Eu conto como foi: Nicolau Breyner
O eterno Senhor Feliz
O bom alentejano (nasceu em Serpa) deixa a terra natal, e Lisboa acolhe-o. São as primeiras experiências, aquele ‘bichinho' que não o larga nunca, para as artes do espectáculo. Estuda canto na Juventude Musical de então. E depois da bolsa ganha a Itália para estudo, o regresso e no Conservatório tem como professor o genial Ribeirinho, que o convida para estrear ‘Leonor Teles' no Trindade com Florbela Queiroz. Deu logo nas vistas e o Parque Mayer ali estava a seus pés.
No teatro de revista foi como que um furacão. A sua popularidade atinge o rubro e Nicolau é apreciado pelo grande público. As suas rábulas perfeitas, caricaturando muitas vezes na época da censura figuras conhecidas, com aquele humor certeiro e sem a palavra fácil, vulgar. De recordar a sua ‘Bera Lagoa' num quadro revisteiro, tão sibilino. Ou a galvanizante presença em ‘Pega de Caras' num estrondoso sucesso.
A revista ‘Uma no Cravo, Outra na Ditadura' ao lado de Ivone Silva, José de Castro, e a estreia de Herman José no ABC, que ao lado de Nicolau, são ‘O Senhor Feliz e o Senhor Contente' numa das paródias mais criativas do humor crítico de então. Sérgio de Azevedo, o empresário, apostou convicto em Nicolau premiando-o com espectáculos de envergadura.
Para além das revistas, a opereta ‘A Invasão' ou a sua última produção, ‘Esta Noite Choveu Prata'... Difícil é especificar o percurso deste extraordinário homem que tanto tem brindado o país.
ACTOR FESTEJA SUCESSO NO CASINO
Na televisão, marcou o ‘Eu Show Nico' ou a primeira novela portuguesa ‘Vila Faia'. No cinema, esteve ao lado de grandes realizadores. Nestes 50 anos, a comemoração tinha de ser feita e de 20 a 25 de Abril, no Auditório dos Oceanos do Casino Lisboa, o ‘Nicolau do País das Maravilhas' representa o outro lado da vida. E a cantar como ele sabe. Para nos dizer que continua a ser aquele senhor feliz de sempre.
UM HOMEM VERSÁTIL
Versátil o actor. Que de tudo faz muito. Agigantando-se nos personagens mais difíceis. Apurando a sua enorme sensibilidade, transmitindo ao público emoções diversas. Entre o riso e a tristeza. Depois da rádio, o teatro, a televisão e o cinema. Chamado de actor/autor/realizador/produtor, um faz-tudo também e com uma vontade férrea que todos reconhecem.
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