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Correio da Manhã

Tv Media
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"Vamos ouvir os que não são formatados"

A Speaky TV, televisão caseira on-line, arrancou com uma entrevista polémica de Emídio Rangel. Fernando Alvim , autor do projecto, garante que há mais do género em carteira.
10 de Julho de 2009 às 00:00
“Era meu sonho sair da cama para o trabalho. E assim consigo-o, finalmente”
“Era meu sonho sair da cama para o trabalho. E assim consigo-o, finalmente” FOTO: d.r.

Como surgiu a ideia do projecto Speaky TV?

Como todas as outras ideias. Com a vontade de não estar quieto e não fazer mais do mesmo. E perceber que, eventualmente, o mercado necessitaria de uma televisão igual a esta, que pudesse em si mesma reunir uma série de pessoas que nos parecem válidas e que estavam fartinhas de fazer croché em casa.

Qual é, então, o objectivo desta TV?

Ser a televisão. Distinguir-se entre as demais. Como quando estamos num sítio cheio de gente e reconhecemos imediatamente ao longe aquele que ali vai. Tipo: ‘Olha, vai ali o Antunes!’ ou ‘por aquele andar, só pode ser a Soraia’. Se conseguirmos chegar a este patamar diferenciador, não tenhamos dúvidas de que teremos alcançado o que pretendíamos.

Arrancaram com uma entrevista polémica a Emídio Rangel, antigo director da SIC e da RTP. Como foi a adesão do público a esse tipo de iniciativa?

Óptima. A nossa ideia não era sermos polémicos, mas sim fazer uma boa entrevista e acho que o teremos conseguido. A seguir temos já gravadas entrevistas com Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, Alexandra Solnado e Ana Malhoa.

Quem pretendem entrevistar no futuro?

Todos os que tenham algo a dizer e que ainda não estejam formatados. Que se perceba que são sinceros naquilo que dizem e que não estão numa entrevista para dizerem aquilo que as pessoas querem ouvir, mas tão somente aquilo que realmente pensam e aquilo que realmente querem dizer.

Em que se baseiam os programas da Speaky TV?

Na vontade de partilhar. É quase só isto. Mas também não ir pela direcção que todos esperam. Cortar caminho, ir pelo outro lado, desconstruir, construir, destruir outra vez. Não nos apetece ser nada previsíveis

Porquê o nome Speaky TV?

É uma junção dos termos ‘Speak’ com ‘Spicy’. Porque é isso que queremos, palavras apimentadas.

O canal funciona em sua casa, correcto? Porquê?                                                                                        

Sim, uma boa parte da programação. Porque foi lá que construímos os estúdios, num soberbo cenário da Ana Sofia Gonçalves, que é, de resto, a responsável por todos os futuros cenários que estão a ser já construídos, inclusivamente os móveis, que farão história. Para além disso, era meu sonho sair da cama para o trabalho. E assim consigo-o, finalmente.

Acredita no futuro das Web TV?      

Não tenho dúvidas. É o tempo das rádios piratas, agora adaptado à net. Antes da net, só quem tivesse imenso dinheiro podia ambicionar ter uma televisão. Hoje em dia, qualquer meia-leca como eu pode fazer um brilharete.

PERFIL

FERNANDO ALVIM

Nasceu em 1974 em Mafamude, Vila Nova de Gaia. Aos 14 anos conheceu a rádio, na fase das rádios piratas. Passou pela TSF e Rádio Comercial. Estreou-se na televisão no 'Curto Circuito', na SIC Radical.

O ARRANQUE: 500 000 JÁ VIRAM

O início das transmissões da Speaky TV ocorreu no dia 25 de Junho. Alvim prometeu e cumpriu. Arrancou o canal deitado na cama. Em breve, a Speaky TV irá organizar o primeiro jogo de ténis às escuras que será transmitido em directo. Mais de 500 mil pessoas já viram o canal.

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