Ficheiros recuperam história macabra da morte de Carlos Castro às mãos de Renato Seabra

Processo aberto após a morte do cronista social, em 2011, permite reconstituir aquilo que aconteceu antes, durante e depois do crime. Provas recolhidas incluem fotos da cena do crime.

20 de abril de 2026 às 01:30
Renato Seabra em tribunal Foto: CMTV
Renato Seabra em tribunal Foto: Direitos Reservados
Carlos Castro tinha 65 anos quando morreu Foto: Direitos Reservados
O processo judicial aberto após o homicídio de Carlos Castro, em 2011, no quarto 3416 do Hotel Intercontinental Foto: Direitos Reservados/Lusa
Carlos Castro Foto: Sérgio Lemos

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O processo judicial aberto após o homicídio de Carlos Castro, em 2011, no quarto 3416 do Hotel Intercontinental, em Nova Iorque, ajuda a reconstituir aquilo que aconteceu antes, durante e após um dos crimes que mais chocou Portugal. Volvidos 15 anos, o Observador teve acesso a um dossier de 4 212 páginas, 411 fotografias, 38 vídeos e 11 ficheiros áudio, incluindo imagens de viodeovigilância e a transcrição integral do julgamento, que permitem reedificar toda a investigação.

As mensagens trocadas no Facebook comprovam que o cronista social e o modelo se conheceram a 15 de outubro de 2010, quando tinham 65 e 20 anos, respetivamente. A confissão de Seabra revela nesse mesmo dia beijaram-se pela primeira vez. Carlos Castro enviou um email a uma amiga de Newark para tentar marcar reuniões em agências de modelos em Manhattan. As fotos que tirou dos primeiros dias em Nova Iorque mostram momentos alegres e descontraídos. Depois, tudo mudou.

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As imagens de videovigilância mostram como, na véspera do crime, os dois chegaram desavindos ao hotel e como continuavam zangados no dia seguinte. Emails revelam que o cronista tentou antecipar a viagem de regresso a Lisboa poucas horas de ser assassinado, a 7 de janeiro.

“Costumávamos brincar à luta um com o outro, mas era sempre a brincar. Eu nunca fui agressivo antes. Nunca tive qualquer briga com o Carlos. Nesse dia, não sei o que se apoderou de mim. Não compreendi a forma como as coisas aconteceram e não consigo perceber porquê. Só Deus sabe o que aconteceu naquele dia”, disse Seabra em tribunal.

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FOTO: Direitos Reservados
Imagens do processo a que o 'Observador' teve acesso
FOTO: Direitos Reservados
Imagens do processo a que o 'Observador' teve acesso

Mutilado com saca rolhas

No dia 7 de janeiro, no quarto do 34.º piso do Hotel Intercontinental, Renato Seabra esmurrou Carlos Castro até lhe partir os ossos da cara, agrediu-o com um televisor e com uma cadeira e mutilou-o com um saca rolhas, cortando-lhe uma orelha, o escroto e os testículos. Após cometer o crime, o modelo foi encontrado a vaguear pela cidade. Segundo o Observador, a investigação policial recuperou um grande volume de provas da cena do crime, incluindo as armas usadas para agredir e mutilar Carlos Castro e vestígios de sangue (de ambos), bem como impressões digitais.

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No dia 21 de dezembro de 2012, Renato Miguel de Jesus Seabra, de 22 anos, considerado culpado de homicídio em segundo grau, foi condenado a uma pena de 25 anos a prisão perpétua na naquela que é considerada a ‘Pequena Sibéria’, uma prisão de máxima segurança junto à fronteira com o Canadá, que alberga os piores criminosos. Já tentou o suicídio duas vezes.

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