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Correio da Manhã

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TODOS À PANCADA

As gravações de “Campeões Nacionais”, o novo programa da SIC que arranca depois de amanhã (dia 21), acabaram numa cena de pancadaria entre as claques que apoiavam as duas cidades concorrentes, Setúbal e Porto. A tensão começou no início do jogo e foi em crescendo até ao final, que deu a vitória à equipa sadina.
19 de Junho de 2003 às 00:00
Já as duas equipas tinham recolhido aos bastidores para trocar de roupa e as câmaras da SIC estavam desligadas quando o que mais se temia aconteceu mesmo. Os adeptos portuenses, descontentes com a derrota, partiram para a agressão física, prontamente sanada graças à intervenção da Polícia Municipal que se encontrava no recinto.
Reposta a ordem, concorrentes e apoiantes foram encaminhados para os respectivos autocarros e rumaram às suas cidades, não sem antes terem trocado insultos e palavrões.
O comissário de serviço disse ao CM que “não havia motivo para actuar de uma forma mais repressiva, até porque nem sequer foram formuladas queixas, quer por injúrias, quer por ofensas corporais”.
Certo é que os problemas surgiram logo na primeira prova, que começou a ser gravada pelas 21h30, e que vai para o ar dia 28. O jogo do Apanha consistia em agarrar objectos suspensos de um chapéu de sol com os pés apoiados num tapete que era puxado pelos adversários. Mas a exclusão, na contagem final, de alguns objectos apanhados pelas duas equipas, levou a claque portuense a protestar contra os juízes da prova com mimos do tipo “ladrões e gatunos”.
No segundo jogo, as duas equipas foram eliminadas da prova Desafio, que consistia em subir uma rampa de oito metros à força de braços. Os tripeiros responderam com mais uma série de insultos, até mesmo contra a equipa adversária, o que levou o apresentador João Baião a chamar a atenção da claque, frisando que se tratava de um “jogo, cujas regras são para seguir à risca”.
Mas foi Jorge Gomes, que pela primeira vez dá a cara num programa de TV – após dez anos a fazer voz off na SIC – o principal visado já que tinha a ingrata missão de juiz das provas. “’Tá calado ó Palhaço” foi apenas a frase mais simpática com que foi mimado pelos apoiantes do Porto. Perante a exaltação, o juiz teve mesmo de pedir para não usarem palavrões, uma vez que estava a ser gravado um programa de entretenimento, mas a língua continuava solta e afiada.
Curiosamente, no final das provas físicas e de destreza o Porto levava vantagem mas as perguntas de cultura geral acabaram por dar a vitória a Setúbal.
JOGOS DE VERÃO
O novo concurso da SIC, que recupera o famoso formato de “Os Jogos Sem Fronteiras”, tem oito provas físicas e de destreza, sendo apenas duas delas obrigatórias – Desafio (subir a braços uma rampa de 8 metros), e Splash (deslizar de barriga sobre uma pista com espuma)–, em todas as 13 edições.
A selecção dos concorrentes, 20 para cada equipa representante de uma cidade do País, é feita pelas divisões de Desporto e Cultura das respectivas Câmaras Municipais. No final, é apresentado um questionário com perguntas de cultura geral que englobam os temas desporto, história, geografia, arte e cultura e vida contemporânea.
JOÃO BAIÃO: SOFRO COM TODO ISTO
Correio da Manhã – Como estão a decorrer as gravações?
João Baião – O programa está a ser uma grande festa e conta, sobretudo com uma grande participação das claques. As que ganham saem daqui sorridentes e aos gritos e as que perdem saem de rastos e furiosas.
– O que pensa destes incidentes entre as claques de apoio às equipas concorrentes?
– Isto é sempre assim, é como um jogo de futebol, hoje foi o Porto ontem foi a Figueira da Foz (que concorreu contra Lisboa e perdeu). Há sempre alguém que tem culpa, ou é o árbitro ou o treinador... Ninguém gosta de perder, nem eu. Importa é que este jogo seja uma competição saudável, divertida, alegre e bem disposta. Tem que ser uma festa.
– Estas cenas afectam-no de alguma maneira?
– Sofro muito com tudo isto e já sofri ontem por causa da reacção da Figueira da Foz e hoje passa-se o mesmo com o Porto... É um processo que eu tenho que aprender a digerir porque começo a ficar fora do programa. Assustei-me ao dar por mim a querer saber das queixas das pessoas e comecei a ficar preocupado porque podem magoar-se. Às tantas, tudo isso transparecia na minha cara. E eu não posso deixar que isso aconteça. Tenho que continuar dentro do programa e contra-balançar as coisas. Sou incapaz de me alhear do que está a acontecer à minha volta. Temos que ser racionais, ponderar e sobretudo dominar a situação.
– Que saldo faz deste regresso à SIC?
– Estou mais uma vez a trabalhar numa coisa que, nesta altura, nenhuma televisão está a fazer. Aconteceu o mesmo quando estive na RTP, o que, naturalmente, não quer dizer que seja uma ideia original, mas é nova. Agora as televisões apostam noutro tipo de programas e eu volto a ter a sorte de apostar em algo que ninguém mais está a fazer que é este formato.
– E como está a ser a relação com os seus companheiros de trabalho, Sílvia Alberto, Marisa Cruz, Liliana Campos e Jorge Gomes ?
– Eles são óptimos, quer a nível pessoal quer profissional. Os portugueses trabalham como mais ninguém no mundo. Infelizmente, em televisão temos pouco tempo para ensaios e de repente tenho quatro pessoas ao meu lado com quem nunca tinha trabalhado nestes moldes, quase sem nos conhecermos profissionalmente, e é fantástico como as coisas se começam a conjugar naturalmente. De facto nós a trabalharmos sem rede somos extraordinários.
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