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Correio da Manhã

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VETERANO DURO DE ROER

Embora a sua carreira tenha sido abalada por vários escândalos, Dan Rather continua a ser um dos mais reputados jornalistas da televisão norte-americana. Em Março do próximo ano, 24 anos depois da sua estreia como pivô da CBS, Rather deixará o noticiário ‘Evening News’.
4 de Dezembro de 2004 às 00:00
Dan Rather
Dan Rather FOTO: d.r.
Dan Rather, pivô e editor do noticiário ‘Evening News’ e principal colaborador de ‘60 Minutos’, célebre espaço de reportagem da CBS, é uma figura controversa, acarinhada por alguns, mas criticada por outros.
O seu estilo inconfundível caracteriza-se pela frontalidade com que aborda os entrevistados, pela carregada pronúncia do Sul dos EUA e pela utilização frequente de expressões idiomáticas típicas do Texas, a sua terra Natal.
Ultrapassado nas tabelas de audiências pelos noticiários da NBC e ABC, apresentados, respectivamente, por Tom Brokaw e Peter Jennings, e considerado ‘fora de moda’ pelos colegas mais jovens, Dan Rather mantém-se entre os mais famosos e respeitados profissionais de televisão do mundo.
Aos 73 anos, o jornalista prepara-se para abandonar o contacto diário com o público. Apesar disso, Rather não planeia a reforma e continuará a assinar reportagens para o programa ‘60 Minutos’.
O INÍCIO
Rather iniciou a sua carreira de jornalista em 1950, ao serviço da Associated Press, na delegação de Huntsville da agência noticiosa. Ainda no mesmo ano, mudou para a United Press International e, posteriormente, passou por várias estações de rádio texanas e ainda pelo jornal ‘Houston Chronicle’, antes de fazer a sua estreia no pequeno ecrã, no canal KTRK-TV, sediado na cidade de Houston.
Em 1962, Rather entrou para a CBS, onde, inicialmente, chefiou a delegação de Dallas do canal. Desde então, cobriu eventos de importância histórica, como a morte do antigo presidente dos EUA John Fitzgerald Kennedy e a cruzada anti-racista de Martin Luther King. Em 1964 foi destacado como correspondente na Casa Branca, o que lhe permitiu acompanhar a polémica administração Nixon.
Rather consolidou a sua reputação com as reportagens para o programa ‘60 Minutos’ – emitido pela SIC Notícias –, o que levou a CBS a convidá-lo para pivô do noticiário ‘Evening News’, quando Walter Cronkite se retirou, em 1981. Apesar disso, não abandonou o terreno. Durante os anos 80, o jornalista acompanhou a invasão soviética do Afeganistão e cobriu a crise dos reféns no Irão. Em 1991, pouco depois do início da Guerra do Golfo, Rather comprovou mais uma vez a sua eficiência, ao conseguir uma entrevista com o antigo líder iraquiano Saddam Hussein.
RATHERGATE E OUTRAS POLÉMICAS
Apesar de uma carreira recheada de triunfos, Dan Rather também se envolveu em polémicas.
A mais recente – designada ‘Rathergate’ pelos meios de comunicação norte-americanos, numa alusão a Watergate, o escândalo que abalou Richard Nixon – foi provocada pela reportagem sobre o serviço militar do presidente norte-americano George W. Bush, cumprido na Guarda Nacional dos EUA. A reportagem, baseada em documentos falsos, questionou os motivos que levaram Bush a permanecer em território norte-americano, quando o país se encontrava envolvido na Guerra do Vietname.
Outro dos episódios polémicos ocorreu em 1987, quando a direcção da CBS equacionou a hipótese de reduzir a duração do noticiário ‘Evening News’ para emitir na totalidade uma partida de ténis. Furioso, Rather abandonou os estúdios, deixando a CBS ‘pendurada’ durante seis longos minutos, até voltar ao seu posto de trabalho. A reportagem ‘The Wall Within’, assinada por Rather em 1988, onde vários homens mentiram sobre a sua suposta experiência na Guerra do Vietname, foi mais uma má experiência na carreira do veterano.
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