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Correio da Manhã

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Wemans rende Falcão

Parecia um segredo de Estado. O próprio presidente do Conselho de Administração da RTP nem queria acreditar que a notícia tivesse ficado guardada quase dois meses na gaveta da sua equipa, ou seja, desde que Manuel Falcão lhe comunicou a decisão de abandonar a direcção da 2:. Almerindo Marques e seus pares juntaram-se, ontem, ao social-democrata, não só para anunciar a saída, mas também para revelar o nome do sucessor, o socialista católico Jorge Wemans.
19 de Novembro de 2005 às 00:00
Jorge Wemans
Jorge Wemans FOTO: Jorge Godinho
Falcão pediu a demissão em 30 de Setembro, mas só no dia 1 de Janeiro terá um velho conhecido das lides jornalísticas na sua cadeira. Falamos do director de comunicação da Gulbenkian, Jorge Wemans. Os dois trabalharam no ‘Expresso’, já lá vão 20 anos, tal como Luís Marques, administrador do Grupo RTP. Este gestor, de resto, foi o responsável pela escolha de um e de outro. Sempre à primeira, como sublinhou no encontro de ontem com a Imprensa. Marques, refira-se a título de curiosidade, chegou a ser subordinado de Wemans no semanário. Agora, os papéis invertem-se.
O socialista católico, próximo de Guterres, mas independente, terá de contar com um orçamento espartano.Todavia, como a taxa adicional para a empresa já foi regulamentada, esperando-se pela célere aplicação, entrarão mais receitas na 2:, razão bastante para o canal reforçar os conteúdos e melhorar a oferta. E, de dinheiro falando, acrescente-se que a RTP entregou à tutela o orçamento para 2006, aguardando a aprovação.
Segundo a administração, como é óbvio, não será difícil atingir um outro patamar. Não só pelo reforço sublinhado, mas acima de tudo pelo “rigor, competência e grande capacidade de gestão” do sucessor de Falcão, que tem um percurso distinto, feito na Imprensa, mas minimamente identificado com o fenómeno televisivo por força da colaboração com o projecto da 2: enquanto representante de um dos 75 parceiros do canal, ou seja, a Gulbenkian. Marques diz mais de Wemans: “É organizado e um excelente chefe de equipa.” E, em Janeiro, deverá dizer o que fará dos subdirectores da 2:, Carlos Vargas e Bruno Santos. O primeiro, recorde-se, foi colaborador de economia do ‘Expresso’ quando Wemans integrava a direcção do jornal.
Falcão, que dois anos e 20 documentários, “uma dezena de óperas, concertos, recitais e bailados” – produzidos em Portugal – depois, como o próprio sublinhou, parte para uma nova matriz, porque, “citando Camões, todo o mundo é composto de mudança”. Sai com a consciência de ter cumprido a missão, mas não diz o que vai gerar nem onde. Garantiu, porém, ter já um projecto, fora das áreas da televisão e da produção audiovisual. Uma câmara, em Janeiro, mostrará um grande plano de quem deixa a 2: “acima dos objectivos traçados”.
PERFIL
Jorge Wemans, responsável pela direcção de comunicação da Fundação Calouste Gulbenkian, foi subdirector do semanário ‘Expresso’, entre 85 e 89, de onde se transferiu para o ‘Público’.
Fundador do diário, nele exerceu, de 90 a 96, o cargo de director-adjunto, seguindo--se, entre 97 e 98, uma experiência como provedor dos leitores do jornal. Depois, de 98 a 2002, passou pela Lusa, dirigindo a Informação da agência noticiosa.
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