Cândido Mota: o locutor que deixa para a história a memória de uma das grandes vozes da rádio

Locutor morreu este domingo aos 82 anos.

03 de maio de 2026 às 10:49
Cândido Mota Foto: Pedro Garcia
Partilhar

O locutor Cândido Mota, que morreu este domingo aos 82 anos, deixa para a história a memória de uma das grandes vozes da rádio e de um programa de antena aberta para os ouvintes, pioneiro do género em Portugal.

Locutor, apresentador de televisão e ator, Cândido Mota construiu um percurso singular, profundamente ligado à evolução da rádio moderna em Portugal.

Pub

Nascido a 28 de setembro de 1943, em Espinho, Cândido Soares Pinto da Mota tornou-se uma das vozes mais marcantes da história da rádio portuguesa, reconhecido pelo timbre grave e por uma presença tão discreta quanto determinante na história da comunicação em Portugal.

Exemplo disso foi o programa noturno "Passageiro da noite", um dos pioneiros na interação direta, em que Cândido Mota cedia o seu espaço para os ouvintes falarem sobre o que lhes apetecesse.

Filho da fadista Maria Albertina, cresceu num ambiente ligado à música e à palavra, tendo assumido, numa entrevista ao programa de Manuel Luís Goucha, em 2022, que fora a sua mãe quem o lançara na vida profissional.

Pub

Com uma infância marcada pela morte precoce do pai, Cândido Mota recordou esse episódio e as suas últimas palavras como algo estruturante para a sua vida e sensibilidade artística.

Iniciou-se profissionalmente na rádio aos 17 anos, no Rádio Clube Português, afirmando-se rapidamente como um locutor de talento distintivo, reconhecimento que se consolidou na Rádio Comercial, com programas como "Em Órbita", "Dançatlântico" e, sobretudo, "O Passageiro da Noite", que viria a ser considerado um marco da rádio portuguesa.

Emitido a partir de 1979, "O Passageiro da Noite" abriu a antena aos ouvintes a partir da meia-noite, tornando-se uma das primeiras experiências interativas da rádio em Portugal.

Pub

Décadas mais tarde, ao revisitar o fim do programa, depois de dois anos no ar, Cândido Mota assumiria que "foi a única vez" em que não esteve bem, numa alusão ao desgaste emocional que levou ao fim da emissão, assumindo a sua responsabilidade.

A partir da década de 1990, Cândido Mota tornou-se também rosto e voz familiar da televisão portuguesa, ao iniciar uma colaboração duradoura com Herman José.

Foi a emblemática 'voz-off' de concursos como "A Roda da Sorte" e "Com a Verdade Me Enganas", na RTP, acompanhando posteriormente o humorista em vários formatos na SIC, e com participações ocasionais em 'sketches' televisivos.

Pub

Enquanto figura histórica da rádio, foi convidado a partilhar o seu testemunho no programa da RTP "No Ar, História da Rádio em Portugal", transmitido em 2010, no qual falou do seu percurso e da conceção da rádio como espaço de intimidade, escuta e participação cívica.

Assumindo-se como uma pessoa empenhada civicamente, Cândido Mota foi militante do Partido Comunista Português e presença regular como locutor e apresentador no Palco 25 de Abril da Festa do Avante!, mantendo ao longo da sua vida pública uma postura política.

Nos últimos anos, foi-se afastando progressivamente da vida mediática, residindo, pelo menos, desde janeiro de 2026 na Casa do Artista, em Lisboa.

Pub

Posteriormente foi internado no Hospital de Santa Maria.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar