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Correio da Manhã

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TV amplia drama do foro privado

Um crime do foro privado ganhou um alcance público que surpreendeu o Mundo. Jornalistas, sociólogos, psicólogos, criminalistas e cidadãos comuns seguem com atenção este acontecimento que hipnotiza audiências e domina os blocos informativos das cadeias de TV, as páginas dos jornais e as rádios. O tema, despoletado há quatro meses, promete continuar na agenda do dia.
14 de Setembro de 2007 às 00:00
TV amplia drama do foro privado
TV amplia drama do foro privado FOTO: d.r.
Para Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão, estamos diante de um caso “extraordinário” que provou que a opinião pública estava certa quando se interessou por ele. “As elites têm de dar o braço a torcer”, diz o conhecido crítico. Este “fascinante” caso tem tido, segundo Eduardo Cintra Torres, não uma mas “várias coberturas” jornalísticas. Da tablóide à de referência, o tratamento jornalístico “varia de acordo com o País e o tipo de Media”.
João Gobern, jornalista e crítico de televisão aponta igualmente a postura dos tablóides ingleses que “aproveitaram a situação para puxar pelo sensacionalismo e pela circunstância de haver pouca resposta da Polícia de um País supostamente subdesenvolvido”. Um “nacionalismo exagerado” e a tendência para os Media se “substituírem às instâncias judiciais”, são, para Eduardo Cintra Torres os dois “perigos” na cobertura do caso ‘Maddie McCann’. “Os órgãos de informação querem resultados imediatos e os tribunais precisam de tempo. Os jornalistas devem evitar a todo o custo fazer julgamentos”, alerta.
À parte o exagero da cobertura jornalística dada ao caso, Eduardo Cintra Torres faz questão de sublinhar que mesmo a imprensa anglo-saxónica de referência revela “alguma fragilidade” por desconhecer o sistema judicial português. Uma situação que penaliza a informação veiculada aos seus leitores e telespectadores. Apesar da importância do caso, os dois críticos de TV lamentam o excesso de informação.
”Fez-me confusão ver muitos jornalistas plantados à porta dos McCann a repetir o que tinham dito 24 horas antes, 48 horas antes, 72 horas antes... parecia que o facto de não haver novidades era o que mais alimentava a especulação”, afirma João Gobern. E acrescenta que “a insistência na cobertura e a impreparação de alguns jornalistas tornou a comunicação social portuguesa permeável à crítica”. O caso ‘Maddie’ vai continuar na ordem do dia, “porque estão em causa várias credibilidades”, diz João Gobern. “A da Polícia Judiciária e dos meios de comunicação social portugueses, alguns dos quais já tiveram de dar alguns golpes de rins”, acrescenta.
Numa reflexão sobre o papel dos Media, Eduardo Cintra Torres explica por que é pertinente para as sociedades a cobertura deste tema: “É através dos casos particulares que as sociedades vão discutindo temas como o amor, o casamento, o homicídio... Nós não dissertamos sobre o amor, mas discutimos sobre casos concretos do amor. Não dissertamos sobre o casamento ou o homicídio, mas sobre alguns casamentos e ocorrências concretas de homicídio. E o caso ‘Maddie’ permite-nos uma série de discussões nomeadamente a relação com os Media, que soluções arranjam os pais para os filhos quando querem sair à noite...”.
OS CASOS
BBC POLÉMICA
Estação pública de televisão e canal de referência na Grã- -Bretanha, a BBC foi obrigada a tirar do ar um programa sobre o caso ‘Maddie’. ‘O casal McCann é ou não culpado?’, esta era a questão colocada no programa que contaria com a participação telefónica dos telespectadores. Mas esta ousadia da BBC apelidada de ‘mau gosto’ acicatou a fúria do público e levou à súbita suspensão do programa.
PRÓS E CONTRAS
‘Onde está Madeleine?’, foi o tema do ‘Prós e Contas’ realizado pela RTP em Maio. O programa obteve uma audiência média de 8,8% e um share de 31,7%. Na semana passada, o canal público desenvolveu o tema e ‘Maddie. Quem são os Culpados’ teve ligeira quebra com 8,6% de audiência média e 30,5% de share.
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