Casos nunca vieram à tona porque vítimas foram silenciadas pelo fundo que gere o património do Rei da Pop.
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Dezasseis anos após a morte de Michael Jackson, e coincidindo com a estreia mundial do seu filme biográfico ('Michael', já nos cinemas), vêm à tona novas acusações de abuso sexual e encontros impróprios com menores contra o autoproclamado 'Rei da Pop'.
O novo processo judicial, que deu entrada num tribunal norte-americano em fevereiro, é movido pelos irmãos Cascio, três homens e uma mulher, agora adultos, e traduz-se numa reviravolta fantástica na narrativa das polémicas que envolveram Michael Jackson já que foram eles a linha da frente da defesa de Michael Jackson quando este foi julgado criminalmente por abuso de menores em 2005, no Tribunal Superior do Condado de Santa Bárbara, na Califórnia. O processo, que durou vários meses, resultou na absolvição do cantor de todas as 14 acusações de abuso sexual infantil e conspiração no dia 13 de junho desse mesmo ano.
Os Cascio, filhos do gerente de um hotel onde Jackson se costumava hospedar (e que criou uma amizade profunda com o cantor, ao ponto de o visitar regularmente em sua casa), deram inclusivamente várias entrevistas na televisão, em 2010, a negar quaisquer abusos ou condutas impróprias.
Todavia, os irmãos Cascio dizem agora ter sido manipulados. Alegam que o cantor estava "constantemente sob a influência de drogas e frequentemente embriagado" e que terá abusado de todos eles, que na época eram crianças. Os abusos teriam ocorrido em locais diversos, desde o rancho Neverland até aos bastidores de concertos, para os quais eram frequentemente convidados.
O caso só não foi conhecido antes porque, segundo o 'The New York Times', antes de entrarem com o processo os irmãos Cascio denunciaram as suas vivências ao 'espólio' do cantor - advogados que gerem o seu património - e que esta entidade terá feito um acordo bilionário para comprar o seu silêncio. Estava previsto receberem 13,6 milhões de euros ao longo de cinco anos, mas em 2025, os pagamentos cessaram e as negociações fracassaram, levando à ação judicial atual.
As acusações detalham um comportamento predatório severo. Para calar as vítimas, algumas com sete ou oito anos, o cantor utilizava presentes luxuosos e códigos específicos para os abusos, além de fornecer álcool e drogas pesadas aos menores. Os irmãos dizem ter sofrido uma "lavagem cerebral". Os irmãos mais velhos dizem que perceberam desde cedo que o comportamento de Jackson era errado, mas que se sentiram intimidados pela sua fama e pelas demonstrações de afeto. Outros dizem que não perceberam que era abuso até assistirem a um documentário de 2019 com alegações de dois homens que afirmaram ter sido molestados por Jackson. Um dos homens relatou episódios de sexo oral.
Em resposta, o advogado do espólio, Marty Singer, classificou a ação como uma "tentativa desesperada de extorsão".
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