Tozé Martinho deixa de escrever

A NBP dispensou Tozé Martinho do argumento de ‘Dei-te Quase Tudo’. O autor da recém-estreada novela da TVI contou ao CM que a produtora resolveu afastá-lo da escrita por não dar vazão ao volume de textos pedidos. Cabe-lhe agora a responsabilidade de “rever os diálogos”.
23.12.05
  • partilhe
  • 0
  • +
“A determinada altura, a NBP começou a fazer uma maior pressão na entrega dos textos e as minhas colaboradoras [duas] não conseguiram...”, conta o também advogado, lembrando ainda que lhe foi proposto a nomeação de quatro pessoas para assumir o argumento. “Depois de muita pressão, aceitei”, confessa.
Segundo o CM apurou, é muito comum uma produtora pressionar os autores das novelas para apressarem a entrega dos textos. Isto porque a produção depende deles. Em ‘Ninguém como Tu’, por exemplo, Rui Vilhena, que acumulava a função de autor com a de guionista, liderava uma equipa de três argumentistas. E, se no arranque da novela o ritmo podia ser mais desafogado, nos últimos três ou quatro meses, já com a novela no ar, a pressão aumentou. De três a quatro episódios por semana, a equipa de argumentistas passou a ter de entregar seis a sete.
Recorde-se que, dos previstos 120 episódios, foi pedido aos autores que fizessem mais 60. Após a estratégia da TVI de ‘esticar’ a novela – para aumentar o suspense sobre o assassino de ‘António’ (Nuno Homem de Sá) –, ‘Ninguém como Tu’ passou para os 185 episódios.
Em ‘Dei-te Quase Tudo’, Tozé Martinho escreveu até ao episódio 75. A partir daí, os textos começaram a ser feitos sob a responsabilidade da NBP, passando, em seguida, pelo olho clínico do autor.
“Não me desliguei do texto. A história é minha, mas os diálogos são escritos por eles e eu revejo. Ou seja, dito os caminhos”, afirma, realçando que gosta mais “de estar por dentro da história”. Mas a NBP não o quis assim.
Triste com o sucedido, Tozé Martinho revela não “ter ressentimentos” para com a ‘fábrica’ de ficção nacional. “Tenho pena que isso tenha acontecido, porque é como se me tivessem tirado um filho e o entregassem a outra família”, refere, adiantando que a tarefa actual “não é a mesma coisa” que estava habituado a fazer. “Mas, enfim, continuo a dar o que posso”, diz, acrescentando: “Temos de nos adaptar às circunstâncias.” O CM tentou obter a posição da NBP, mas não lográmos o contacto com o director-geral, João Dinis.
PERFIL
Aos 58 anos, Tozé Martinho tem uma longa carreira ligada à escrita. O agora advogado – formou-se recentemente – foi, até Julho deste ano, director do Curso de Formação de Actores da Universidade Moderna de Lisboa, assumindo as mesmas funções na Lusíada. Durante dois anos foi director de programas da RTP-USA, em Newark. Na televisão, são muitas as obras em que participou como actor, autor, produtor e realizador. Entre muitas delas, destacam-se ‘A Visita da Cornélia’ (1977), com Raul Solnado, ‘Vila Faia’ (1981) – a primeira telenovela portuguesa –, a série ‘Gente Fina é Outra Coisa’ (1982), ‘Origens’ (1983), ‘Ricardina e Marta’ (1989), ‘Roseira Brava’ (1995), ‘Todo o Tempo do Mundo’ (1999), ‘Olhos de Água’ (2001) – obteve elevados índices de audiência –, ‘Amanhecer’ (2002), ‘A Baía das Mulheres’ (2004) e ‘Dei-te Quase Tudo’ (2005). No teatro, participou em ‘Helena a Terrível’ (1983), ‘Casar Sim, Mas Devagar’ (1984), ‘O Rei D. Sebastião’ (1985). Produziu, este ano, a peça ‘Pijama para Seis’. ‘L’ Enfant du Silence’ (1996) e ‘O Inimigo Sem Rosto’ (2005) são dois títulos que constam do seu currículo cinematográfico. Tozé Martinho tem ainda dois livros publicados: ‘Coisas do Dinheiro’, com editorial cognitivo de Marcelo Rebelo de Sousa e Carlos Barbosa (1983), e ‘Dá-me Apenas Um Beijo’ (2003).
QUATRO LIDERA AUDIÊNCIAS COM FUTEBOL
Mais de 1,6 milhões de espectadores assistiram anteontem ao V. Setúbal-Benfica. O jogo da Liga Portuguesa de Futebol contribuiu para a liderança da TVI nas audiências. A Quatro ocupou ainda mais três lugares na tabela de programas, com ‘Morangos com Açúcar – Férias de Natal’, no segundo posto, seguido de ‘Jornal Nacional’ e dos comentários sobre a ronda futebolística. A RTP 1 conseguiu colocar o ‘Telejornal’ na quinta posição.
Destaque ainda para as novelas. A estação de Carnaxide exibiu um episódio especial da brasileira ‘Belíssima’ (garantiu o oitavo lugar) no dia em que a TVI retirou da grelha ‘Dei-te Quase Tudo’ e encurtou o diário de a ‘1.ª Companhia’, não dando as nomeações por causa do futebol. ‘Mundo Meu’ foi a única novela que a estação colocou no ar. A TVI ganhou o dia, com um ‘share’ de 35,1% contra 24,6% da SIC e 22,2% da RTP 1.

pub

pub

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!