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Venda dos jornais é o mais provável

O futuro dos jornais ‘O Comércio do Porto’ e ‘A Capital’ ainda é uma incerteza, mas a possibilidade de venda ganha cada vez mais força. Uma empresa de investimento espanhol tornou ontem público existirem interessados na aquisição dos títulos.
27 de Julho de 2005 às 00:00
Venda dos jornais é o mais provável
Venda dos jornais é o mais provável FOTO: Sofia Costa
A venda dos jornais é cada vez mais uma forte possibilidade, pelo menos a avaliar pelo anúncio da empresa de investimento espanhola LP Brothers Venture Capital, que garantiu estar a desenvolver contactos nesse sentido.
A empresa foi, inclusive, mais longe, avançando que ‘A Capital’ será comprada por um grupo de investidores “com interesses diversos na media a nível internacional”.
A intenção revelada pela empresa espanhola contraria, assim, as informações que apontavam no sentido do encerramento do matutino portuense no domingo. No entanto, Rogério Gomes, director de ‘O Comércio do Porto’, que se encontra de férias, afiançou à Lusa que, na redacção, circula a notícia de que o jornal deverá ser suspenso a partir de sexta-feira.
“Não há confirmação oficial que seja essa a data de encerramento, apesar deste não estar fora de causa”, disse Susana Ribeiro, delegada sindical de ‘O Comércio do Porto’, cujas instalações acolhem hoje de manhã uma reunião com o director-geral da Prensa Ibérica em Portugal, o presidente do Sindicato dos Jornalistas e as representações dos dois diários.
Narigão Reis, director-interino, do jornal da capital, espera que, da reunião de hoje, “surjam boas notícias”. Certo, certo é que, a acontecer o pior cenário, em ‘A Capital’ não haverá despedimentos colectivos.
POLÍTICOS PREOCUPADOS
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Santos Silva, confessou ao CM seguir “com grande atenção e preocupação” o caso. Já o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, escusou-se a desenvolver qualquer diligência no sentido de evitar o encerramento do matutino da Invicta, alegando tratar-se de uma empresa privada. O político, todavia, frisou que o fecho do jornal é “indesejável”.
O homólogo lisboeta, Pedro Santana Lopes, por seu turno, fez saber, através de um assessor: “Espero que se encontre uma solução para a ‘A Capital’.”
PRENSA IBÉRICA DETÉM VINTE PUBLICAÇÕES
O Grupo Editorial Prensa Ibérica (EPI) é detentor de 17 publicações em Espanha e de duas em Portugal. O grupo tem, ainda, os dois títulos mais antigos da Península Ibérica: o português ‘O Comércio do Porto’ e o espanhol ‘Faro de Vigo’, que comemorou 150 anos em 2002.
A título de curiosidade, refira-se que o EPI detém um semanário em catalão – ‘El 9 Nou’ –, o ‘Mallorca Zeitung’ (em alemão) e a ‘The Adelaide Review’ (revista mensal australiana). Em relação às vendas das publicações, o diário ‘La Nueva España’, que se destina à região das Astúrias, com cerca de 60 mil exemplares – segundo dados do centro de Informação e Controlo de Publicações – é o campeão. O jornal ‘Levante-EMV’, a 13 mil exemplares de diferença, é o segundo com mais circulação.
Lista de títulos: 'A Capital', 'C. B.Rundschau', 'Diario de Girona', 'Diario de Ibiza', 'Diario de Mallorca', 'El 9 Nou', 'Faro de Vigo', 'Informacion', 'La Nueva España', 'La Opinión a Coruña', 'La Opinión de Granada', 'La OpiniÓn de Málaga', 'La Opinión de Murcia', 'La Opinión de Tenerife', 'La Opinión de Zamora', 'La Provincia', 'Levante-Emv', 'Mallorca Zeitung', 'O Comércio do Porto', 'Super Deporte'.
PERFIS
'O COMÉRCIO DO PORTO'
Fundação: 2 de Junho de 1852
Periocidade: diário
Vendas: 3794 mil exemplares (1º trimestre de 2005)
Nº trabalhadores: 100
'A CAPITAL'
Fundação: 21 de Fevereiro de 1968
Periocidade: diário
Vendas: 3422 mil exemplares (1º trimestre de 2005)
Nº trabalhadores: 80
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