Emoção, lágrimas e consternação na despedida a Luís Represas
Velório na Basílica da Estrela contou com centenas de pessoas, entre familiares, colegas da música, figuras da política, da televisão e da rádio.
Foi entre emoção, lágrimas e consternação, que centenas de pessoas, entre as quais familiares (o mais notado foi o filho Nuno), amigos, colegas de profissão e anónimos, se despediram ontem de Luís Represas que morreu esta quarta-feira vítima de cancro no pulmão, aos 69 anos. O último adeus ao músico e cantor decorreu na Basílica da Estrela, em Lisboa, por onde passaram não só alguns dos maiores nomes da música, mas também figuras destacadas da política, da representação, da televisão, da rádio e da sociedade. Carlos Alberto Moniz, Miguel Ângelo, Luísa Sobral, Dany Silva, Sérgio Godinho, Biba Pitta, Ana Brito e cunha, Sergio Godinho, António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa, José Luís Carneiro, Paulo de Carvalho, Júlio Isidro, Carlos Moedas, Vitorino, Camané ou João Gil (companheiro de Represas nos Trovante) foram apenas alguns dos que prestaram homenagem ao cantor dos Trovante.
"É uma voz que fez parte da minha vida. Custa-me imenso vir aqui despedir-me", afirmou Camané. Já Sérgio Godinho destacou um homem que "viveu completamente a música e de maneira real", e alguém que "valorizou a música portuguesa". José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e amigo de Luís Represas "durante mais de 50 anos", afirmou que se "perdeu um dos melhores de nós todos. Como cantor, compositor e pessoa não se cansava de procurar novas vias e percursos". Vitorino recordou a última vez em que estiveram juntos numa homenagem a Adriana Correia de Oliveira e sobre a sua música rematou: "Ele também tinha o coração em Cuba como eu".
Bárbara Guimarães recordou o período do 'Chuva de Estrelas', na RTP, quando Luís Represas fez parte do júri do programa, mas destacou uma admiração que vinha bem de trás. "O Luís fez parte da minha adolescência através da música. E depois de tantos encontros em televisão, vejo partir aqui um amigo cedo de mais". A atriz Ana Brito e Cunha referiu por seu turno "o orgulho e o privilégio" de ter sido amiga do cantor desde os 16 anos. "Pisei alguns palcos com ele e vivemos experiências muito giras". Já Júlio Isidro recordou o dia em que conheceu Represas. "Bateu-me à porta da rádio, ele e os Trovante a 1 de setembro de 1977, porque tinham um disco para eu passar. Era num tempo em que não havia a escravidão das playlist", disse.
Entre as pessoas mais emocionadas que passaram pela Basílica da Estrela esteve Manuela Eanes. "Estou muito triste. Estou dorida. O Luís era também ele um poeta, um homem bom. Eu tinha uma relação afetiva com ele muito boa. Nós precisamos de pessoas com valores". Representada na hora das despedidas esteve também a embaixada de Timor, através de Liborio Pereira que depositou uma coroa de flores junto ao caixão. "Na altura em que muitos esqueceram do sofrimento dos timorenses, alguém surgiu para anunciar ao mundo que temos que nos mostrar solidários pelas lutas desiguais". À saída da igreja, Marcelo Rebelo de Sousa, salientou também "a voz que uniu Portugal à volta de Timor Leste", e a voz de uma nova geração de músicos depois de 1974. "Era a esperança de um Portugal novo. Sai com o país a seus pés". O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas realçou, por outro lado, a "perda enorme" de um "homem que mudou aquilo que nós somos, um homem de causas e do mundo, mas que era um grande lisboeta".
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