Eu conto como foi: Rosa Lobato Faria

Uma Flor de belos poemas

14 de fevereiro de 2010 às 11:27
importa
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Nasceu em Lisboa no ano de 1932. É uma referência na ficção portuguesa através de toda a sua obra literária. Poeta e romancista. Deixa um legado como que de rosas lindíssimas, impregnadas de amor, daquelas palavras que sabia exprimir.

O livro ‘Poemas escolhidos e dispersos’, de 1997, é de uma grande qualidade, vibrante, apaixonada na forma como verso a verso ela traduz tantas e milhentas emoções. Já na ASA e em 1999, publica ‘Na gaveta de baixo’ um inédito e longo poema absoluto, ilustrado com as belas aguarelas do pintor Oliveira Tavares. Um luxo de livro.

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O seu primeiro romance, ‘O Pranto de Lúcifer’, foi uma outra surpresa, sendo ‘Os três casamentos de Camilla S’., e pessoalmente, um dos seus melhores livros.

Com romances traduzidos na Alemanha, Rosa Lobato de Faria seguia mais longe no seu caminho de tantas escritas, assim como em França ‘O Prenúncio das Águas’, publicado pela prestigiada Éditions Metailié. Deixa uma obra vasta e de grande prestígio que a revela como uma das grandes autoras contemporâneas.

Há um poema premonitório e que destaco no momento após a sua partida: "Se eu morrer de manhã/abre a janela devagar/e olha com rigor o dia que não tenho/não me lamentes/eu não me entristeço/ter tido a noite é mais do que mereço/se nem conheço a noite de que venho/deixa entrar pela casa um pouco de ar/e um pedaço de céu/o único que sei/talvez um pássaro me estenda a asa/que não saber voar/foi sempre a minha lei/não busques o meu hálito no espelho/não chames o meu nome que eu não venho/e do mistério nada te direi/diz que não estou se alguém bater à porta/deixa que eu faça o meu papel de morta/pois não estar é da morte quando sei!"

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E partiu a mulher. Fica a sua obra perfumada de rosas de todas as cores!

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