TVI quer ser uma fábrica de sonhos

Nove anos depois da estreia de ‘Todo o Tempo do Mundo’, a novela que ajudou a reabilitar a ficção portuguesa, José Eduardo Moniz, director-geral da TVI, foi a Trás-os-Montes apresentar ‘A Outra’, que estreia dia 24, e lembrar, em voz alta, que a estação de televisão que lidera as audiências é dona de um ‘know how’ invejável que tem feito “despertar talentos na área da representação, da realização e da autoria.” Como ‘Todo o Tempo do Mundo’, ‘A Outra’ é assinada por Tozé Martinho, que integra também o elenco desta nova aposta da TVI na ficção.
21.03.08
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TVI quer ser uma fábrica de sonhos
O grandioso elenco de ‘A Outra’, que estreia dia 24 Foto Vítor Mota

“Esta novela vem reforçar a presença da estação e da NBP no mercado audiovisual português. E representa um novo salto na ficção. Foram nove anos de novelas, sempre em progressão”, afirma José Eduardo Moniz, que quando chegou à TVI a estação não tinha mais de 13 % de share.


Gravada em Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor, ‘A Outra’ volta a ter a ambição das últimas produções da TVI: “Aproximar os portugueses” e mostrar-lhes o País porque “ a maior parte não o conhece”.  “Eu sou ilhéu e senti o efeito do isolamento”, confessou José Eduardo Moniz aos transmontanos.

 

No ano em que a estação está a comemorar 15 anos de actividade, ‘A Outra’ reúne um elenco de peso que vai dar corpo a uma história de amor e vingança. Às imagens de Moçambique, onde o enredo começa e se adensa, vão juntar-se imagens bucólicas das aldeias, praças e pelourinhos transmontanos, rebanhos, vinhas, amendoeiras e castanheiros...


“Somos uma fábrica de sonhos e devemos ir atrás dos sonhos”, frisa o director-geral da TVI explicando que, num País cuja paisagem “se vai degradando”, a produção de ‘A Outra’ conseguiu descobrir cenários “paradisíacos” que vai começar a mostrar aos telespectadores a partir de segunda-feira.

 

Em Vila Flor, actores e equipa técnica da NBP assentam arraiais numa das ruas da aldeia. A fachada de uma casa senhorial na Rua Diogo de Lemos é, na ficção, a mansão de Henrique Pimental, papel interpretado por João Perry que nesta novela, e à semelhança de ‘Fascínios’, volta a ser um homem viúvo e abastado.


À boca de cena surge Margarida Marinho, a Teresa, a filha que Henrique crê estar morta. Nostálgica e misteriosa, Teresa sai do carro e fotografa a casa da família. A gravação decorre pacífica, sem ruído nem olhares curiosos.


Em dia de semana, com os moradores nos empregos ou entregues aos trabalhos da lavoura, a aldeia está mergulhada num manto de silêncio rasgado apenas pela algaraviada do grupo de figurantes que espera a vez de entrar em cena.

 

Com João Perry, Margarida Marinho, Nuno Homem de Sá, Dalila Carmo, Núria Madruga, Diana Chaves, Joaquim Nicolau e Sofia Nicholson, entre muitos outros, a nova produção foi planeada num tempo recorde: três meses. Depois de frisar que TVI já não leva “dez meses a projectar uma novela”, José Eduardo Moniz exemplifica. “Temos no ar ‘Casos de Vida’, um formato pioneiro que um mês após a decisão de avançar com ele estava a ser transmitido”, frisa.


Para o director-geral da estação, o exemplo denota “a capacidade de trabalho, o talento e o espírito de sacrifício” dos seus profissionais, mesmo reconhecendo que a “ficção é uma área mais complicada do que qualquer outra”. Sem receio de “enfrentar qualquer tipo de ficção falada em português”, José Eduardo


Moniz acredita que a nova produção representa um esforço da estação que “acredita na obrigação de fazer serviço público”. Para o director-geral da TVI, o conceito de serviço público “mudou” e muito do que “os privados fazem” também se pode encaixar nessa definição.

 

Em Trás-os-Montes e a pensar na TDT (Televisão Digital Terrestre), José Eduardo Moniz frisou que a novela é mais um passo de afirmação da TVI “num momento em que outras plataformas” colocam “novos desafios”, nomeadamente o quinto canal.


“Vamos estar preparados para receber o nosso colega que vai trazer mais dificuldades num País com um mercado publicitário deficitário, mas com uma enorme ambição. A concorrência em Portugal é mais renhida do que em países de maior dimensão. Todavia, e apesar da nossa pequenez, o País inova e arrisca mais do que outros.

 

Com quatro novelas em exibição e 24 episódios de ‘Casos de Vida’ programados para os domingos, a TVI prepara a transmissão de uma nova série que a NBP tem em fase de pré-produção. Mas a investida desta produtora não se fica por aqui. Segundo revelou André Cerqueira à Correio TV, “ a NBP está a preparar um bolo de novos formatos para apresentar à TVI em 2009”.


Planeando o futuro, a NBP, que é  uma das três principais produtoras da Península Ibérica e produz mil horas de ficção nacional por mês, está a dotar-se de uma estrutura organizativa mais complexa e versátil. Fundada em Maio de 1992, a NBP, que se orgulha de ter exportado novelas e séries para 24 países do Mundo, prepara-se agora para, com a ajuda da Prisa, consolidar posição no mercado nacional e afirmar-se no mercado internacional.


A centralização da estrutura de produção da Media Capital e da Prisa na NBP passa, entretanto, pela “contratação de mais funcionários”, a “reorganização das diferentes áreas operacionias” e até a “mudança de instalações dos adereços e guarda-roupa.”

 

Apesar dos projectos da NBP com Espanha estarem a “avançar”, o administrador da empresa, Bernardo Bairrão, explicou:  “Ao contrário do que estava previsto, terão de ser os espanhóis a vir produzir em Portugal. Não temos, neste momento, capacidade para fazer tanto projecto.


Há, por exemplo, uma encomenda da Rússia que está em ‘banho maria’ por não haver capacidade de resposta.” Com a junção de sinergias  entre a NBP e a Plural, produtora da Prisa, Bernado Bairrão espera poder atingir mais mercados na Europa e na América do Sul.

 

 

ELENCO EM TRAS-OS-MONTES: GRAVAÇÕES EM VILA FLOR

 

Cara fechada, cabelos e óculos grandes a ocultar o rosto, Margarida Marinho veste a pele de Teresa, a mulher traída  que traça a sua vida a partir de um plano de vingança. Numa das ruas de Vila Flor, actriz e director de actores, Rui Sá, trocam impressões da cena a gravar.


“Ser  protagonista exige concentração de energias”, diz Margarida Marinho. A ambivalência da personagem, que alia a fragilidade da mulher que foi à determinação da mulher que se tornou após o drama, é, para a actriz, “o fabuloso” do papel.

 

AUDIÊNCIAS: ‘OLHOS DE ÁGUA’

 

‘Olhos de Água’, que estreou a 20 de Fevereiro de 2001, continua a ser a novela mais vista da TVI e da ficção portuguesa. Sofia Alves assumia o papel de duas irmãs, afastadas à nascença e criadas em ambientes sociais diferentes.

 

QUE É QUEM

 

JOÃO PERRY - Henrique pimentel: Empresário, não olha a meios para atingir os fins.

ALEXANDRA LEITE - Beatriz Gama: Teimosa e voluntariosa, insegura e frágil.

NUNO HOMEM DE SÁ - Rafael Gama: É calculista. Casou com Beatriz por dinheiro.

DALILA DO CARMO - Catarina AlveS: É amante de Rafael e irá aliar-se a Teresa.

PEDRO LIMA - João Salgado: Médico. Salva Beatriz após o ataque do leão.

CARLA ANDRINO - Lúcia Franco: Quer à força ser uma figura do jet-set nacional.

DIANA CHAVES - Vera Lima: Debaixo da sua aparência angélica é rancorosa.

MARGARIDA VILA-NOVA - Maria Gama: É aluna de Arquitectura. Namora com Luís.

 

 

MARGARIDA MARINHO

A actriz regressa  ao pequeno ecrã  depois de ‘Vingança’ (SIC) e ‘Dei-te Quase Tudo’ (TVI)

 

AS CINCO NOVELAS MAIS VISTAS

NOVELA/AUDIÊNCIA/SHARE

 

‘Olhos de Àgua (20-02-2001)’/17.0/51.0

‘Filha do Mar’ (03-09-2001)/16,8/48,0

‘Dei-te quase tudo’ (4-12-2005)/16.6/43.8

‘Ninguém como tu’ (03-04-2006)/16,5/42,3

‘Ilha dos Amores’ (20-03-2007)/15,5/40,5

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