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Correio da Manhã

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TERRAMOTO NA TV BRITÂNICA

Depois de um ano controverso, a televisão pública britânica prepara a mudança. Uma escola de jornalismo vai ajudar a criar um estilo mais ético na BBC.
3 de Julho de 2004 às 00:00
Considerada a jóia das televisões mundiais, a BBC tem sido notícia por razões alheias à qualidade que sempre pautou as suas produções. Passados cinco meses sobre a crise provocada pelo relatório Hutton, uma investigação sobre a morte do cientista David Kelly e que teve como consequência imediata vários despedimentos, a estação pública britânica foi obrigada a criar novas regras de actuação.
O novo director-geral, Mark Thompson, de 46 anos, já fez saber que quer “aprender com os erros do passado e evoluir, minimizando as hipóteses de repetir estes erros”, disse poucos dias depois de ter entrado em funções. Thompson deixou o lugar de editor executivo no Channel 4 – que exibe uma das grelhas de programação mais polémicas do Reino Unido - para tomar as rédeas à estação pública em substituição de Greg Dyke.
Para já, as medidas mais imediatas de Thompson são a criação de uma escola de jornalismo e a atribuição de um papel mais activo aos editores, responsabilizando-os por tudo o que é noticiado pela estação.
No que respeita à escola, uma das mais- -valias da estação britânica, a nova BBC está disposta a dispender milhões de libras para criar uma academia que deve estar a funcionar dentro de 18 meses. Esta escola destina-se, essencialmente, a formar jornalistas da estação mas pode receber profissionais de outros canais, desde que estes aceitem os mesmos princípios éticos. E esses são muito claros. As decisões editoriais passam a ser acompanhadas por advogados, a recolha de informação feita pelos jornalistas tem de ser mais rigorosa e aos jornalistas é exigida formação técnica e moral.
Na palavras de Thompson, imparcialidade, independência e servir o interesse público são as leis vigentes na nova BBC. O que não deixa de ser curioso para um jornalista que ajudou o Channel 4 a subir audiências à custa de ‘reality shows’ de gosto duvidoso e agora regressa à casa onde trabalhou durante mais de 20 anos.
O CASO KELLY
A polémica surgiu com uma peça assinada por Andrew Gilligan, e emitida pela BBC, que acusava o cientista David Kelly de ter falsificado provas sobre as armas de destruição maciça no Iraque de Saddam Hussein. O caso assumiu proporções extraordinárias e, depois de ter criado uma grave crise no governo britânico, acabou por ser a BBC a ter de assumir a responsabilidade da notícia.
MERCADO ÁRABE
A BBC quer entrar no mercado árabe, até agora liderado pela estação televisiva do Qatar, a Al-Jazeera. A ideia é lançar um canal de 24 horas de notícias em árabe e partiu do próprio Ministério britânico dos Negócios Estrangeiros, que pretende competir com as estações árabes que emitem via satélite e que não se adequam com os modelos ocidentais. O canal terá um custo aproximado de 42 milhões de euros e será emitido para o Médio Oriente e Europa.
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