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Correio da Manhã

Tv Media
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Um caso sério

Na ficção portuguesa há actores faz-de-conta, mas também há gente com talento. Ricardo Pereira é um deles...
11 de Março de 2005 às 00:00
Nuno Azinheira
Nuno Azinheira FOTO: d.r.
São vários os casos, nos dias que correm, de gente que vence sem mérito. Porque soube reunir-se das pessoas indicadas, porque foi capaz de bater às portas certas, porque se mexe bem e conseguiu ‘vender’ a sua imagem. A televisão faz parte deste mundo e, todos sabemos, o pequeno ecrã está carregado de estrelas emergentes, que sobem enquanto o balão está cheio de ar, mas que, quando estoura, caem irremediavelmente.
Os mais optimistas dirão que não vem mal ao mundo com esta realidade: o tempo é como a maré e encarregar-se-á de levar o que não presta e preservar o que tem qualidade. No caso da ficção portuguesa, e sobretudo desde que a TVI teve o mérito de massificá-la, os últimos anos têm dado a conhecer ao grande público muitos jovens actores. Em boa verdade, alguns apenas podem chamar-se assim porque integram elencos de novelas, tal o défice de qualidade, de naturalidade, de técnica e do mais elementar talento para representar.
Mas há também, felizmente, casos de qualidade acima da média. Gente com humildade para aprender com quem sabe, com vontade de evoluir, com consciência que só o trabalho permite alcançar os frutos desejados. Deixemo-nos de lamúrias: há muitos actores assim. Há uma nova geração de actores, entre os 20 e os 30 anos, que sabe o que faz, que lê, que vê teatro e que procura a sua valorização profissional.
O homem que faz a capa da nossa edição de hoje da Correio TV está seguramente neste lote. E não o dizemos apenas pelo sucesso momentâneo de que goza no Brasil. Já antes, a expressividade daqueles olhos, a segurança das suas falas e a polivalência dos registos assumidos dissipavam qualquer dúvida. O fenómeno de popularidade em que o actor se transformou no Brasil não é empolado pela imprensa portuguesa, num assomo de patriotismo.
Os trabalhos de Fernanda Bueno, enviada-especial ao Rio de Janeiro, e de Domingos de Grillo Serrinha, correspondente do CM no Brasil, que publicamos nesta edição são disso um flagrante exemplo. Ricardo Pereira foi adoptado do outro lado do Atlântico: desejado pelas fãs e elogiado pela crítica e exigente imprensa brasileira.
No final de ‘Como Uma Onda’, que em Portugal deverá estrear-se nos próximos meses, Ricardo até pode voltar a Portugal, mas o seu nome é hoje já uma referência da grande máquina da Globo. “A maior referência do ano”, dizem por lá. E isso merece ser destacado e aplaudido. É isso que fazemos esta semana.
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