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Correio da Manhã

Tv Media
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“Vão fechar mais produtoras”

O presidente da Associação de Produtores Independentes de TV diz que 2011 será um ano de “aprendizagem”.
7 de Janeiro de 2011 às 00:00
“Vão fechar mais produtoras”
“Vão fechar mais produtoras” FOTO: Bruno Colaço

Como foi 2010 para as produtoras independentes?

Foi um ano difícil. Com cortes orçamentais substanciais que fizeram sofrer, sobretudo, as pequenas produtoras. O mercado só deixou espaço para as grandes produções. Julgo que fecharam duas ou três empresas no ano que passou.

Isso quer dizer que as grandes produtoras, como a Fremantle, não se queixam?

Todos sentimos a crise, sem excepção. Actualmente fazemos mais com menos. Temos as mesmas equipas a trabalhar em vários projectos, fazemos trabalho comercial – criámos um departamento especialmente para isso – porque é preciso encontrar patrocinadores, também somos responsáveis pela ligação à imprensa... Fazemos muito mais com praticamente as mesmas pessoas...

As televisões pagam menos?

Sim, muito menos. Não tenho uma noção de valores, mas posso dizer que quase que fazemos milagres. Na maioria das vezes vemo-nos aflitos para conseguir fazer o trabalho que nos é solicitado com o orçamento disponível. Aliás, em muitos casos nem conseguimos cumpri-lo. Por isso é que, neste momento, só existem quatro ou cinco grandes produtoras a funcionar. Mas, sinceramente, também não acredito que exista espaço para mais.

Qual vai ser o grande desafio para 2011?

Vêm aí tempos de mudança. Provavelmente vão fechar mais produtoras. Por outro lado, começa a haver algum mercado no cabo, cujo crescimento é inevitável, o que traz novos horizontes. Acima de tudo, julgo que este ano será de reajustamento e de aprendizagem.

A nova lei da TV mantém nos 10% a quota obrigatória de produção independente e não impõe limites à produção própria das TV...

É verdade, mas não acredito que a legislação resolva tudo. Mais importante do que isso é, talvez, o estreitamento das relações entre as televisões e os produtores, que está a acontecer, até porque existe uma necessidade de rentabilização cada vez maior daquilo que vai para o ar. Não será a Lei da TV que vai conseguir mais quota ou maior distribuição de produção.

Continua a dizer que é mais barato produzir externamente do que internamente?

Claro que sim. Sempre disse e continuo a dizê-lo. Há uma série de coisas adjacentes à própria produção que se tornam mais dispendiosas para as estações, no caso de optarem por ela. Ao recorrer a uma produtora externa a estação liberta-se, logo à partida, de uma série de custos e de responsabilidades.

A tendência das estações de televisão vai ser, cada vez mais, apostar em formatos já testados lá fora e não em projectos originais?

Sim, mas é preciso perceber que uma ideia original, bem estruturada, pode custar milhões. Estamos a falar de um projecto desde a concepção da ideia ao desenho cenográfico, passando pelo desenvolvimento da própria ideia, guiões, articulação de conteúdo, etc. Toda essa área de experimentação é muito cara. Para terem uma ideia, lá fora, quando se cria um formato de raiz, chegam a construir-se cinco décors diferentes e todos eles são deitados para o lixo. Não se acerta logo à primeira. Isso custa milhões. Para agravar a situação, não há garantias de resultados, pois não estamos a falar de formatos com provas dadas lá fora. É claro que estamos a falar de entretenimento e não de ficção.

Com a ficção é diferente?

Há duas décadas que Portugal faz novelas. Sejam ideias originais ou adaptações de originais, existem alguns casos de sucesso, que foram exportados.

Quais são as tendências de mercado para 2011?

Os programas de talentos e reality shows, na vertente doc-reality.

São mais baratos?

Não forçosamente. Mas os custos podem ser compensados pelo tempo que estão em exibição.

PERFIL

Frederico Ferreira de Almeida tem 45 anos e foi fundador da Fábrica das Imagens, já extinta. Além de presidente da Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT), cargo que ocupa desde 2006, também é director-geral da Fremantle.

PROJECTOS

Este ano, a Fremantle tem a seu cargo duas produções para a SIC: ‘Portugal Tem Talento’, que arranca dia 30, e a versão portuguesa de ‘The Biggest Loser’, que estreia em Abril. "Vamos manter-nos fiéis aos formatos originais. ‘The Biggest Loser’ vai ser uma grande produção e é um projecto muito interessante".

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