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Eu conto como foi: Paulo de Carvalho

“E depois do adeus”

25 de abril de 2010 às 11:03

Imagine-se, foi futebolista nos juniores do Benfica. Deixando o sonho da bola para se dedicar ao mundo da música. Baterista primeiro e fundador do grupo inesquecível de uma época distante: os Sheiks. Revolucionando toda a parada musical, sendo os Beatles à portuguesa. Um êxito enorme. Com actuações por todo o lado, estreando-se na RTP no celebrado ‘A Rua de Elisa’ do Ouro Negro.

Depois de uma primeira experiência, é em 1971 que o cantor se apresenta de novo no Festival RTP da Canção. E encanta os telespectadores com uma das mais belas canções de sempre. Música de José Calvário e letra de José Sotto Mayor. A ‘Flor sem Tempo’.

Entretanto, vai gravando discos atrás de discos. A sua voz poderosa, rica de cambiantes raros, perpassa uma interpretação única e no género, ganhando de imediato os favores de tudo e de todos.

Grava no estrangeiro onde apresenta os seus espectáculos e é recebido sempre com notoriedade. Pela forma ímpar como escolhe o seu reportório. O seu álbum ‘Eu, Paulo de Carvalho’, da Moviplay, gravado em Madrid, patenteia a qualidade de um excelente intérprete de eleição absoluta.

Colabora com Ary dos Santos, Fernando Tordo e Carlos Mendes. Autor de belíssimas canções, Paulo de Carvalho brinda companheiros de cantigas com outros notáveis momentos. Vai a Festivais Internacionais de canções e é o artista ideal para transmitir a língua portuguesa com temas que ficam na memória colectiva.

Em 1974, de novo no Festival RTP, vence o certame com a mais bela canção da música portuguesa (sou eu que o digo!) dando ao "E depois do adeus" a mensagem precisa, imediata, (no tema de José Calvário/José Niza) que serviu de senha para o Abril que hoje se comemora. Das palavras que cantou, lembrar ainda que, "E depois do amor, e depois de nós, o adeus, o ficarmos sós" como que profético depois de 36 anos e a dizer o que se pensa e não se diz.

A GRANDE VOZ DE PORTUGAL

Com 50 anos de cantigas, a carreira de Paulo de Carvalho é como que um álbum nunca, jamais acabado. Das canções que soube compor, das que cantou, gravou. Do espólio enormíssimo que possui. E que continua a cantar, afinal, com aquela voz que é sem dúvida a grande voz de Portugal.

DA CARREIRA MILITAR ATÉ ÀS CANÇÕES

Paulo de Carvalho fez a carreira militar. De permeio, a música. Vai tocando aqui e ali, em bandas e com nomes sonantes como Thillo Krasmann ou Edmundo Silva.

Depois de ser vocalista em diversos grupos, Paulo de Carvalho tem aparição absoluta como o grande cantor que era. Pedro Osório convida-o pela primeira vez para o Festival RTP da Canção e ‘Corre Nina’ é um passaporte para outras caminhadas musicais e a solo. Obtém o Prémio Casa da Imprensa pela sua interpretação.

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