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Polémica Seinfeld: mais famosos juntam-se às críticas

Festival de César Mourão transformou-se num inesperado campo de batalha. Vários artistas cancelaram a participação por causa das posições de Jerry Seinfeld sobre Israel e a Palestina.

13 de setembro de 2026 às 01:30

O Commedia a La Carte Fest - Festival Internacional de Humor está a tornar-se a maior polémica do ano no setor da cultura. A presença de Jerry Seinfeld como cabeça de cartaz desencadearam uma onda de cancelamentos entre os artistas portugueses que também integravam o cartaz que, por sua vez, levantou uma onda de críticas em sentido contrário.

No 'Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer', da SIC Notícias, Pedro Mexia considerou que uma pessoa com consciência política “nunca teria dito que sim no início”, tendo em conta que as posições de Seinfeld eram públicas. Já Ricardo Araújo Pereira, mas num artigo de opinião do jornal 'Expresso', ironiza aquilo que considera uma espécie de “solidariedadezinha”, questionando a coerência de cancelar um compromisso profissional por causa das opiniões políticas de outro artista. "Se participar naquele cartaz é concordar com um massacre, então eles concordaram durante quatro meses", acrescentou. 

Também João Miguel Tavares criticou duramente os desistentes. O cronista do 'Público' considera “deprimente” que tenham descoberto apenas meses depois quem era Seinfeld e acusa-os de serem permeáveis ao “pensamento de manada”, além de questionar a falta de explicações públicas para algumas das desistências. Para o escritor, cancelar a participação por causa das opiniões de outro artista revela “desprezo por opiniões divergentes” e uma atitude mais “dogmática” do que democrática.

A polémica, recorde-se, começou com publicações nas redes sociais que questionavam a participação artística num evento que tinha como protagonista um artista pró-israelita e com opiniões polémicas sobre a Palestina. Logo a seguir,  foram noticiados vários cancelamentos, como os do espetáculo Tributo Pop (que reunia Carolina Deslandes, Tatanka e Bárbara Tinoco), e o concerto dos Cuca Monga.

Seguiram-se Pedro Tochas, o artista visual Vhils, Inês Aires Pereira e os Cebola Mol, dupla formada por Eduardo Madeira e Filipe Homem Fonseca. Nem todos especificaram expressamente os seus moticos, a sucessão de saídas foi interpretada como um boicote.

Inês assumiu que a decisão estava relacionada com a presença de um artista que, segundo afirmou, “defende insistentemente ideias e atos” que considera indefensáveis, recusando-se a “relativizar ou normalizar um genocídio”. Já os Cebola Mol não mencionaram diretamente Seinfeld, mas anunciaram a saída acompanhados por uma imagem de uma melancia, símbolo associado à solidariedade com a Palestina, escrevendo que celebrariam “justiça, liberdade e alegria” noutra oportunidade. Vhils esclareceu que tinha pedido à organização para retirar o seu nome do cartaz.

Entretanto, outros atores e humoristas já saíram em defesa de César Mourão, mentor do festival. Na RTP, Rita Blanco defendeu que é preciso "criar pontes entre diferentes opiniões" e que nunca desistiria de um espetáculo se o único motivo fosse ter uma opinião diferente de outro artista. Bruno Nogueira atribuiu os cancelamentos à pressão das redes sociais e considerou a atitude “desleal para com um festival”. José Diogo Quintela falou também de uma pressão das redes e de uma postura “intransigente e radical”, enquanto Fernando Rocha afirmou que respeita quem desistiu, mas que "nunca falharia um compromisso profissional por discordar das opiniões de alguém".

O evento, que decorre de 29 de outubro a 1 de novembro, mantém, para já, o espetáculo de Seinfeld, marcado para a MEO Arena. A organização pondera substituir os espetáculos cancelados.

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