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Correio da Manhã

Tv Media
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UM PAÍS SEM RESPEITO

Como se chama o homem que ‘educou’ várias gerações de crianças com os seus “bonecos animados” na televisão? Quem se despedia “com amizade, até ao próximo programa”? De quem são as barbas brancas e a ‘Língua Afiada’ que fizeram furor na televisão portuguesa? Qual o nome da mulher que nos ensinou a cozinhar no pequeno ecrã? Como se chamava o histórico programa das tardes da RTP em que o espectador podia escolher o que queria ver?
18 de Setembro de 2004 às 00:00
Lembra-se do ‘pai’ dos concursos ‘Nove Fora Nada’ e ‘Arreganha a Taxa’? Já se esqueceu da vaca que lhe entrava em casa todas as semanas? Se tem mais de 30 anos, saberá em princípio responder a todas ou algumas destas perguntas. Se é, por natureza, um saudosista não vai conseguir evitar umas exclamações do tipo: “Ena pá, o Vasco Granja…”, “Bem, que saudades do Letria!” ou mesmo “Pois era, o Artur Agostinho era mesmo bom nisto…” Os sub-30 que, por acaso, tenham passado os olhos por estas linhas, não fazem ideia de quem falamos. Nem podem, porque o tempo passou e Portugal não soube cuidar da sua História.
Quando há três semanas, aqui na Correio TV, pensámos neste tema para a revista de televisão, tivemos uma preocupação: não fazer desta evocação um exercício de moralismo bacoco, ao jeito do “antigamente é que era…”. Não sou um saudosista, mas tenho saudades, confesso, do tempo em que a televisão tinha cabelos brancos, em que a experiência significava sabedoria, em que naturalidade e à-vontade não se confundiam com ‘vamos-lá-fazer-televisão-como-quem-está-à-mesa-do-café-com-amigos’…
Nas páginas que se seguem há uma verdadeira parada de estrelas. De Artur Agostinho a Maria de Lourdes Modesto, de Mega Ferreira a Joaquim Letria, de Mário Zambujal a Mário Crespo, de Vera Roquete a Luís Pereira de Sousa. Cada um ao seu estilo, cada um na sua área, eles construíram a história da televisão e, na maior parte dos casos, vivem apenas dessa memória. Que crime cometeram? Por que razão alguma daquela gente não está na TV ao lado de Catarina Furtado, de Jorge Gabriel, de Malato, de Bárbara Guimarães, de Sílvia Alberto, de Leonor Poeiras, de Fátima Lopes, de Pedro Pinto, de João Adelino Faria, de Júlio Magalhães?
Não é a primeira vez que abordo esta questão nas páginas da revista. Não será a última, aviso já. Um país que não sabe aproveitar competências, valorizar conhecimentos e respeitar os mais velhos é um país que não soube crescer e que não foi capaz de cultivar a sua memória.
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