia e implantou a República. "Trata-se de um investimento elevado da RTP, provavelmente um dos maiores, mas também não é vulgar este tipo de produção", diz José Fragoso, director de Programas da RTP 1. "Diria até que é um acontecimento histórico fazer um conjunto de séries que têm a ver com a nossa matriz cultural colectiva. São oito horas de ficção de grande qualidade. Sendo que a ficção histórica não é produzida com regularidade em Portugal", afirma o responsável. Fragoso diz ainda que o canal público "aguarda o apoio do FICA [Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual]", mas o presidente da empresa pública garante que havia orçamento para estes projectos. "Houve uma opção no início do ano, de ter margem orçamental para apoiar projectos que fossem, inequivocamente, de serviço público, como acho que estes são. Mas tenho de referir que contámos ainda com o apoio da Comissão Nacional para as Comemorações da República", revela Guilherme Costa.
‘República', realizada por Jorge Paixão da Costa; ‘O Segredo de Miguel Zuzarte' e ‘A Noite do Fim do Mundo', de Henrique Oliveira; e ‘Noite Sangrenta', dos realizadores Tiago Guedes e Frederico Serra, são as quatro minisséries, de dois episódios cada, a emitir durante Outubro. Na sua totalidade, estes projectos mobilizaram cerca de sete realizadores, 100 actores e mais de uma dezena de historiadores.
‘República' estreia já no dia 4 e tem como protagonistas Joaquim de Almeida, Helena Costa e Pedro Lamares, apoiados por um elenco de luxo. Um triângulo amoroso é o fio condutor de uma narrativa que se centra nos acontecimentos de 3 a 5 de Outubro de 1910, cuja autenticidade da imagem é assegurada pelo director de fotografia Elemér Regalyi (premiado com um Emmy). A série conta a história de Luísa (Helena Costa), uma jovem burguesa que se torna marquesa ao casar com Henrique (Joaquim de Almeida), um homem autoritário, monárquico convicto. Luísa vê a sua felicidade em causa quando começa a questionar se os republicanos não estão certos no que reclamam. Quando o seu casamento começa a desabar, conhece Carlos da Palma (Pedro Lamares), um jovem oficial que pertence a um grupo de pensadores com uma nova visão para Portugal. A paixão proibida toma lugar, precisamente num momento em que a Maçonaria planeia um golpe militar para instaurar a República e afastar o rei D. Manuel II (Sisley Dias).
‘O Segredo de Miguel Zuzarte', com estreia marcada para dia 9 de Outubro, conta com Ivo Canelas, Luís Alberto e Ana Nave. Este projecto, desenvolvido a partir do romance de Mário Ventura, tem por cenário uma pequena aldeia do Baixo Alentejo. A 4 de Outubro de 1910, Miguel (Ivo Canelas) chega a São Lourenço. A vida do jovem telegrafista de Lisboa, convicto monárquico, muda para sempre no seu primeiro dia de trabalho. A 5 de Outubro recebe a notícia de que a República acaba de ser implantada. Em desespero, corta os fios da máquina e decide que ali, àquela pequena aldeia do Alentejo cuja ligação à capital depende do telégrafo e do comboio, a notícia nunca vai chegar. Mas as gentes da terra estranham a ausência de notícias e do comboio... Miguel vive dias de agonia, até porque Elsa Remédios (Ana Nave) é inteligente e as suas ideias republicanas vão dar trabalho ao jovem.
Segue-se ‘A Noite do Fim do Mundo', um projecto com base no ensaio do historiador Joaquim Fernandes sobre a leitura da imprensa portuguesa de 1910 relativa ao fenómeno da passagem do cometa Halley. A história centra-se na vida de um jornalista de província, David Pereira (João Têmpera), que vai trabalhar para Lisboa com vista a elaborar 15 artigos sobre os dias que antecedem a anunciada colisão. Estamos em Maio de 1910 e o País está em sobressalto político pela eminente implantação da República. É neste ambiente, em que se cruzam histórias diversas, com personagens peculiares, que David fará a leitura do duplo acontecimento. Na pensão da D. Emília (Maria João Abreu) conhece personalidades intrigantes como o aposentado capitão Resende (Sinde Filipe). David conhece também a cantora de teatro Leonor (Sofia Duarte Silva), por quem se apaixona, mas esta tem uma relação secreta com o ministro do Reino (Marques D'Arede).
A encerrar este ciclo de ficção história: ‘Noite Sangrenta', que reporta à noite de 19 de Outubro de 1921. Os tempos são conturbados na sequência da deposição de mais um governo, são assassinadas algumas figuras políticas e militares, incluindo heróis da revolução como Machado Santos (Diogo Infante) e Carlos da Maia (Ricardo Aibéo) por uma milícia de marinheiros e guardas-republicanos. Os cabos Abel (Gonçalo Waddington) e Heitor (Nuno Lopes) são os soldados que lideram o movimento, sendo que é o primeiro que denomina aquela noite de ‘sangrenta' e ainda quem de perto acompanha a demanda da viúva Berta da Maia (Isabel Abreu). Esta não descansa enquanto os assassinos e os mandatários não respondem perante a justiça pelo crime cometido. As sessões de tribunal são das mais apaixonantes, com Miguel Guilherme no papel de Óscar Carmona.
Na RTP 2 as celebrações do centenário da República começaram ainda em Setembro com documentários históricos. Hoje, 1 de Outubro, é emitido o último episódio de ‘Nós, os Republicanos'. ‘República: Os Dias do Fim' é o docudrama duplo com estreia marcada para os dias 4 e 5 de Outubro, cujo rigor é assegurado por vasta equipa de historiadores, entre os quais Rui Ramos, Irene Pimentel, João Carlos Barradas e Eduardo Lourenço. Para retratar momentos marcantes vividos por algumas das mais emblemáticas personagens da História, o realizador João Osório recorreu a um naipe de 14 actores, entre eles Hugo Sequeira (Machado Santos) e Joaquim Guerreiro (José Relvas), para a dramatização. ‘Maçonaria: A Conspiração da República' e ‘Os Presidentes' são outros documentários agendados para exibição na RTP 2. Bem como a série documental de 60 episódios ‘As Memórias da República'."Um olhar contemporâneo graças ao contributo de um grupo de universitários, recorrendo a documentos existentes e outros novos", explica a propósito José Wemans, director de Programas da RTP 2.
A SIC e a TVI ainda não têm as grelhas definidas para comemorar o 5 de Outubro de 1910. É na SIC Notícias e na TVI 24 que se seguirá de perto as Cerimónias Oficiais das Comemorações do Centenário da República, na praça do Município, com a presença do Presidente da República, Cavaco Silva, e do primeiro-ministro, José Sócrates. "Vamos ter uma emissão especial ao longo do dia e na emissão da noite, mas ainda não temos nada fechado", disse à Correio TV José António Teixeira, director da SIC Notícias. O canal de notícias de Queluz de Baixo tem ainda previsto "vários debates com convidados, bem como entrevistas" que deverão ser conduzidas por Constança Cunha e Sá e Pedro Pinto.
'MEMÓRIAS DA REPÚBLICA'
Série documental de 60 episódios, com a duração de cinco minutos, baseada na iconografia da I República, parte da qual cedida pela Cinemateca. A série retrata o quotidiano de 1920 a 1926, um projecto da produtora Até ao Fim do Mundo, com a colaboração dos historiadores Luís Farinha, Maria Alice Samarra, António Reis e António Ventura.
'MAÇONARIA'
‘Maçonaria: A Conspiração da República' conta as conspirações e as irmandades secretas que conduziram ao êxito da revolução.
'OS PRESIDENTES'
A RTP 2 encerra este ciclo com a série documental de cinco episódios ‘Os Presidentes'. Uma produção da BraveAnt e realização de Rui Pinto de Almeida que dará a conhecer quem foram os eleitos pelo povo ao longo destes 100 anos de República para o mais alto cargo da Nação.
"SOU UM HERÓI DA REVOLUÇÃO"
Diogo Infante é, a par de Miguel Guilherme, convidado especial na minissérie ‘Noite Sangrenta'. "Sou um dos heróis da República, um dos protagonistas da revolução de 1910, que é morto sem apelo nem agravo por uma milícia", explica à ‘Correio TV' sobre a sua personagem (Machado Santos). "É uma série que retrata factos que fazem parte de uma memória colectiva".
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