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Correio da Manhã

Tv Media
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Teresa Guilherme precisa de recorrer a vedetas

Uma coisa é certa: Teresa Guilherme não terá tarefa fácil no relançamento da ficção nacional da SIC. Pelo menos a constatar pelas opiniões de Fernando Sobral e João Gobern, críticos de televisão. A aposta em rostos conhecidos da representação e a criação de formatos idênticos à série ‘Jornalistas’ podem ser os caminhos a percorrer.
7 de Novembro de 2005 às 00:00
A produtora Teresa Guilherme terá de encontrar um caminho próprio – dizem os especialistas
A produtora Teresa Guilherme terá de encontrar um caminho próprio – dizem os especialistas FOTO: Tiago Sousa Dias
“A Teresa está há muitos anos no mercado e com facilidade poderá ir buscar algumas pessoas que possam ser cabeças-de-cartaz. A TVI fez isso muito bem. Ela terá de conseguir arranjar duas ou três pessoas que possam ser imagem de marca de uma nova estratégia da SIC, para, depois, começar a criar segundas linhas que possam substituir, a pouco e pouco, essas pessoas”, entende Francisco Sobral.
Já Francisco Moita Flores acredita que, se o rumo da nova directora de ficção de Carnaxide for produzir séries como ‘Jornalistas’, “vai provocar fortes danos, sobretudo nas novelas. É sempre bom ver duplicar o número de ficção portuguesa e é uma forma de mobilizar mais actores, argumentistas e realizadores”, refere o autor e presidente da Câmara de Santarém, adiantando que “é importante afirmar a ficção nacional nos três canais”.
As novas apostas, que surgirão em 2006, segundo Sobral e Gobern, não farão “a nova SIC”, como o director de programas, Francisco Penim, pretende. Fernando Sobral e João Gobern consideram que 2006 será um ano de transição. “Ainda será um ano de contagem de espingardas. É curto o espaço de tempo, sobretudo porque os dois formatos que, neste momento, garantem audiências – ‘reality shows’ e novelas’ – são domínio da TVI”, diz Gobern, corroborado por Sobral, que reforça: “Pode haver uma tendência de inversão de resultados. Mas não é fácil partir do zero, que é o caso da SIC.”
A tarefa de Teresa Guilherme será encontrar um formato à altura. “A novela é um terreno com a bandeirinha da TVI. A certa altura, a SIC deu a sensação de querer investir numa ficção ligada à actualidade e a casos da vida social portuguesa, como é exemplo ‘Capitão Roby’. Ir por aí, talvez não fosse uma má escolha”, sublinha Gobern.
Sobral considera que a produtora terá “de criar um conceito que não seja uma Rank Xerox da TVI”. Ideia apoiada por Gobern, aconselhando Teresa Guilherme a “descobrir um caminho próprio, porque sabemos que o imitar nunca dá bom resultado”.
Mas há outro problema: e as produções da Globo? “Há um peso grande de programação por parte da Globo. A ‘guerra’ central, creio, será o ‘prime-time’. Admito que haja acordos fortes entre a SIC e a Globo para que as novelas ocupem parte central do ‘prime-time’. Resta saber até que ponto existirá essa inversão de tendência, como poderá ela conquistar algum espaço em que não sejam só programas de humor”, lembra ainda Sobral.
A VOZ DOS APRESENTADORES
"ATREVIMENTO E CORAGEM" (Herman José)
O humorista, para quem a produtora “é uma corredora de fundo” e “um talento natural para a produção”, diz que no audiovisual “não há regras. Só concentração, trabalho, atrevimento e coragem para arriscar. E, claro, saber manter os olhos bem abertos para melhor entender os caprichos do nosso patrão inconstante e mimado: o público”.
"EXIGÊNCIA E ENTUSIASMO" (Pedro Miguel Ramos)
Pedro Miguel Ramos, que co-apresentou os ‘Big Brother’ com Teresa Guilherme, considera-a “uma profissional exigente e das poucas que sabe ensinar. O convite que lhe dirigiu a SIC veio na altura certa. A Teresa vai, com certeza, entregar-se, uma vez mais, com todo o seu entusiasmo e sair vencedora”, refere.
SÉRIE 'JORNALISTAS' ATINGE SUCESSO EM 1999
Quando, em 1999, a empresa de Teresa Guilherme produziu, para a SIC, a série ‘Jornalistas’, a ficção nacional deu um impulso positivo à estação de Carnaxide. Com um elenco de luxo, encabeçado por Fernando Luís, Sofia Alves, Rita Salema, João Cabral, Paulo Pires, Fernanda Serrano e Adelaide de Sousa, a produção teve na estreia, a 25 de Fevereiro desse ano, uma audiência média de 20,6% – foi vista por mais de dois milhões de telespectadores – e um ‘share’ de 50,9%.
Um ano e dois meses depois, o último episódio da série, que se passava na redacção de um jornal, terminou com uma audiência de perto de 1,5 milhões de espectadores. Estávamos então a 21 de Maio de 2000.
Durante o tempo em que ‘Jornalistas’ esteve no ar, os valores não sofreram muitas oscilações. O pior resultado foi obtido na recta final, a 29 de Março de 2000, com uma assistência de mais de 650 mil espectadores (correspondente a uma audiência média de 7,2%). Já o seu ‘share’ foi muito coeso, rondando sempre os 50%. O pior número foi 32,3% (a 12 de Abril de 2000).
Rita Salema recorda os tempos em que trabalhou com a produtora na série. “‘Jornalistas’ foi uma grande produção. A Teresa tem muito bom gosto e isso é fundamental”, considera, referindo que a contratação da produtora “será boa até para todos os canais. É mais uma estação a fazer ficção nacional e fico feliz por saber que a SIC o vai fazer”.
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