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Correio da Manhã

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Vamos para ganhar com táctica… à Mourinho

Luciana Abreu e Rui Drummond formam o 2B, que representará Portugal na 50.ª edição do Festival Eurovisão, a iniciar quinta-feira, em Kiev, com a pré-eliminatória. O duo não se sente pressionado e coloca a fasquia alta.
16 de Maio de 2005 às 00:00
Correio da Manhã – O que sente um cantor por representar Portugal no concurso Eurovisão da Canção?
Rui Drummond – Responsabilidade, sim; pressão, não. É uma ansiedade muito positiva. Para podermos conseguir tudo, temos de fazer tudo o que está ao nosso alcance. Uma coisa é certa, vamos dar o nosso melhor em nome de Portugal.
Luciana Abreu – Uma oportunidade muito grande, que tem de ser encarada com imensa responsabilidade. Ir a um festival deste gabarito não é a mesma coisa que participar num programa de televisão. Temos trabalhado imenso e só espero estar à altura dessa representação.
– O que podem esperar os portugueses da vossa participação?
R.D. – Independentemente do resultado, os portugueses irão ficar orgulhosos de nós, porque lançaremos uma chama muito positiva para o ano que vem. Esse é um dos grandes objectivos.
L.A. – Pelo que temos visto, nas acções de rua, a reacção do público tem sido muito boa. Esperamos não decepcionar e vamos lá para fazer o melhor.
– Quais são as vossas expectativas?
R.D. – São as melhores. Vou com a mesma táctica… do Mourinho. Cada fase é uma final e as finais são para ser ganhas. O ensaio geral já é uma final. Será muito importante estarmos bem. Para dar uma boa imagem. Depois teremos a meia-final, que nos dará acesso à grande final. Aí, o objectivo é entrar nos dez primeiros, para deixarmos trabalho feito para os que vierem depois de nós.
L.A. – Ganhar. Vamos para ganhar. Não nos sentimos pressionados, porque Portugal não tem nenhum lugar a defender. Nas últimas edições nunca conseguimos ficar entre os dez primeiros. Agora, não podemos é manipular as votações. Precisamos de ter todos os portugueses, que vivem no estrangeiro, a votarem em nós, pois os portugueses residentes em Portugal não podem votar na nossa canção.
– O facto de a música ser cantada em inglês e em português pode ajudar a uma melhor classificação?
R.D. – Introduzir o inglês é uma experiência nova, que calhou muito bem. Foi um bom casamento entre duas das línguas mais faladas do Mundo. O inglês é universal e o português é das mais faladas. Por que não juntar as duas e fazer uma mistura explosiva, com uma química muito boa?!
L.A. – Este é um ano de viragem. Não é só para nós que é de mudança, mas sim para todos. Há muitos países que fizeram uma aposta enorme na respectiva língua. Por isso, teremos um festival com uma diferença muito grande de línguas. Cantar em inglês é uma ajuda. Não há nenhuma dificuldade nisso.
– Quando é que foram convidados para representar Portugal no festival da Eurovisão?
R.D. – Surgiu inesperadamente. Nem me apercebi logo do que se estava a falar. Pensei: 'É para ir cantar ao festival nacional da canção?' Depois de perceber o que se tratava fiquei muito contente. O Zé da Ponte, após a reunião, ligou-me a fazer o convite. Foi mais ou menos assim: 'Queres isto assim, para isto e aquilo. Aceitas ou não?' Aceitei, claro.
L.A. – Foi um telefonema do Zé da Ponte. Não quis acreditar, como é que em dez milhões de habitantes foram logo buscar-me ao Porto.
– Como é que a família e os amigos reagiram?
R.D. – Não podia ter sido melhor. No dia do festival, todas as televisões da minha região vão estar ligadas. Todos os cafés e bares de Torres Vedras estarão a apoiar-me, da mesma forma que me apoiaram aquando da 'Operação Triunfo'. Foi fundamental e só espero que continuem.
L.A. – Foi fantástico. Andam todos malucos. Gravam os programas todos, recortam os jornais todos. Têm muito orgulho de mim. Principalmente a minha mãe, que é uma lutadora que me ensinou tudo o que sou.
– Esta participação pode representar um 'empurrão' nas vossas carreiras?
R.D. – Curiosamente, quando recebi o convite, encontrava-me numa fase em que já estava a tratar da minha carreira. Estávamos a preparar o lançamento de um CD, mas agora só retomarei após o festival da Eurovisão. Talvez lá mais para o Verão.
L.A. – Espero que seja um bom 'empurrão'. Estou a esforçar-me muito para representar Portugal da melhor forma possível. Mas agora não estou preocupada com isso. Tudo o que vier… é ganho. Representar Portugal pesa muito no currículo e tenho de fazer isso bem feito.
"AS NOSSAS MÚSICAS SÃO LINDÍSSIMAS"
CM – Que opinião tem sobre a má imagem das representações lusas no Festival da Eurovisão?
L.A. – Sou apologista do festival nacional da canção. As nossas músicas são lindíssimas, mas não têm lugar no Festival da Eurovisão nos moldes que este existe actualmente.
– Os moldes deviam manter-se?
– Sim, mas deviam levar o resultado desse trabalho aos locais ideais para ser visto, ouvido e compreendido. Já não se adaptam a um Festival da Eurovisão.
– É importante que a música também seja cantada em inglês?
– Nesse sentido é. Acredito que, este ano, estamos ao mesmo nível dos outros países. A letra é fantástica e fica no ouvido. Temos tudo para ficar num bom lugar.
– A 'borboleta' dos 'Ídolos' mostrará todo o seu poder?
– Sempre. Quando estiver em cima do palco, darei tudo. Não consigo viver sem o palco. É tudo muito mais fácil quando lá estou.
"GOSTAVA DE CONHECER NUNO RESENDE
CM – Conhece Nuno Resende, o português que representará a Bélgica no festival?
R.D. – Para já, só vi o clip. Sei que é português. Gostei muito da música e da voz. Gostava muito de o conhecer.
– Representava outro país num festival deste tipo?
– Se a minha vida fosse mudada a 180º, talvez. Foi uma oportunidade que ele teve, fruto de um convite. Acredito que, se Portugal o convidasse ele também seria capaz de aceitar. É uma situação normal, para mais residindo na Bélgica.
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